31.3.11

Américo Lopes de Oliveira

No centenário do nascimento do escritor e jornalista Américo Lopes de Oliveira (1911-2003), carismática figura das letras, lembramos a sua vida e obra.

"Américo Lopes de Oliveira Nasceu em Lisboa em 31 de Março de 1911. Completou o curso liceal entre 1929 e 1932. Foi funcionário da Caixa Geral de Depósitos e cursou a Escola dos CTT onde desempenhou vários serviços: chefe de turno, serviços de secretaria, instrutor para candidatos a OPR, aposentando-se como 2º oficial a 21 de Janeiro de 1959. Cursou Ciências Físico-químicas na Universidade Clássica de Lisboa. Foi bolseiro do Governo Espanhol, do Curso de Jornalismo, na Universidade Internacional Menendez Playo, de Santander (1957-1959).

Colaborou, desde muito novo, em jornais, revistas e fez parte de diversas redacções: Flama, Diário de Lourenço Marques, Correio do Minho, O Primeiro de Janeiro, Novidades, etc. Deslocou-se, por diversas vezes, ao estrangeiro como "enviado especial" das redacções por onde passou ou a convite dos Governos, onde percorreu quase toda a Europa, África, América do Sul.

A. Lopes de Oliveira destacou-se ainda em programas de rádio. Na Rádio Renascença tinha os programas da sua autoria: "Panorama Radiofónico" e "Dilatando a Fé" e o "Império". Nas rádios locais destacou-se na Rádio Montelongo (Companheiros da Noite; Letras e Artes; Conversas da Arcada) e Rádio Clube de Fafe (Fim de semana).

Participou, no país e no estrangeiro, em congressos, encontros, colóquios. Participou na assembleia magna, da Real Academia Galega, da Corunha, em Braga, em 1955 e 1957. Fez parte, não só como colaborador, mas como redactor, da volumosa obra Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ao lado dos reconhecidos António Sérgio e Manuel Mendes, entre outros, e ainda da Enciclopédia Ultramarina e no Dicionário da História da Igreja em Portugal.

Em 1979 veio viver para Fafe, a convite do presidente da Câmara da altura, Parcídio Summavielle, para escrever a primeira monografia sobre o concelho. Em 1983 foi instituído um prémio bienal com o seu nome, o qual era subsidiado por si e pela Câmara Municipal de Fafe, inicialmente para o género de ficção e monografia e, posteriormente, para a modalidade Estudos histórico-sociais.

Foi sócio-correspondente da Real Academia da Corunha: delegado do nosso país da Academia Mondiale degli Artisti e Professionsti, de Roma (Itália); Conselheiro Nacional de Honra da Confederazione Generale Italiana Professionisti e Artistici, de Roma; membro do Centro Internacionale per Scambi Culturali e Artistici, de Roma; conselheiro de Honra e correspondente do Instituto Fernando el Católico, de Saragoça (Espanha).

Foi distinguido com a Medalha de Prata de Mérito Concelhio, em 1986, numa cerimónia que decorreu nos Paços do Concelho, no âmbito das comemorações do 25 de Abril. Faleceu em 2003, em Fafe."

Informação retirada com os devidos créditos do site desenvolvido no âmbito do Estágio Profissional de Carina Faria, na Biblioteca Municipal de Fafe, para divulgar e disponibilizar a vida e a obra de A. Lopes de Oliveira. Porque “a disponibilização deste espólio é fundamental para a preservação da memória, da história, da cultura e do património local.”

27.3.11

Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa


O Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa tem como objectivo central o de premiar e divulgar publicamente cidadãos portugueses que se tenham distinguido pelo seu papel empreendedor, inovador e responsável no contexto das respectivas sociedades de acolhimento e que constituam exemplos de integração efectiva nas correspondentes economias e de estímulo à cooperação entre Portugal e os respectivos países de acolhimento.


São destinatários do Prémio cidadãos portugueses que, na data da candidatura, residam no estrangeiro há mais de cinco anos. No âmbito de uma parceria entre a COTEC e a TAP Portugal, os participantes do Encontro do Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa 2011, que decorre a 8 de Junho, poderão usufruir de condições especiais na viagem para Portugal.


Para mais informações: http://www.cotecportugal.pt/diaspora/

Fonte: Cultdigest

8.3.11

Mulheres do Séc. XIX em Fafe

Fotografia de Manuel Meira
Dedicamos o "Documento do Mês" às mulheres, que, tendo vivido numa sociedade dominada pela(s) figura(s) masculina(s), contribuiram para mudar o curso da história.

D. Felismina Summavielle

Pessoa muito estimada e conhecida em Fafe e outras terras, soube, com a sua mãe e persistência, fundar e elevar o famoso Hotel Central, vulgarmente conhecido por «Hotel de Felismina», onde se serviam os apreciados pão-de-ló e vitela de Fafe, além dos capitosos vinhos de Basto.
O Hotel Central era frequentado assiduamente por pessoas influentes como, por exemplo, o Conde de Paçô-Vieira, decisivo na chegada do comboio a Fafe, em 1907.
Era irmã do «brasileiro» António Summavielle e de Margarida Summavielle, mãe do Dr. José Summavielle Soares. Faleceu em 28 de Setembro de 1922, com 69 anos, tendo fechado o caixão o seu sobrinho Dr. José Summavielle Soares. Em 1924 faleceu, com 80 anos o seu marido António da Silva e Castro, como relata o jornal O Desforço a 23 de Outubro.

Texto e desenho de Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).


D. Georgette D’Anthonay Villas Boas

D. Georgette d’ Anthonay Villas-Boas era filha do cônsul francês em Manaus, capital da Amazónia, onde casou em 1900 com o opulento «brasileiro» José Cândido Ferreira Villas-Boas, de Medelo, emigrado naquela longínqua cidade.
D. Georgette enviuvou em 1925, tendo-se radicado em Fafe; era vulgarmente conhecida por «Madame do Soeiro».
Embarcou para Manaus, diz O Desforço de 26 de Outubro de 1931, tendo regressado em Junho de 1932. (…)
O ex-cônsul francês em Manaus, Barão d’ Anthonay e sua esposa Baronesa d’ Anthonay, estiveram em Medelo, de visita à sua filha D. Georgette, e regressaram a França encantados com Portugal, relata O Desforço de 16 de Agosto de 1956. Regressaram no ano seguinte, no mês de Julho, para passar aqui um mês.
No dia 30 de Maio de 1973, D. Georgette, a «Madame de Soeiro», fez 91 anos. Era uma senhora bondosa e compreensiva; quando o ano agrícola era mau, perdoava aos seus caseiros o que estivesse em falta; de uma forma geral, foi benemérita dos Medelenses.
Faleceu na sua Casa do Soeiro, no dia 15 de Setembro de 1973.

Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).


Prof.ª Francisca Ribeiro Leite

Francisca Ribeiro Leite fundou, por volta de 1915,uma Escola Primaria particular, que funcionou durante mais de 50 anos, na qual ensinava os alunos da 1.ª, 2.ª e 3.ª classes, sendo a 4.ª e 5.ª classes ministradas pelo professor João de Oliveira Frade, que chegou a ser Administrador do Concelho em 1912, tendo sido nomeado em 1914 membro do Conselho de Assistência Escolar. O professor Frade era também professor e secretário da escola Primária Superior, a partir da sua função, no ano lectivo de 1919/1920.
A escola de Francisca Ribeiro Leite era frequentada pelos filhos das famílias mais distintas de Fafe e funcionava no 1.º andar da casa do seu primo e padrinho, José António Dantas Guimarães, esquina da Rua Machado dos Santos (actual R. João XXIII). (…)
Francisca Ribeiro Leite (…) nas suas horas vagas, dedicava-se à pintura a óleo, nomeadamente pintura a óleo sobre seda, técnica geralmente utilizada em trabalhos de índole religiosa que lhe eram muitas vezes solicitados.
Faleceu em 24 de Maio de 1976, com 90 anos, estando sepultada, tal com os outros membros da sua família já falecidos, no jazigo de José António Dantas Guimarães e sua esposa Francisca de Jesus Leite, no cemitério municipal de Fafe. (…)

Texto e desenho de Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).

