3.11.11

Miguel Monteiro



Em memória de Miguel Monteiro, que permanecerá.


3.10.11

Arthur Napoleão

Iniciamos o mês de Outubro com as comemorações do Dia Mundial da Música, razão pela qual a rubrica "Documento do Mês" é dedicada ao compositor Arthur Napoleão.


Em exposição encontra-se a reprodução da partitura da sua peça para piano "Recordações de Fafe" (Souvenir de Fafe), dedicada ao Ex.mo Sr. Commendador Albino de Oliveira Guimarães, fafense que no século XIX emigrou para o Brasil e aqui também já lembrado devido à construção do Jardim do Calvário. Esta reprodução da partitura foi recentemente doada ao Museu pelo nosso Amigo do Museu das Migrações, comendador António Barros.

Breve biografia de Arthur Napoleão (Arthur Napoleão dos Santos):
"Pianista, professor e compositor, nasceu na cidade do Porto em 6/3/1843 e faleceu em 12/5/1925 no Rio de Janeiro.
Aos sete anos, deu seu primeiro concerto de piano, que obteve alguma repercussão no meio musical europeu.

Apresentou-se então em várias capitais do continente, tocando para a rainha Vitória, da Inglaterra, o rei da Prússia e Napoleão III, da França. Foi aplaudido por importantes compositores da época. Acompanhou ao piano dois famosos violinistas, Henri Vieuxtemps (1820—1881) e Henryk Wieniawsky (1835—1880).
Foi ao Brasil pela primeira vez em Agosto de 1857, apresentando-se em quatro concertos no Teatro Lírico Fluminense, no Rio de Janeiro. Compôs nessa ocasião uma polca-mazurca para piano intitulada Uma primeira impressão do Brasil.


Em Janeiro do ano seguinte tocou no Teatro São Pedro de Alcântara, e a 10 de Fevereiro realizou uma festa de despedida no Teatro Lírico Fluminense. Cinco anos depois iniciou uma tournée pela Europa e Américas.

Em 1866 transferiu-se definitivamente para o Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. Três anos depois fundou uma loja de instrumentos musicais, e no mesmo ano, em sociedade com Narciso José Pinto Braga, a loja Narciso & A. Napoleão, editora que durante um século teve o seu nome e um papel de destaque no estímulo à produção musical brasileira. Foi professor de piano, tendo entre seus alunos Chiquinha Gonzaga e João Nunes.


Escreveu estudos de técnicas pianísticas baseados nos exercícios de Johann Baptist Cramer (1771—1858), oficialmente adoptados pelo Conservatório de Música do Rio de Janeiro, editados pela Casa Schott, de Milão, Itália.


Dedicou-se também à composição, e em 1883 fundou, com o violinista cubano José White (1836-1918), a Sociedade de Concertos Clássicos, onde se apresentou diversas vezes como pianista."
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

26.9.11

Migrations History Matters - Annual Conference of the AEMI

The Annual Conference of the Association of European Migration Institutions (AEMI)
28. September – 2. October 2011
The Danish Emigration Archives - Aalborg, Denmark

MIGRATION HISTORY MATTERS
Over time migration history has thrown light upon the challenges that migrants have experienced faced with realities of a completely different culture in another country.
Since 1945 many of the European countries have experienced an increase in numbers of immigrants – job-seekers, exiles and refugees. The countries in the European Union have different attitudes towards immigration. Those having received people in relation to the colonial expansions are much more used to a cultural diversity whereas those with a more homogeneous population look upon the recent immigration as a huge challenge and are faced with numerous controversies among politicians, among private people and in the press.


Despite the difference in attitudes toward immigrants each country will meet a number of similar challenges, and many questions will arise. Immigration will cause problems for both the immigrants and the people already living in the area – clashes of culture, lack of jobs, language barriers, ethical and religious differences etc.
The European Union shares the challenges of migration. We also share the history of migration – the past as well as the present. Almost all European countries were influenced by the overseas emigration during the 19th and 20th centuries. How did our own compatriots cope with the immigration experience?


(...) Over the years many aspects of integration processes have been described and researched. Migrants are uprooted and during the transplantation to a new culture, they often feel alienated. Many feelings are involved. Migration is about minds and hearts of human being.


Aalborg 2011, Final program here.

14.9.11

Cônsul de França no Porto visitou Fafe

A Cônsul Geral de França no Porto, Aude de Amorim, esteve de visita oficial a alguns motivos de interesse cultural de Fafe, na terça-feira da semana passada, o que fez pela primeira vez, a seu pedido.

Recebida pelo Presidente da Câmara, José Ribeiro, nos Paços do Concelho e acompanhada do Vice Presidente, Antero Barbosa, a diplomata deteve-se numa visita ao Museu das Migrações e das Comunidades, principal interesse da sua deslocação, mostrando particular atenção pela documentação relativa à emigração para França.


De igual forma, visitou o Museu da Imprensa, inteirando-se do seu espólio. Finalmente, mostrou-se agradada com a recuperação do Teatro-Cinema de Fafe, ponto final da visita que culminou com um almoço.

Nascida em França e lusodescendente, Aude de Amorim é diplomada em ciências políticas e desenvolve atividade diplomática desde 1991, em postos como o Ministério dos Negócios
Estrangeiros, a Embaixada de França em Brasília, as Nações Unidas e o Banco Mundial, em Washington, estando desde agosto de 2010 como Cônsul Geral de França na cidade do Porto.


in Luso Jornal (Setembro 2011)

VIAGENS – memórias da emigração

No âmbito do ciclo de concertos: outros palcos – pequenos, mas grandes concertos, a Kairos – Produções Culturais, em parceria com o Município de Fafe e o Museu das Migrações e das Comunidades, apresenta, no próximo dia 22 de Setembro (5ª feira), pelas 21H30, no Museu das Migrações e das Comunidades e no Auditório da Casa Municipal de Cultura o concerto: VIAGENS – memórias da emigração.


Trata-se de uma viagem-concerto pelos caminhos da emigração, conduzida por elementos que marcaram a nossa história. A ponte sonora a esses lugares é o acordeão de Cristiano Martins e, em participação especial, a voz de Celina Tavares.


Bilhetes à venda no Posto de Turismo de Fafe (Praça 25 de Abril).
Mais informações em:
http://kairosproducoesculturais.blogspot.com

31.8.11

E as férias de Verão a terminar...

Os atelier de Verão no Museu.
Os workshops...
Com a artista plástica Délia de Carvalho.







24.8.11

Site do Museu

O site do Museu das Migrações e das Comunidades Portuguesas encontra-se temporariamente fora de serviço por razões técnicas. Pelo facto pedimos desculpa; em breve a plataforma estará novamente acessível.

17.8.11

Lançamento do livro "A Terra do Chiculate"



Como anunciado, decorreu no passado dia 12 no auditório da Biblioteca Municipal de Fafe o lançamento da obra A Terra do Chiculate – relatos da emigração portuguesa, de Isabel Mateus. Como previamente divulgado, a apresentação esteve a cargo de Nathalie Oliveira, autarca de Metz, França. A sessão contou ainda com a presença e participação de Maria da Conceição Tina Melhorado - “a menina da fotografia” do catálogo da exposição de Gérald Bloncourt “Por uma vida melhor” – e uma sala cheia, com um público que se deslocou de várias cidades do Minho para assistir ao lançamento.


Nathalie Oliveira, luso-descendente, apresentou a obra não só do ponto de vista literário, mas também num tom mais confessional, a sua perspectiva enquanto luso-descendente. Neste sentido, mostrou-se atenta e informada sobre o período da história recente do nosso país, sobretudo os anos 60 e 70, décadas nas quais se registou o maior número de saídas de emigrantes que partiram clandestinamente de Portugal para França. Referiu também a importância de conhecer a história individual, as circunstâncias em que pais e avós emigraram, para melhor entender o presente e sobretudo, compreender a própria identidade, orgulhosamente.