D. Laura Soares D’Oliveira Summavielle

Laura Soares d’Oliveira Summavielle, esposa do Dr. José Summavielle Soares, teve 4 filhas, Laura, Maria Margarida, Alice e Soledade, e 6 filhos, José, João, Miguel (falecido com 30 anos), Luís, Fernando e Elísio Summavielle Soares. Era muito amiga dos pobres, gostava de gracejar e de fazer a sua quadra.
Da sua pedreira de Pardelhas, foi a pedra toda para acabar a Igreja Nova, parada desde 1900.
Faleceu em 14 de Abril de 1971, com 92 anos, mas ainda lúcida; era expansiva, comunicativa, alegre.
O seu funeral foi grandioso.
O Desforço, anunciou para o dia 9 de Novembro de 1961, pelas 21 horas, no Teatro Cinema, uma sessão de propaganda eleitoral democrata, presidida pela sua filha D. Laura Summavielle Matos, viúva do Dr. Maximino Matos, falecido mais de 3 anos antes.

Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).


15.2.11

Projecto Fly


Divulgamos um interessante projecto de investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa - Projecto Fly - e ao qual este Museu disponibiliza para investigação a sua colecção de correspondência particular do ínicio do século XX.

Excerto do artigo recentemente publicado no jornal "O Mundo Português".
"Investigadoras do Centro de Linguística da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa têm em mãos dois projectos que até hoje nenhum académico levou avante. Coordenadas por Rita Marquilhas, investigadora responsável e autora dos estudos, Mariana Gomes, Leonor Tavares e Ana Guilherme, estão a levar a cabo dois projectos que vão culminar na publicação de quatro mil cartas - duas mil do projecto ‘Cards’, do século XVI ao século XIX, e duas mil do projecto ‘Fly’, que abrange o período de 1900 a 1979.

Cartas escritas que vão ser reunidas num arquivo digital e ajudar a trazer um novo olhar sobre os portugueses. Entre essas, estão cartas de emigrantes, correspondência trocada entre portugueses que vivem no estrangeiro e os seus familiares. São «cartas de saudade», difíceis de obter e que originaram um apelo, dirigido a todos os que, em Portugal e no estrangeiro, possam contribuir para esta iniciativa.

Apelo à recolha de cartas

Foi a dificuldade na recolha de cartas no âmbito do projecto Fly, principalmente aquelas relacionadas com a Emigração, que motivou o apelo (imagem). Inicialmente, a pesquisa das cartas de emigração tem sido feita com base no SNI (Serviço Nacional de Informação), que está disponível na Torre do Tombo e no conhecimento de pessoas que tenham passado por essa experiência.

As investigadoras já começaram também a contactar instituições no estrangeiro, mas estão ainda à espera de respostas. “Temos feito chegar a informação a instituições que tenham contacto com emigrantes. A nível pessoal, fazemos mais por cá, individualmente”, explica Mariana Gomes.
E vão daqui a uma semana, começar a percorrer o país, desde Fafe, que acolhe o Museu da Emigração, a V. Nova de Famalicão, Vila Real, Aveiro, Coimbra, Leiria, etc. E enquanto percorrem o país, fazem «figas» para que os contactos do estrangeiro surtam efeito."

Pode aceder à notícia completa da divulgação deste interessante projecto em “O Mundo Português”
O projecto conta com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e é um enorme contributo para o conhecimento da História da Emigração. Colabore.

6.2.11

Filhos(as) da Emigração / Imigração Portuguesa

Divulgamos o programa da Conferência "Filhos(as) da Emigração / Imigração Portuguesa", que se realizará no próximo dia 24 de Fevereiro, no Instituto Francês de Portugal, Lisboa.

A conferência apresenta as seguintes questões centrais para debate e reflexão:

- Como são negociados os sentidos de pertença e as estratégias de representação por parte dos descendentes de e/imigrantes, considerando os seus relacionamentos identitários (nacionais/étnicos) e sociopolíticos (multi/interculturais)?

- Que estratégias identitárias desenvolvem e como as expressam face à invisibilidade/visibilidade no espaço público?

- Que estratégias identitárias e formas de participação activa desenvolvem no seu quotidiano (e.g. associativismo, grupos culturais/recreativos, grupos de lobby, movimentos virtuais, redes transnacionais, etc.)? Estas opções apontam para a participação plena na sociedade ou funcionam como escudos protectores alicerçados na preservação etno-cultural? E como se expressam face à invisibilidade/visibilidade no espaço público?

- Que aspectos e dimensões sobressaem na investigação científica sobre os percursos de integração e de socialização dos descendentes de e/imigrantes?


PROGRAMA
14:30 Abertura
Maria Isabel João – em representação da coordenação científica do CEMRI – UAb

14:45-16:45
Painel 1: Descendentes da emigração portuguesa
Moderação: Jean Gomes (Observatório dos Luso-Descendentes)
“Neste país, ser português também e ser canadiano”: as negociações identitárias dos luso-descendentes no Canadá multicultural – João Sardinha (CEMRI – UAb)

Tendências na identidade dos luso-venezuelanos – António Xavier (CIDEHUS - UÉvora)
Consumo mediático e identidades dos luso-descendentes em França – José Ricardo Carvalheiro (LAB-COM – UBI)

Estratégias culturais e identitárias de luso-descendentes em França: um olhar a partir da Associação Cap Magellan – Liliana Azevedo (Associação Cap Magellan)

Comentário: Maria Beatriz Rocha Trindade (CEMRI – UAb)

Debate
16:45-17:00 Pausa
17:00-19:00

Painel 2: Descendentes da imigração portuguesa
Moderação: Ricardo Campos (CEMRI – UAb)
Desafio para a inclusão dos descendentes de imigrantes africanos em Portugal – Beatriz Padilla (CIES – ISCTE)


“Isto é um projecto de vida!” – Práticas associativas de descendentes de imigrantes africanos – Rosana Albuquerque (CEMRI – UAb)

"A minha mãe sempre nos incentivou a participar e a fazer trabalho cívico": trajectórias de participação cívica de jovens de origem são-tomense em Portugal – Sónia Ramalho (CRIA - FCSH / UNL)

Estratégias culturais, identitárias e de inserção dos jovens ucranianos em Portugal – Pavlo Sadokha (Associação dos Ucranianos em Portugal)

Comentário: Fernando Luís Machado (CIES – ISCTE)
Debate
19:00 Encerramento

Evento com organização e apoios da Universidade Aberta / Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI), Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Alliance Française e Institut Français du Portugal. Mais informações em http://www.univ-ab.pt/cemri

29.1.11

Call for papers: Maritime, migration and tourism history at crossroads



An interesting call for papers to the conference of the International Maritime Economic History Association in Ghent (Belgium) June 2-6, 2012.
Call for papers: “Maritime, migration and tourism history at crossroads: global maritime networks and their impact on the movement of people”

Proposals are invited for sessions at the 6th conference of the International Maritime Economic History Association in Ghent (Belgium) June 2-6, 2012.
The aim of the sessions is to highlight the importance of maritime passenger travel in the academic fields of maritime, migration, tourism and travel history and to explore the potential for new research by fusing methods, sources, and approaches used in each discipline. Despite the impact of maritime networks on the global movement of people throughout history, passenger transport has received little attention by maritime historians. It is true that the tonnage employed for passenger transport remained marginal compared to freight transport. Yet passenger lines were often the first to introduce new technologies and business strategies into the shipping world.