Maria da Conceição Tina Melhorado, a ‘menina da fotografia’, falou sobre este período, que foi vivido na clandestinidade, na sua maioria nos bidonvilles (bairros de lata) e que é ainda muito recente, necessitando portanto de algum distanciamento. Passados 50 anos, talvez tenha chegado o momento de olhar, de escrever sobre, para melhor compreender e respeitar aqueles que tudo arriscaram, inclusive a própria vida, em busca de melhores condições de vida. Curiosamente, estas partidas, tinham maioritariamente na sua origem, o sonho de dar uma vida melhor aos filhos. Tina Melhorado assume-se assim – como alguém que dá voz às crianças cujos pais arriscaram tudo para lhes proporcionar tudo. Hoje, vive em Coimbra e é docente do ensino secundário – tem duas filhas e um filho com partilhou a sua história, e a quem pode proporcionar tudo. Falou-nos das suas memórias, do quanto gosta de chocolate, principalmente negro, que associa à viagem clandestina para França, pois era-lhe dado pelo passador, para que não fizesse barulho e aguentasse a viagem.


Contou ainda a história da boneca, com a qual o Gérald Bloncourt a fotografou em St. Dennis em 1966, e que afinal foi a promessa cumprida, a prenda que a mãe lhe deu para que ela partisse sem dizer nada a ninguém, em particular ao vizinho, que era polícia. Uma partilha grandiosa da Tina Conceição, um momento que nos explica afinal algumas das perguntas e inquietações que ficaram da exposição de Gérald Bloncourt “Por uma vida melhor”.


Isabel Mateus agradeceu a todos aqueles que contribuiram para a edição e o lançamento do livro e falou então do seu trabalho literário que contém pessoas e histórias de um tempo e de lugares que importa trazer à luz, em especial porque unem percursos biográficos de mais do que uma geração, numa tentativa de compreensão mútua. No final da sessão vários foram ainda os contributos dos participantes, nomeadamente daqueles com histórias de vida em contexto de emigração. Foi discutido o papel dos passadores, figura controversa do ‘salto’ com diferentes níveis de acção em função das regiões onde actuavam – Bragança ou Fafe ou Guimarães, Viana do Castelo ou Melgaço, entre outras eram diferentes; a construção de Paris, as razões da partida, a ditadura e a Guerra colonial, entre outros testemunhos de cariz mais pessoal e intimista. Um belo serão que se prolongou pela noite dentro.
No final, Isabel Mateus deu ainda uma entrevista para o Canal TV, que tem realizado um grande trabalho de cobertura das actividades culturais da região – em divulgação agora também d’A Terra do Chiculate – relatos da emigração portuguesa.


Fotografias de Manuel Meira.

1.8.11

Gente do Salto

Na rúbrica "Documento do mês" apresentamos elementos sobre o trabalho do cineasta José Vieira, nomeadamente Gente do Salto, que reúne sete curtas-metragens sobre a emigração clandestina para França.

Partindo da sua experiência como emigrante e das memórias de muitos portugueses que partiram para França nos anos 60 “a salto”, José Vieira traça um retrato da história recente de Portugal.

No início dos anos sessenta, milhares de portugueses chegavam clandestinamente a França. Portugal vivia sob o domínio de uma ditadura obscurantista, isolado e atolado em guerras coloniais. Dezenas de milhares de homens e mulheres fugiam à pobreza, ao serviço militar e ao regime de Salazar, deixando ilegalmente o país. Depois de atravessar a fronteira francesa e espanhola, pondo a vida em risco, de barco, a pé através das montanhas ou escondidos em camiões, muitos chegavam à Gare d'Austerlitz, Paris, dos quais 9 em cada 10 estavam em situação irregular.

Estes documentários integram ainda testemunhos de emigrantes que regressaram à terra natal depois de uma longa ausência. É a História feita pelos homens e mulheres que partiram um dia para dar uma vida melhor aos filhos. Muitos portugueses revêem-se neste trabalho de José Vieira e os jovens da segunda e terceira geração descobrem agora a história, por vezes omitida, dos seus pais e avós.

13.7.11

A Terra do Chiculate

Lançamento do livro "A Terra do Chiculate - Relatos da Emigração Portuguesa" de Isabel Mateus, no próximo dia 12 de Agosto, pelas 21h30 no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe.

A obra será apresentada por Nathalie de Oliveira, autarca da Câmara Municipal de Metz (França) e contará com a presença e participação da professora Maria da Conceição Tina Melhorado - a menina da foto do catálogo da exposição "Por uma vida melhor" de Gérald Bloncourt - fotografada nos anos 60, e incluída na página 86 deste livro.

A Terra do Chiculate pretende retratar as vicissitudes da emigração portuguesa, maioritariamente clandestina, em França, a partir dos anos 60, e revelar as suas consequências positivas e negativas transportadas até ao presente, quer na pátria, quer no país de acolhimento.

Ao mostrar o difícil passado recente da emigração portuguesa, A Terra do Chiculate alerta, igualmente, para a vigência e a actualidade do tema da emigração clandestina neste início de século.

A obra divide-se em três partes e dá voz, através dos seus relatos, na primeira pessoa, aos seus “reais protagonistas”. Deste modo, os protagonistas do livro partilham com o leitor a sua realidade mais íntima que, em muitos casos, ainda não tinha sido exteriorizada, inclusive, no seio da própria família.

Na primeira parte, intitulada “Naufrágio”, a narração da criança, entregue aos cuidados da avó materna, com apenas 12 meses, centra-se nas suas memórias indeléveis da infância e da juventude, exprimindo, sobretudo, o modo como a ausência dos seus pais se reflecte, de forma nefasta, na sua vida. Aliás, a sua experiência individual remete a temática para um panorama mais vasto, pois a sua situação vai ao encontro da mesma realidade familiar e social de tantas outras crianças e jovens do Portugal rural, principalmente do Norte e Interior do país, durante a época da Ditadura.

A segunda parte, “Viagem(ns)”, trata dos percursos de vida daqueles que deram “o salto”, isto é, dos seus sucessos e infortúnios provenientes desta epopeia da era moderna. Entre outras, aqui perpassam as histórias do passador, da criança e dos jovens arrancados à terra de origem, bem como as referentes aos homens e às mulheres e aos seus muitos trabalhos que passaram para se adaptarem ao novo país, à língua e à cultura.
No presente, “os protagonistas” mais idosos desta efeméride deparam-se com outro tipo de problemas: surge o dilema do regresso para Portugal ou da sua permanência em França ou, então, a opção pelo contínuo vaivém entre os dois países, até que as suas forças físicas e psicológicas o permitam.
Quanto às várias gerações de luso-descendentes, debatem-se pela procura e pela afirmação da sua identidade portuguesa, resolvendo deste modo o conflito, por vezes existente, entre o desequilíbrio da influência das culturas francesa e lusa.

A última parte da obra resulta das impressões de viagem do narrador adulto em peregrinação pelos espaços da diáspora dos primeiros emigrantes portugueses, onde se incluem os seus próprios pais, os seus familiares e os seus amigos. A partir daqui, pretende-se que as suas reflexões e considerações elucidem o leitor acerca deste período da emigração ainda mal conhecida por muitos e, até então, com aspectos por desmistificar.

Podemos concluir que nestes relatos as vozes do Passado e do Presente se fundem e se confrontam, tendo o objectivo primordial de dar continuidade ao seu legado da portugalidade no país de acolhimento, ao mesmo tempo que se reafirma a mesma intenção em relação ao território português.

21.6.11

Férias no Museu

Fotos de João Artur Pinto

Já a partir do próximo dia 4 de Julho os Museus do Município de Fafe propõem uma programação a pensar naqueles que já se encontram em férias. Pode desde já programar um dia diferente... no Museu.

Em Julho, pela manhã...

Café da manhã e…. Venha ao Museu!
Visita temática programada para todos os espaços museológicos do Munícipio.