We invite papers that reappraise the importance of all forms of passenger transport in maritime history. This call is not only addressed to maritime historians but also to migration and tourism historians. Tourism and travel history is quickly gaining popularity as an academic field yet few studies have dealt with the means by which the vast majority of world travel was carried out. Sail and especially steam shipping played a crucial role in the development of global tourism. The same applies to the field of migration history, where most focus has been on why people migrate and very little on how. Nonetheless, there is growing awareness among migration historians that the influence of the shipping world may have been more important than what has been ascribed to so far. Embedded in pre-existing trade routes, both tourist and migrants often travelled on the same ships that were steered by long-established maritime networks. By exploring the connections between these various networks, the organizers of the sessions want to create a new platform for research enhancing the collaboration between maritime, migration and tourism historians.

If interested, please send an abstract and short CV by February 21st to Torsten Feys Torsten.Feys@UGent.be

The IMEHA is an international society which publishes the International Journal of Maritime History (IJMH) and Research in Maritime History (RIMH). The society also sponsors conferences and provides assistance for the study of maritime history.

28.1.11

Seminário "A Emigração na Primeira República"

Prof. Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade (CEMRI/UAb), Dr. José Ribeiro (Presidente da CMF), Dr. Pompeu Miguel Martins (Vereador da Cultura CMF)
Fotografias de Manuel Meira
Terminou num clima de satisfação, com a presença de dezenas de participantes, o seminário “A Emigração na Primeira República” que decorreu na passada 6ª feira, dia 21, no auditório da Biblioteca Municipal de Fafe, realizado no âmbito do programa oficial da Câmara Municipal de Fafe para as comemorações do Centenário da Implantação da República, através do Museu das Migrações e das Comunidades em parceria com o CEMRI – Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais/Universidade Aberta.

Na sessão de abertura o Presidente da Câmara Municipal de Fafe, Dr. José Ribeiro, assinalou o facto de o evento reforçar o trabalho de implementação do Museu das Migrações, “um projecto prioritário para o Município de Fafe”, que se consolidará como um projecto nacional. A emigração foi e é um factor estruturante das sociedades que deve ser efectivamente abordado ao abrigo de diferentes perspectivas de investigação. Paralelamente as comunidades de emigrantes podem participar activamente neste trabalho, visando o seu conhecimento, preservação e divulgação.
O painel da manhã com o tema “Primeira República - A Emigração e a Imigração em Portugal” foi moderado pelo Prof. Doutor Albertino Gonçalves do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e contou com a comunicação “Políticas e práticas de emigração na Primeira República” pelo professor catedrático Jorge Fernandes Alves da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigador do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória), que procurou equacionar as posições políticas sobre a emigração neste período, caracterizar as medidas tomadas e sondar a realidade através de dados históricos.

Comunicação do Prof. Doutor Jorge Fernandes Alves (FLUP)

Seguiu-se o professor catedrático Viriato Capela do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho apresentou “A emigração e o surgimento da acção regionalista em Portugal”. Este painel contou também com a presença dos contributos de dois investigadores do fenómeno migratório da Galiza para Portugal.

O professor catedrático Domingo Luis González Lopo da Faculdade de História e Xeografia da Universidade de Santiago de Compostela e coordenador adjunto da Cátedra UNESCO nº 226 sobre Migraciones situou o colectivo galego residente em Lisboa durante a segunda metade do século XIX. Analisou os estereótipos sobre a imagem dos galegos em Portugal, o desenvolvimento do associacionismo, a criação da imprensa para defesa dos seus interesses e a educação dos filhos – muitos já portugueses por nascimento -, assim como, a posterior intervenção política destes nos movimentos sociais e políticos e na sua colaboração activa na vida política e na instauração da I República.

O professor Carlos Pazos Justo do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho (Prémio de Investigação Carvalho Calero em 2009) apresentou uma aproximação à trajectória da emigração espanhola em Portugal na 1ª República com a comunicação “A emigração espanhola em Lisboa na Primeira República: o caso do enclave galego” tentando substantivar as estratégias que este adoptou no novo panorama político após 1910.
O painel da tarde subordinado ao tema “Portugal/Brasil - Factos, Gentes e Representações” foi moderado pelo Dr. Henrique Barreto Nunes, ex-director (recentemente aposentado) da Biblioteca Pública de Braga e do Arquivo Distrital de Braga, actualmente vice-presidente do Conselho Cultural da Universidade do Minho e pela Dra. Isabel Alves educóloga a desempenhar funções no Museu das Migrações e das Comunidades e coordenadora do seminário. O Dr. Henrique Barreto Nunes abriu o painel com profundas palavras de homenagem àquele que foi o seu grande amigo, historiador e defensor activo e permanente do património histórico - Dr. Miguel Monteiro, mentor do projecto do Museu.
Com a comunicação - “Portugal-Brasil: Trajectórias de sucesso e de insucesso no contexto migratório” - a professora catedrática Maria Beatriz Rocha-Trindade, fundadora do CEMRI, titular da Ordre National du Mérite, de França, com o grau de Chevalier, da Medalha de Mérito do Município de Fafe e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, de Portugal, centrou-se na presença portuguesa no Brasil, que se estende desde o seu «Achamento» até à actualidade. Retratou os “Homens e mulheres que circularam entre o continente europeu e o continente americano, atravessaram o oceano num e noutro sentido, através do que poderia ser chamada: a «ponte atlântica». E, em cada época, não só encontraram justificação para fazê-lo como transportaram consigo a esperança de poder atingir uma melhoria económica ou de poder vir a alcançar uma situação de liberdade.”
Seguindo o tema Portugal-Brasil o Município de Fafe esteve representado pelo historiador local Daniel Bastos com a comunicação “O concelho de Fafe durante a I República e o fenómeno migratório” cujo principal objectivo foi “analisar as dimensões históricas da I República no concelho de Fafe que se interligam com o fenómeno migratório.”
Seguiu-se o professor catedrático Jorge Arroteia da Universidade de Aveiro, fundador da biblioteca digital Emigrateca Portuguesa que apresentou “Uma visão retrospectiva sobre as migrações portuguesas” e abordou os movimentos migratórios desde as Descobertas, passando pelos diversos “destinos da emigração portuguesa traçados desde os finais do século XIX que se alteraram no decurso do século XX.”
Terminadas as comunicações a sessão foi seguida de um espaço de debate que contou com uma grande participação do público presente. O evento foi encerrado pela coordenadora do seminário Dra. Isabel Alves, pela Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade que com o Dr. Artur Ferreira Coimbra constituíram a Comissão Científica do seminário, e pelo vereador da cultura Dr. Pompeu Miguel Martins que fez um especial agradecimento a todos quantos tornaram possível a realização do seminário (Isabel Alves, Jesus Martinho, Joaquim Gonçalves, Manuel Meira, Rita Gonçalves, Sandra Novais) e em particular à Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade por todo o percurso realizado desde o início da implementação do Museu. Reforçou ainda a vontade do senhor Presidente Dr. José Ribeiro na consolidação do Museu, apresentando uma visão dos projectos futuros.