Com o objectivo de promover hábitos culturais e o enriquecimento dos tempos livres, é proposta a apresentação de um objecto ou de um facto sobre o fenómeno da emigração, no Museu das Migrações e das Comunidades, assim como, do mundo automóvel no Museu do Automóvel, da chegada da luz eléctrica no Museu Hidroeléctrico de Santa Rita ou da imprensa do século XIX no Museu da Imprensa.
Estas visitas temáticas decorrem pela manhã e ao fim-de-semana durante os meses de Junho e Julho (ou em outras datas se solicitadas) e contribuirão para a melhoria da qualidade de vida das famílias e da comunidade, através do estímulo intelectual, da sensibilização para a nossa História e da promoção de novos interesses a nível social e cultural.
Apresentação de um objecto por semana. Actividade de curta duração direcionada para o público em geral, grupos organizados e grupos sénior. Duração: 20 a 30 minutos. Marcação prévia. Visita Especial de Fim-de-semana.

E para o mês de Julho preparamos també Oficinas especiais para os mais novos que podem trazer os pais :)


Exploradores no Museu
Visita orientada seguida de actividade de exploração lúdico-pedagógica das peças dos Museus a realizar em todos os espaços museológicos do Município.
Duração: Sessão de 90 minutos.

Carro meu, carro meu
Oficina de férias no Museu do Automóvel
Visita orientada para a observação dos diferentes automóveis com recurso à história das suas marcas. A visita é prolongada com oficina de expressão plástica na qual os jovens expressam plasticamente as impressões e preferências da visita. Produção de um mural de papel.


Famílias e Público escolar (1º, 2ºe 3º ciclos).
Duração: Sessão de 120 minutos.

Vamos fazer um selo
Oficina de Férias –
Museu da Imprensa
Oficina de criação e composição (manual com tipos móveis e gravura) e impressão gráfica de um selo de época - Séculos XIX e século XX.
Exposição final em painel com selos realizados. Famílias e Público escolar (1º, 2º e 3.º ciclos).
Duração: Sessão 120 minutos.



Uma peça, duas peças... E fez-se luz!
Oficina de Férias –
Museu Hidroeléctrico de Santa Rita
Visita orientada seguida de actividade lúdico-didáctica na qual é proposta a descoberta e construção em grupo de um puzzle “luminoso”.
Famílias e Público escolar (1º, 2º e 3.º ciclos).
Duração: Sessão de 90 minutos.

As oficinas estão sujeitas a marcação prévia e número limite de participantes.

E boas férias... no Museu!

16.6.11

Eustáquio Sequeira Mendes

Fotografia de Manuel Meira


A rubrica "Documento do mês" é dedicado à figura de Eustáquio Sequeira Mendes com destaque para a fábrica da qual foi proprietário.
Eustáquio Sequeira Mendes - “Brasileiro de torna-Viagem” casado com Arminda da Rocha Mendes, foi fundador proprietário e sócio gerente da Fábrica Fafense de Gazosas, Refrigerantes e Laranjadas “Santo Ovídio” (1918), da firma Arminda da Rocha Mendes & C.ª.



Panfleto publicitário da Fábrica.

Na imprensa local da época encontramos os anúncios publicitários que então anunciavam a émpresa. Reproduzimos o texto que foi publicado no "Almanaque Ilustrado de Fafe" de 1919, p. 61, acompanhado da fotografia do seu fundador.



Fábrica Fafense de Gazosas, Refrigerantes e Laranjadas “Santo Ovídio” (c. 1918), de Arminda da Rocha Mendes & C.ª. – Fafe

Eustáquio Sequeira Mendes
sócio e gerente da fábrica

- EXPORTA-SE PARA TODO O PAÍS -
Grandes descontos para revendedores
SÃO OS MELHORES REFRIGERANTES

Nesta bem montada fábrica, existe o mais escrupuloso aceio e limpesa, todos os preceitos higiénicos. Executa qualquer encomenda com prontidão.



Eustáquio Sequeira Mendes construiu em 1921 uma casa de dimensões significativas no mais puro estilo Arte Nova, só comparável nas dimensões às que se tinham construído nos finais do séc. XIX. Possuía uma decoração muito naturalista, quer nos azulejos florais de cores esbatidas, quer nas varandas muito simples em ferro forjado com estilizações naturalistas, numa estrutura vertical marcada pelas linhas verticais em cantaria. Esta casa estava localizada na actual Rua Major Miguel Ferreira e foi, em Fafe, a última das construções do “brasileiro”, fechando o ciclo de prosperidades e da importação de capitais do Brasil.” Foi demolida em 1983. Bibliografia: Miguel Monteiro, “Fafe dos Brasileiros (1860-1930) – Perspectiva histórica e patrimonial”.