Dra. Isabel Alves (MMC), Dr. Pompeu Miguel Martins (Vereador Cultura CMF), Prof. Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade (CEMRI/UAb)

Fez ainda um especial agradecimento a uma personalidade essencial na criação do Museu das Migrações e das Comunidades – o Historiador professor Miguel Monteiro. De assinalar que o seu nome foi lembrado ao longo de todo o dia por todos os oradores com palavras de admiração e carinho imensos, mencionado como alguém que tinha “o infinito como limite”.

10.1.11

Aniversário(s) e Memória(s)


"Dez de Janeiro foi de festa para a nossa linda terra! Inaugurou-se nessa noite o 'Teatro-cinema' - nome tão simples para obra tão grande."

Sob o título “O Progresso de Fafe – A Inauguração do Teatro-Cinema”, eram estas as palavras que se liam, na edição de 17 de Janeiro de 1924 do jornal “O Desforço”. O Teatro-Cinema foi inaugurado a 10 de Janeiro de 1924 pela então conceituada Companhia de Aura Abranches, com a peça de teatro “O grande amor”.

Construído no local onde existia já um antigo edifício de teatro, a sua construção deveu-se ao Dr. José Summavielle Soares, neto do “brasileiro” José Florêncio Soares, emigrante no Rio de Janeiro.
Esta belíssima obra coincidiu com o fim das iniciativas de capital de "brasileiros" de Fafe e dos seus descendentes, fechando o ciclo da emigração para o Brasil.

A notícia do jornal continua com pormenorizadas descrições:

Luxo e elegância desde o altivo salão nobre ao vasto palco confortáveis camarins, desde a deslumbrante entrada principal a plateia, frisas e camarotes; desde o agradável terraço ao jardim lateral.

Dignos de louvores são quantos colaboraram nesta obra importante: dignos de honra são: o técnico de 'A Japoneza, Lda', do Porto, sr. Duarte d'Almeida que deu aquilo tudo um tom prodigioso, caprichando no mobiliário e adorno do salão principal, que e, no género, um dos raros que devem existir; e os hábeis pintores que com tintas multicolores fizeram realçar o tecto, imprimindo-lhe poesia e o artista da sacada em cimento que sobressai na frontaria.

'Teatro-cinema'!
Quer dizer: ali, naquela case modelo, poderão funcionar as melhores e maiores companhias e exibir-se as mais perfeitas fitas cinematográficas.

E assim foi que, Quinta-Feira passada, teve a honra de trabalhar pela primeira vez no sobredito teatro, inaugurando-o solenemente, a Companhia Aura Abranches, uma das melhores do país.

Mas quem foi a personagem mais importante da grande noite, da noite de triunfo, de alegria, de afecto, de galas, de glórias? Foi, precisamente, o homem de reconhecida inteligência e acção, o bairrista apaixonado, o engrandecedor de Fafe, o dono da admirável case de espectáculos que e o Dr. José Summavielle Soares! Foi ele, não podia deixar de ser! ...

A Câmara, representada pela sue ilustre Comissão Executiva, dr. Artur Vieira de Castro, Dr. Parcidio de Matos, Dr. Manuel Moreira, Ângelo Fernandes e Vale Ribeiro, com seu estandarte, foi homenageá-lo ao palco, entre o 2.° e o 3° actos, levar-lhe uma mensagem escrita em pergaminho e metida numa luxuosa pasta. Tinha-o proclamado cidadão benemérito do concelho de Fafe.

Quando a Câmara apareceu no palco, as palmas foram estrondosas e demoradas, assim como depois do agradecimento do sr. dr. Summavielle. A orquestra executou 'A Portuguesa’ e tudo de pé e respeitosamente assistiu aquela passagem sublime da grande festa.

Além da imprensa local, assistiu ao espectáculo de inauguração o nosso prezado colega do Jornal de Noticias do Porto sr. Armando Gonçalves, funcionário superior da Câmara do Porto.

-'A Japoneza, Ld.ª, do Porto, foi a que ofereceu o espectáculo de inauguração os lindos programas profusamente distribuídos.

-A orquestra, sob a regência do snr. Joaquim Carvalho, que executou admiravelmente, era composta de amadores e profissionais da terra.
-O pessoal do teatro usava todo fardas.

As três lindas peças que se representaram nas noites seguintes -' Pilmerose', 'Madalena Arrependida' e 'Injustiça da Lei', agradaram muito, sendo os intérpretes entusiasticamente ovacionados.

No domingo, entre o 2.° e o 3.° actos, o sr. dr. Summavielle convidou a laureada actriz Aura Abranches a fazer o descerramento de uma placa de mármore com letras douradas colocada no átrio, onde leu, com surpresa, os seguintes dizeres:
-'Inaugurado em 10-1-1924 pela Companhia Aura Abranches'.

A placa de mármore permanece na entrada do Teatro Cinema e completa hoje 86 anos.

Também hoje, dia 10 de Janeiro, recordamos Miguel Monteiro, coordenador do Museu das Migrações e das Comunidades que completaria 56 anos.
Saudade.

3.1.11

Seminário "A Emigração na Primeira República"


O Museu das Migrações e das Comunidades integra o programa das comemorações do Centenário da Implantação da República da Câmara Municipal de Fafe com a realização de um seminário subordinado ao tema “A Emigração na Primeira República”.
A iniciativa tem como objectivo contextualizar o fenómeno migratório daquele período e é uma realização conjunta Museu das Migrações e das Comunidades e Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI – (Universidade Aberta), instituição parceira deste Museu em iniciativas anteriores.
O evento decorrerá no próximo dia 21 de Janeiro de 2011, no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe e reúne investigadores de várias universidades nacionais e estrangeiras, nomeadamente, da Universidade Aberta e do Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI), da Universidade de Lisboa, da Universidade do Minho, da Universidade do Porto e da Universidade de Santiago de Compostela.

Os trabalhos serão divididos nos painéis “A emigração e a imigração em Portugal” e “Portugal/Brasil - Factos, gentes e representações” e apresenta o seguinte programa:

09:00 Recepção dos participantes

09:30 Sessão de Abertura
Dr. José Ribeiro – Presidente da Câmara Municipal de Fafe
Dr. Pompeu Miguel Martins – Vereador do Pelouro da Cultura
Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade – Investigador/Fundador do Centro de
Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI – (Universidade Aberta)

Painel 1- Primeira República - A Emigração e a Imigração em Portugal
Moderação:
Prof. Doutor Albertino Gonçalves (Universidade do Minho/ Instituto de Ciências Sociais)

10:00 Prof. Doutor Jorge Fernandes Alves (Universidade do Porto/ Faculdade de Letras
da Universidade do Porto)
Políticas e práticas de emigração na Primeira República.

10:30 Prof. Doutor Viriato Capela (Universidade do Minho/Instituto de Ciências Sociais)
A emigração e o surgimento da acção regionalista em Portugal.

11:00 Coffee-break

11:30 Dr. Carlos Pazos Justo (Universidade do Minho/Instituto de Letras e Ciências
Humanas)
A emigração espanhola em Lisboa na Primeira República: o caso do enclave
galego.

12:00 Professor Doutor Domingo González Lopo (Universidade de Santiago de
Compostela/Faculdade de História e Xeografia/Cátedra UNESCO nº 226 sobre
Migraciónes)
Os lisboanos galegos: evolución económica, social e ideolóxica dun
colectivo inmigrante en Portugal.