17.5.11

Dia Internacional dos Museus - Museu e Memória

O Município de Fafe através dos seus Museus vai integrar as comemorações do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio) que se realizam um pouco por todo o mundo. No ano de 2010, o Dia Internacional de Museus obteve uma participação recorde com a adesão de quase 30 mil museus em mais de 95 países.


O Dia Internacional dos Museus é celebrado no dia 18 de Maio desde o ano de 1977, por proposta do ICOM – International Council of Museums (Conselho Internacional de Museus) e todos os anos estas celebrações abordam internacionalmente um tema diferente. Este ano as actividades são dedicadas ao tema “Museu e Memória”. De acordo com o ICOM, “os museus armazenam memória e contam histórias, tendo inúmeros objectos em suas colecções que são referência para a memória das comunidades. A celebração do Dia Internacional de Museus 2011 propiciará aos visitantes a oportunidade de descobrir e redescobrir a memória individual e colectiva.”

Neste âmbito é promovida uma visita temática guiada ao centro histórico da cidade intitulada “Esta é a minha Villa”, para explorar a pé alguns aspectos mais importantes do património histórico da cidade, outrora Villa de Fafe, através de testemunhos de uma memória quase perdida – as casas, os nomes e ruas de outro tempo. A chegada da luz eléctrica à Villa, a primeira frota de táxis e os primeiros automóveis, a presença do rei D. Carlos antes do regicídio e os jardins de séculos passados. O percurso inclui a alusão a factos, personalidades, objectos e documentos que se encontram nos museus do Município - Museu do Automóvel, Museu Hidroeléctrico de Santa Rita, Museu da Imprensa e Museu das Migrações e das Comunidades - despertando deste modo o interesse para a História e sensibilizando para a Memória que os objectos preservam e da importância de a conhecer, partilhar e preservar.

Toda a comunidade, as associações locais e escolas são convidadas a participar neste espaço de partilha e de construção da memória histórica. A visita guiada é dirigida a todos os públicos. Será efectuada uma visita pela manhã, às 10 horas e outra da parte da tarde, pelas 16horas, a iniciar no Edifício da Casa Municipal de Cultura.

Os objectos contam a nossa história. Venha ao museu, celebre connosco o Dia Internacional dos Museus e usufrua do património que também é seu!

Mnemo-Grafias Interculturais

Fotografias de Manuel Meira


No passado dia 10 de Maio Fafe recebeu um grupo de trabalho internacional composto de estudantes alemães, italianos e portugueses da Universität Hamburg, da Università di Salerno e da Universidade do Minho - e os respectivos docentes e representantes daquelas Universidades - Dr.ª Sofia Unkart (Hamburgo), Prof.ª Nicoletta Gagliardi (Salerno) e Prof.º Mário Matos (Uminho, Portugal).
A tarde iniciou com a realização de uma visita ao Museu das Migrações e das Comunidades através da qual foi possível traçar linhas comparativas entre a realidade e representações dos diferentes países. Esta visita realizou-se no âmbito do programa das XII Jornadas de Cultura Alemã do Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho e incluiu no amplo programa, apresentações de trabalhos realizados por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais".