12:30 Debate

13:00 Almoço

Painel 2 - Portugal/Brasil - Factos, Gentes e Representações
Moderação:
Dr. Henrique Barreto Nunes (Universidade do Minho/Conselho Cultural)
Dra. Isabel Alves (Museu das Migrações e das Comunidades)

14:30 Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade (Universidade Aberta/Centro de
Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI)
Portugal-Brasil: Trajectórias de sucesso e de insucesso no contexto migratório.

15:00 Prof.ª Doutora Maria do Céu de Melo (Universidade do Minho/Instituto de
Educação)
Ao espelho: o riso e o siso nos cartoons sobre emigração.

15:30 Dr. Daniel Bastos
O concelho de Fafe durante a Primeira República e o fenómeno migratório.

16:00 Prof. Doutor Fernando António Baptista Pereira (Universidade de Lisboa/
Faculdade de Belas-Artes)
Um discurso museológico sobre a emigração e os “Brasileiros” em Fafe durante a
Primeira República.

16:30 Coffee-Break

17:00 Prof. Doutor Jorge Arroteia (Universidade de Aveiro / Emigrateca Portuguesa)
Uma visão retrospectiva sobre as migrações portuguesas.

17:30 Debate, Balanço e Conclusões

18:00 Encerramento
– Dr. José Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de
Fafe

Visita ao Museu das Migrações e Núcleo das Artes (Teatro - Cinema)


As inscrições são gratuitas e poderão ser efectuadas até ao dia 18 de Janeiro para geral@museu-emigrantes.org ou pelos telefones 253 490 908 ou faxe 253 700 409.

30.12.10

Lá se pensam, cá se fazem


Com os devidos créditos, do site da Fundação Calouste Gulbenkian transcrevemos a informação sobre a iniciativa FAZ, ideias de origem portuguesa, 'dirigida à diáspora portuguesa. Sabe-se que existem 2,3 milhões de portugueses no mundo, nascidos em Portugal, e que se contarmos com os descendentes, a soma aumenta para os 5 milhões.
Com o mote “Lá se pensam, cá se fazem”, FAZ desafia esses 5 milhões a conceberem, um projecto de empreendedorismo social a concretizar em território português. No fundo, FAZ é um concurso de ideias, mas também um apelo aos talentos da diáspora portuguesa para que se mobilizem no sentido de construírem o futuro da comunidade que é de todos.'

Regulamento disponível em http://www.ideiasdeorigemportuguesa.org a partir de 4 de Janeiro de 2011.

26.12.10

Jardim do Calvário ou Passeio Público faz hoje 118 anos


Fafe: Passeio Público em Construção 1891
(Luisa Vieira Campos de Carvalho - Arquivo privado)

O Jardim do Calvário ou Passeio Público faz hoje 118 anos razão pela qual a rubrica "Documento do Mês" é dedicada a este espaço e ao seu fundador - Comendador Albino de Oliveira Guimarães.


O Jardim do Calvário situa-se no "Outeiro do Calvário" decorrendo este nome da existência de uma capela dedicada ao Senhor do Calvário, nesse local, pelo menos desde o século XVIII.
A obra do Jardim do Calvário deve-se a um brasileiro fafense, o Comendador Albino de Oliveira Guimarães que, segundo a imprensa do início do século, "houve dele o produto de um discurso – a verba principal que se empregou no aludido jardim", custeando a iniciativa com 4 contos e duzentos mil réis.


Em 1889, o presidente da Câmara, José Florêncio Soares, apresenta ao Executivo um projecto de Jardim e Passeio público, tendo sido as obras orçamentadas pelo montante de 6.400$000 réis.
No ano 1890 dá-se início às obras, tendo a Câmara em sessão de 12 de Fevereiro, realizando uma intimação de despejo de 8 dias aos moradores daquele local, para que a construção se pudesse iniciar.


O Jardim do Calvário é solenemente inaugurado a 26 de Dezembro de 1892, onde a Câmara se dirige a Albino de Oliveira Guimarães para agradecer "os valiosos serviços que prestara ao Município para a construção do mesmo jardim" e "pelo grande melhoramento público que promovera".

Em 1912 é aprovado o projecto de um coreto para o local e em 1914 passa a ter luz eléctrica fornecida pela Central de Sta. Rita. Em 1917 é adquirido um barco para o lago do Jardim, mandado vir pelo então Vereador Artur Pinto Bastos, tendo o barco e o seu transporte desde a Póvoa do Varzim custado 36$50.



Em 1929 é elaborado o projecto de um quiosque para o Jardim Público junto ao ringue de patinagem com o orçamento de 11.148$00.
O Jardim do Calvário recriava, assim, um ambiente de exotismo naturalista, apresentando um lago com uma ponte, um pequeno barco, um coreto e as necessárias árvores importadas, recriando-se o ambiente romântico. Constituía um local de "encontro e ócio, cumprindo uma função ideológica dos que o frequentavam." (Miguel Monteiro in Fafe dos Brasileiros)
COMENDADOR ALBINO DE OLIVEIRA GUIMARÃES
Albino de Oliveira nasceu a 4 de Setembro de 1833, na freguesia de Golães e faleceu a 6 de Março de 1908 (74 anos), na sua casa da Rua 5 de Outubro.



Em 1847 (com 14 anos) emigrou para o Rio de Janeiro e acrescentou ao seu apelido, Guimarães. No Brasil, trabalhou como caixeiro na casa Comercial António Mendes de Oliveira Castro, vindo a ser o seu braço direito, das suas qualidades pessoais. Em 1858 (25 anos) casa com Luiza Mendes de Oliveira Castro e aparece na liderança da Comissão de Fundadores do Hospital de Fafe no Rio de Janeiro. Em 1859 António Mendes de Oliveira Castro vem a falecer, sendo Albino conduzido à gerência dos negócios de família, ao lado da sogra D. Castorina.



Em 1861 realiza uma viagem de retorno a Portugal, com Francisco José Leite Lage. Em 1869 verifica-se a existência de um passaporte de 8 de Abril com destino ao Rio de Janeiro com sua mulher e filhos (Luiza, Castorina, Albino, António). Em1879, compra casa em S. Clemente. De referir que ia com frequência a Lisboa, mantendo relações com Camilo Castelo Branco e José Cardoso Vieira de Castro.



Em 1890 vende a casa do Rio ao inglês John Roscoe Allen que posteriormente a vendeu a Rui Barbosa. Actualmente é a Fundação Casa Museu Rui Barbosa. Albino de Oliveira Guimarães regressa definitivamente a Fafe, instalando-se com a família na casa da Macieira, em Pardelhas. Foi ainda proprietário rural em Freitas, na Ranha e Pardelhas; em Quinchães e em S. Romão de Arões adquiriu quintas e a casa e Quinta de Arrochela.



Como benemérito promoveu a construção da Igreja Nova de S. José, hospitais, asilos, escolas, participou na criação de Misericórdias, indústrias e iluminação pública; fez parte da comissão organizadora das festividades comemorativas da chegada do Caminho-de-ferro.



"Documento do Mês" - em exposição espólio documental sobre o Jardim do Calvário e o seu fundador Comendador Albino de Oliveira Guimarães. Agradecimento muito especial a Luisa Vieira Campos de Carvalho, descendente do comendador, pela cedência da primeira foto que aqui reproduzimos.

24.12.10

Merry Christmas

The Museu das Migrações e das Comunidades (Museum of Migration and Communities) wishes you all a Merry Christmas and a Happy New Year.

16.12.10

Dia Internacional dos Migrantes


Sábado, dia 18 de Dezembro - o Museu das Migrações e das Comunidades comemora o Dia Internacional dos Migrantes em parceria com as Juntas de Freguesia de Aboim e Estorãos. Será exibido o documentário “A Fotografia Rasgada” do lusodescendente José Vieira, que retrata a emigração dos anos 60 e 70 para França.

Nos anos 60 quem emigrava clandestinamente recorrendo a um passador, conhecia o código da fotografia rasgada. O passador guardava metade da fotografia de quem emigrava e a outra levava-a o emigrante que, uma vez chegado ao destino, a remetia à família, em sinal de que chegara bem e que poderia ser concluído o pagamento pela sua “passagem”. Partindo da sua experiência como emigrante e das memórias de muitos portugueses que partiram para França “a salto”, José Vieira traça um retrato da história recente de Portugal.
“A Fotografia Rasgada” (França, 2001, 52’) foi premiado na 9.ª edição do festival Caminhos do Cinema Português (Coimbra, 2002), e integra um projecto de José Vieira intitulado “Gente do Salto” que reúne sete curtas-metragens sobre a emigração clandestina.

Porque a História é também feita de histórias, pretendemos que todos contribuam para a construção de uma memória colectiva, partilhada, edificando e preservando assim a memória histórica para as próximas gerações. Neste sentido a projecção será seguida de um momento de diálogo partilhado por todos os presentes e centrado nas experiências contexto de (e/i)migração. Este espaço contará com a presença de emigrantes, assim como, de imigrantes (residentes no Concelho de Fafe) que contribuirão para uma partilha e troca de experiências enriquecedora e global. Pretende-se criar um espaço e um tempo de consciencialização sobre a temática das migrações, promovendo a tolerância, a partilha de uma visão multicultural pacífica e de respeito intercultural.

As sessões terão lugar no próximo sábado, dia 18, na sede da Junta de Freguesia de Aboim pelas 14h30 horas e na sede da Junta de Freguesia de Estorãos pelas 16h30 horas.
Entrada gratuita.

7.12.10

Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Hoje é dia de… Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos

No âmbito da actividade "Hoje é dia de…" comemoramos no dia próximo dia 10 de Dezembro o Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“Notícia de 1ª Página”
Visita temática de carácter experimental a realizar no Museu das Migrações e no Museu da Imprensa.
Partimos da exploração das colecções do Museu das Migrações com roteiro de visita e ficha didáctica, para um atelier de redacção, composição (manual com tipos móveis e gravura) e impressão gráfica no Museu da Imprensa da 1ª página de um jornal, centrada no tema Direitos Humanos.
No final será criado um mural de papel com as páginas impressas.

Serão ainda impressos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos para distribuição pela cidade em especial no Comércio Local.
Actividades direccionadas para as famílias e público escolar com adaptações aos níveis etários.
Visita-nos, participa e usufrui da nossa História, construindo memórias.
Entrada livre.

6.12.10

Os portugueses no mundo e o mundo em Portugal

Um quadro vale por mil palavras.
Fonte: "Portugal - Atlas das Migrações Internacionais".

1.12.10

Mapping Cultural Diversity



"Mapping Cultural Diversity: Good practices from around the globe" é uma iniciativa do U40-Programme - Cultural Diversity 2030, cujo objectivo é contribuir para o debate sobre a promoção e a protecção das diferentes expressões culturais, propostos na Convenção da UNESCO para a Diversidade da Expressão Cultural.

A Convenção procura, por intermédio do seu objetivo principal – a protecção e a promoção da diversidade das expressões culturais – "criar um ambiente conducente à afirmação e à renovação da diversidade de expressões culturais em benefício de todas as sociedades. Ao mesmo tempo, reafirma os laços que unem cultura, desenvolvimento e diálogo, estabelecendo uma plataforma inovadora para a cooperação cultural internacional. (...) lida com muitas formas de expressão cultural que resultam da criatividade de indivíduos, grupos e sociedades, enquanto comunicam conteúdos culturais com sentido simbólico, bem como os valores artísticos e culturais que se originam de identidades culturais ou as expressam.

(...) Ao enfocar a proteção e a promoção da diversidade das expressões culturais, a Convenção reconhece que, num mundo cada vez mais interconectado, cada indivíduo tem direito a aceder, livre e imediatamente, a uma rica diversidade das expressões culturais, sejam elas do seu país ou de outros." Convenção da UNESCO para a Diversidade da Expressão Cultural (Conferência Geral da UNESCO, 2005).

24.11.10

Museus - Programa Anual


Os Museus do Município apresentam uma programação conjunta diversificada, que pretende dar a conhecer o património, sensibilizar para o seu usufruto e preservação e promover a memória histórica. Download do programa aqui.

11.11.10

Paços do Concelho na Imprensa e no Museu

Fotografia de Manuel Meira
No início do século XVIII, na Corografia Portuguesa, o Padre Carvalho da Costa refere que a então vila de Fafe «tem huma só rua, aonde está a Casa da Câmara, & Cadea». Era na actual Praça 25 de Abril que se encontravam os antigos Paços do Concelho (c.f. Almanaque de 1920).

De acordo com a sessão camarária de 2 de Junho de 1897, resolveu-se «Pedir ao governo para applicar o fundo da viação à reconstrucção d’um edifício para os paços do concelho» (jornal ”O Desforço”, 03/07/1897, pág. 2).
Em sessão da Câmara Municipal de 24 de Outubro de 1906, decidiu-se «que o novo edifício para os paços do concelho, tribunal e repartições públicas, se faça à margem da projectada avenida» (jornal ”O Desforço”, 01/11/1906, pág. 2). O edifício para os Paços do Concelho viria a ser construído na actual Avenida 5 de Outubro, por questões de aformoseamento da Villa e de melhores acomodações para os fins destinados, iniciando-se no ano seguinte, a sua edificação (c.f. jornal “O Povo de Fafe”, 31/07/1907). Os novos Paços do Concelho entraram em funcionamento em 1913.

Da colecção de gravuras do Núcleo da Imprensa seleccionamos uma zincogravura publicada no jornal semanário "O Desforço" de 11 de Julho de 1919 cuja legenda - "O edifício público em construção onde estão aquarteladas as forças da República" - nos remete ao período da 1.ª República no qual se tomaram posições de reação às tropas monárquicas.

Nos anos de 1960 foram realizadas no edifício remodelações ao nível da arquitectura e do redimensionamento dos espaços interiores, sendo que, na manhã de 18 de Novembro de 1966 os «novos» Paços do concelho foram solenemente inaugurados (c.f. jornal “O Desforço”, 24/11/1966).
Produção Isabel Alves e Patrícia Cunha

8.11.10

Arte Lisboa 2010


© Carlos No

Este espaço tem por missão também divulgar a arte que se faz em torno da temática das migrações.
Neste sentido já aqui mostramos o trabalho de Carlos No, cuja obra “Champigny” foi agora seleccionada para integrar a secção “Project Rooms” da ARTE LISBOA 2010, este ano com curadoria de Filipa Oliveira.

A obra “Champigny” é (...) "uma peça de parede constituída por 28 caixas de correio construídas pelo artista com restos de madeira de diferentes tipos e origens. Estão dispostas mais ou menos por sequência numérica mas de modo desalinhado. Cada caixa tem, para além de um número, um ou mais nomes de pessoas de diferentes nacionalidades. Estas correspondem às das maiores ou mais representativas comunidades de imigrantes existentes actualmente em Portugal, que vão desde o Brasil e restantes países lusófonos, passando por outros países de África, Ásia e Europa de Leste.

Embora a obra procure evocar uma realidade portuguesa actual, o título remete-nos, no entanto, para um outro contexto geográfico e temporal, poder-se-á mesmo dizer histórico. Champigny é o nome de uma cidade francesa a leste de Paris que na década de 60 do século passado foi um dos locais de destino de uma grande parte dos imigrantes portugueses que, em busca de trabalho ou em fuga ao regime salazarista e à Guerra Colonial, procuravam em França um melhor local para viver.

Apesar de hoje em dia Champigny ser uma cidade dormitório, satélite de Paris, está, no entanto, muito longe daquilo que era na década de 60 do séc. XX pois nessa altura pouco mais era do que um bairro de lata na periferia da cidade, sem quaisquer condições de habitabilidade. Contudo, foi aqui que cerca de 40 mil portugueses construíram/encontraram a sua primeira “casa” (barraca) e nela viriam a habitar durante vários anos.

Pretendi assim, ao confrontar duas realidades bem semelhantes ainda que afastadas no espaço e no tempo, criar um paralelismo entre a realidade portuguesa de então e a actual, embora num sentido inverso. Num gesto como que de um “virar o espelho para nós próprios”, país com grandes tradições de emigração, para reflectirmos melhor sobre o nosso comportamento actual perante aqueles que procuram Portugal em busca de melhores condições de vida. Carlos No

3.11.10

Miguel Monteiro

Fotografia de Pompeu Miguel Martins







Fotografia de Manuel Meira

Faz hoje um ano que o nosso querido Miguel Monteiro partiu prematuramente.
Hoje pelas 7 horas juntamos corações e orações em S. Bartolomeu do Rego em sua memória.
Sentimos a sua falta. Permanece em nós.

30.10.10

A ponte

No museu "a palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim e os outros".
Mikhail Bakhtin (1929)

Colecção de postais da 'Villa de Fafe'

Fotografia Manuel Meira

Ao longo das artérias que percorrem Fafe, exalta-se o «coração» da cidade: a Praça 25 de Abril. Espaço em que se criam memórias de horas de lazer, de correrias agitadas na realização dos deveres, do café depois do almoço...
Se, através do tempo, permaneceu como parte fulcral do chamado «centro histórico» da cidade, o mesmo não se poderá dizer da toponímia que a percorreu, como fruto das várias transformações políticas e ideológicas.


Já no início do século XVIII era referida por Carvalho Costa como «huma só rua, aonde está a casa da Câmara & Cadea».
Em 1866, este espaço possuía a designação de Largo de Fafe, sendo vulgarmente conhecida como a «estrada de Guimarães para Cavez».

Anteriormente, tinha tido outras designações como Largo da Villa e Centro de Fafe. Por esta altura, existem testemunhos que a designam de Largo de D. Luiz I, como alusão ao rei da época.


Em 1889, adquire o nome de Largo Municipal, havendo também referências do topónimo Largo Municipal de D. Carlos. Nesta altura, o rei D. Carlos I torna-se o sucessor de D. Luís I, passando, assim o largo a designar-se de Largo de D. Carlos I, nos últimos anos da monarquia.

Em 1907, D. Carlos I, quando se dirigia para Vidago, viria a visitar, em Fafe, o seu amigo monárquico Dr. Florêncio Monteiro Vieira de Castro, tendo sido o único monarca que visitou a cidade.
Reflectindo a Implantação da República, a 13 de Outubro de 1910, recebe a designação de Praça da República.


Em 1919 passa a chamar-se Praça do Brasil, mudando o seu nome para Praça de Dr. Oliveira Salazar, em 1938, pouco depois de Oliveira Salazar instituir o Estado Novo.


Após o 25 de Abril de 1974, adquire o topónimo de Praça 25 de Abril como referência à Revolução dos Cravos, o qual se mantém até aos dias de hoje.'

Produção Isabel Alves e Patrícia Cunha

24.10.10

'Grave Decisions' de Marcus H. Rosenmüller

Sessão de encerramento do Ciclo de Cinema Alemão Contemporâneo - Encontro de Culturas no Auditório da Biblioteca Muncipal de Fafe.
Dia 26 pelas 21h30
Entrada livre.

Grave Decisions (Wer früher stirbt, ist länger tot, 2006)
Germany
Director: Marcus H. Rosenmüller
Cast: Markus Krojer, Fritz Karl, Jule Ronstedt, Jürgen Tonkel, Saskia Vester and Johann Schuler

'The most talked about film at the 2007 German Film Awards, Grave Decisions tells the story of 11-year-old Sebastian (Markus Krojer), an innocent boy who was cruelly blamed for his mother’s death during childbirth. He lives in fear at the idea that he will languish in Purgatory before being damned to hell. Sebastian makes a decision that, in order to save himself from Purgatory, he will help others by doing good deeds. Despite all his efforts to do good, including asking his dead mother’s advice, he only succeeds in making things worse. His accidental crimes are too numerous to count, but they include drowning the family cat and nearly killing a woman..
Finally, he uncovers a promising lead on his journey towards redemption, resolving to help his father find a new wife. Assured of his righteousness, he won’t let anything get in the way of his quest for a new stepmother…even her husband!


This is the first full length film by director Marcus H. Rosenmüller. Grave Decisions has taken numerous international film festivals by storm, winning awards which include Best Direction and Best Production at the Bavarian Film Festival and the German New Faces Award in the category of Director.'
Com os devidos créditos - http://www.eurochannel.com

23.10.10

'Solino' de Farih Akin

Após visita guiada ao Museu das Migrações pelas 17 horas, sessão do Ciclo de Cinema Alemão Contemporâneo - Encontro de Culturas no Auditório da Biblioteca Muncipal de Fafe, com o filme Solino de Farih Akin.
Dia 24 pelas 21h30.



Growing up in an Italian family in Germany, the Amato brothers play, fight, fall in love and party like everyone else. As Gigi realises his childhood dream of becoming a filmmaker, Giancarlo is corrupted by envy. When their father puts them under pressure to take over the family restaurant business, the brothers find themselves pitted against each other in a Cain and Abel-like drama that lurches between Germany and Italy. A story of brotherly rivalry, conforming to family expectations and finding the courage to follow your dreams.

18.10.10

'One Day in Europe' de Hannes Stoehr


Próxima sessão do Ciclo de Cinema Alemão Contemporâneo - Encontro de Culturas no Auditório da Biblioteca Muncipal de Fafe, dia 19, pelas 21h30.

Entrada livre.

15.10.10

Ciclo de Cinema Alemão Contemporâneo - Encontro de Culturas





Ciclo de Cinema Alemão Contemporâneo - Encontro de Culturas - Exibição do filme "Im Juli" de Fatih Akin, em parceira com o Goethe Institut e o Cineclube de Fafe (dia 15 às 21h,30) no âmbito das XI Jornadas de Cultura Alemã - 20 Anos de Estudos Alemães na Universidade do Minho.

O vasto programa contempla uma visita a Fafe com início no Museu das Migrações e das Comunidades, no próximo domingo, dia 24 pelas 17h.

Nos dias 25 e 26 de Outubro decorrerá na Biblioteca Lúcio Craveira da Silva, em Braga, o Colóquio internacional "Mnemo-Grafias Interculturais". A não perder. Mais informações em www.ilch.uminho.pt/dege

O filme "Im Juli" conta-nos a viagem de Daniel (Moris Bleibtreu) um professor novo e tímido de Hamburgo que decide seguir o que acha ser o seu destino. A aventura começa quando Daniel conhece Juli, uma vendedora de rua que lhe vende um anel que o levará ao verdadeiro amor. Daniel não imagina que o caminho será cheio de acontecimentos. Um delicioso road movie entre Hamburgo e Istambul.

Ficha Técnica
Título Original: Im Juli
País de Origem: Alemanha
Género: Aventura
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento: 2000
Direção: Fatih Akin


O Ciclo de Cinema Alemão Contemporâneo - Encontro de Culturas integra ainda 3 sessões a realizar no Auditório da Biblioteca Muncipal de Fafe, pelas 21h30

Dia 19 - One Day in Europe, de Hannes Stoehr

Dia 24 - Solino, de Farih Akin

Dia 26 - Grave Decisions, de Marcus H. Rosenmuller


Entrada livre.
Apoio da Câmara Municipal de Fafe.

13.10.10

Sessão - Documentário


Exibição do documentário "Ou Mun Ian, Macaenses" de Cheong Kin Man no Auditório da Biblioteca de Fafe no passado dia 6 de Outubro - duas agradáveis sessões com alunos de 4 turmas da Escola Profissional de Fafe e algum público não escolar que não quis deixar de assistir ao evento.

Como nos dizia um dos presentes no final da sessão:
- Gostei muito. Acho que é muito importante conhecer as ligações entre Portugal e Macau. Não sabia que Portugal está assim tão presente... E não é todos os dias que podemos estar à conversa com um jovem que nos apresenta assim outra realidade... tão empenhado na sua história, na identidade do seu país e nos seus antepassados. Pelo que ouvi um dos seus trabalhos anteriores alertou para património de Macau antiga e contribuiu para que não fosse destruído. De louvar.

Foram também abordadas questões de "identidade" na actual situação de Macau, agora que passaram 10 anos sobre a entrega da governação de Macau por Portugal para a governação administrativa pela República Popular da China. Macau foi administrada por Portugal durante mais de 400 anos.
Para os jovens presentes foi ainda uma oportunidade de aferir condições e metodologias de trabalho após a formação académica.
A Cheong Kin Man um bom regresso a Macau e até breve.

9.10.10

O Prisma das Muitas Cores



A editora Labirinto, com o apoio da Câmara Municipal de Fafe e do Museu das Migrações e das Comunidades Portuguesas, acabou de dar à estampa «O Prisma das Muitas Cores», uma antologia de poemas de amor oriundos de Portugal e do Brasil.

A edição contempla 135 poetas contemporâneos portugueses e brasileiros, num tributo à língua portuguesa e ao amor, com coordenação de Victor Oliveira Mateus. No prefácio da autoria de António Carlos Cortez, podemos ler “se a generalidade dos leitores não vai até à poesia, compete à poesia ir ter com os leitores, sem que isso signifique empobrecimento da própria linguagem poética”.

Lançamento dia 9 de Outubro, pelas 16 horas, na livraria Bulhosa em Lisboa.

8.10.10

O Museu no Congresso da AEMI em Bilbao



Entre os dias 29 de Setembro e 2 de Outubro, o Museu das Migrações e das Comunidades Portuguesas, de Fafe, esteve representado na conferência anual da Association of European Migration Institutions, onde estiveram reunidos representantes de museus e investigadores de universidades que trabalham no âmbito do estudo do fenómeno migratório, oriundos de vários continentes. A edição deste ano da Conferência centrou-se na temática de “MIGRATION STUDIES, INFORMATION AND COMMUNICATION TECHNOLOGIES”, e decorreu no Palácio de Congressos de Bilbao.

Durante o discurso de abertura dos trabalhos, Julian Celaya, representante do Governo Basco, explicando o trajecto feito até ao momento pelas autoridades Bascas, salientou a inspiração que o «Museu de Fafe constituiu para o estudo do fenómeno das migrações e para a constituição do novo Museu das Migrações de Bilbao e respectivo centro de investigação».

O Museu das Migrações e das Comunidades esteve presente no programa com a comunicação “Ontologies supporting Migration studies and Virtual Museums” pelo Prof. Pedro Rangel Henriques que apresentou o trabalho por si e pela sua equipa desenvolvido (Daniela da Cruz, Flávio Ferreira e Nuno Oliveira) com aplicação no âmbito dos museus virtuais. A importância desta solução informática foi também contextualizada no domínio da necessidade de comunicação entre o universo daqueles que trabalham a linguagem informática e aqueles que desempenham funções no âmbito da museologia pela Drª Isabel Alves.

O Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Fafe, Pompeu Martins, salientou a importância deste momento para a continuidade de um projecto que agrega em torno de si reconhecimento não só no país, mas também na comunidade internacional. «Saio desta conferência com uma grande motivação, assente em duas constatações: a de que a obra que o Dr. Miguel Monteiro nos deixou continua a ser recordada com grande respeito, assim como todo o mérito que lhe assiste na conceptualização de um Museu como o que temos e que continuaremos desenvolver, mas também pelo lugar que ocupamos no seio da Association of European Migration Institutions, graças ao trabalho que estamos a construir e que nos une aos melhores que na Europa e no mundo trabalham nesta área. Saímos desta conferência com mais compromissos, mas também com mais suporte e com maior influência no âmbito da cooperação internacional e isso constitui uma excelente notícia para Fafe e para sua afirmação no domínio da Cultura».

5.10.10

"Ou Mun Ian, Macaenses"


6 de Outubro
10h e 14h30
Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe
Entrada livre

CHEONG Kin Man é natural de Macau. É licenciado em Estudos Portugueses pela Universidade de Macau e coordenador de projectos do Studio Nilau, grupo que integra estudantes e profissionais de várias áreas que trabalham questões culturais de Macau.

Desenvolveu e apresentou vários projectos na área do documentário centrados na diversidade cultural e na identidade das populações de Macau pelos quais tem recebido vários prémios, apoios e bolsas, nomeadamente, pela Universidade de Macau, Fundação Macau e Fundação Oriente.

A convite do Instituto Internacional de Macau está a produzir o documentário em vídeo sobre Macau antiga, baseado na narração do académico Henrique Rodrigues de Senna Fernandes (falecido na 2ª feira, dia 4).

É também o produtor de “Pateo do Mungo” apresentado em Macau, São Paulo, Brasil e Lisboa, e de “As fontes da Água de Macau”, documentário apresentado em Macau, Cantão, Taichung (Taiwan), China e Lisboa.

Desde o ano de 2009 promove “Ou Mun Ian – Macaenses” já apresentado no Brasil, em Macau e Portugal. É realizado em vários pontos no mundo onde se encontra a diáspora macaense (Brasil, Canadá, Estados Unidos e Portugal) nos quais foram entrevistadas mais de uma centena de personalidades sob a forma de História Oral. Tem como consultor cultural o Doutor Jorge A. H. Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

Com os devidos créditos ao Museu do Oriente transcrevemos:

«O documentário resulta da observação e investigação do autor, feita a partir de 2008, e de uma série de entrevistas, documentos e imagens (mapas, fotografias e vídeos) tendentes a construir a identidade das gentes de Macau e dos filhos da terra, ou seja, os Ou Mun Ian (os primeiros) e os Tou Sang, ou macaenses luso-asiáticos. Daí, o subtítulo do trabalho: “Diferentes interpretações da identidade dos Ou Mun Ian, após a primeira década de Região Administrativa Especial de Macau”.

Um tema tão actual quanto ainda recentemente o jornal South China Morning Post alertava para a ameaça que paira sobre a comunidade macaense, “habitantes originais que estão em risco de se tornarem uma espécie ameaçada”. De facto, os macaenses, mais de 100 mil na década de 60, do século passada, são hoje cerca de um quinto desse número.»

O Museu das Migrações e das Comunidades numa organização conjunta com o Cineclube de Fafe integra o percurso deste documentário em Portugal, procurando dar a conhecer a identidade de Macau. Com a presença de CHEONG Kin Man.

Uma boa sessão.