Neste âmbito o grupo de trabalho foi posteriormente recebido no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe pelo vereador da Cultura da Câmara Municipal de Fafe, Dr. Pompeu Martins, seguindo-se as duas apresentações de trabalhos realizados em português pelos alunos que, na Alemanha, estudam a língua e a cultura portuguesa. Os dois trabalhos foram subordinados ao tema “Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo”, centrados nas representações interculturais e nos fenómenos migratórios.
O primeiro centrou-se na história do actual navio museu Rickmer Rickmers, um veleiro construído nos estaleiros Rickmers Werft em Bremerhaven, na Alemanha e pela primeira vez lançado à água em 1896. Em 1912 o navio foi vendido ao armador de Hamburgo, Carl Christian Krabbenhöf, sendo rebaptizado Max.
A sua história está fortemente ligada a Portugal. Aquando da 1ª Guerra Mundial, em 1916 o Governo de Portugal havia decretado o aprisionamento dos navios alemães e austro-húngaros ancorados nos portos portugueses. O Max que se então se encontrava atracado no porto da Horta, foi aprisionado, serviu os ingleses e posteriormente (1924) redenominado Sagres vindo a ser utilizado como navio-escola da Marinha Portuguesa, entre 1927 e 1962. Foi posteriormente adquirido pela associação alemã Windjammer für Hamburg e restaurado para ir ancorar finalmente no porto de Hamburgo como navio museu Rickmer Rickmers. De seguida foi feita a apresentação do porto de Hamburgo - Landungsbrücken - e do Bairro Português onde ainda hoje existe bem visível e activa a presença dos portugueses, em particular através do comércio e da gastronomia (ex.: os restaurantes portugueses, o “galão” e os pastéis de nata).
Recuando ao século XVII foi de seguida apresentado o tema “A Jerusalém do Norte: nos trilhos da imigração portuguesa em Hamburgo” no qual foram apresentados aspectos históricos e culturais da imigração portuguesa e a herança portuguesa em Hamburgo.


As razões da escolha de Hamburgo pelos portugueses que, então, eram maioritariamente judeus sefarditas – em 1652 viviam em Hamburgo 1200 portugueses – sobretudo uma classe de aristocratas comerciantes, banqueiros ou médicos e cuja partida tem na origem em particular as perseguições de que foram alvo pela Inquisição.
Foi ainda apresentado o cemitério Judeu de Altona, o mais antigo do norte da Europa e aguarda o reconhecimento de Património Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Este espaço da comunidade judia de Altona remonta ao século XVI mas esteve encerrado desde o século XIX. Nos anos 1960 foi alvo de obras de restauro e conservação – das 8000 lápides 6000 foram conservadas. O cemitério está dividido sendo que numa parte se encontram sobretudo os túmulos dos sefaradi (judeus ibéricos) portugueses, com lápides ricamente ornamentadas e inscrições lusitanas; na outra parte estão os asquenazes ou asquenazitas - judeus provenientes da Europa Central e Europa Oriental - cujos túmulos têm estelas na vertical com inscrições em hebraico. (O termo asquenaze provém do termo do hebraico medieval para a Alemanha, chamada Ashkenaz - אשכנז).

Entre os túmulos, encontram-se os nomes de Frommet Mendelsohn, a mulher do filósofo Moisés Mendelsohn, e a avó do compositor nascido em Hamburgo, Felix Mendelsohn Bartholdy; também o do pai do escritor Heinrich Heine, Samson Heine.

Nesta bela tarde vieram até nós outros aspectos da emigração portuguesa - Hamburgo desde o século XVII.
Outra época, outras razões. Outros actores, outras representações.

10.5.11

Liberdade de Imprensa

Fotografia Manuel Meira

A rubrica "O documento do mês" é dedicado à Liberdade de Imprensa, assinalada em particular, no passado dia 3 de Maio. Destacamos exemplares do acervo documental do Núcleo/Museu de Imprensa do jornal "O Desforço", vistos pela Comissão de Censura e correspondêndia trocada entre a Direcção dos Serviços de Censura e a Directora daquele jornal, Isaura Lusitana Pintos Bastos, na década de 1960.


Apresentamos de seguida uma breve visão histórica sobre o percurso da Liberdade na Imprensa.
"O exercício do direito de liberdade de imprensa foi objecto de uma Lei do Ministério da Justiça, publicada em 28 de Outubro de 1910. O referido diploma advogava a livre circulação das publicações, sem qualquer caução, censura ou autorização prévia, embora determinasse os limites dessa mesma liberdade de imprensa.

A partir do 28 de Maio de 1926 a imprensa começou a sentir o efeito da censura prévia, mesmo antes da legalização desta, em 1933. Visava todas as publicações periódicas, folhas volantes, folhetos e cartazes que tratassem de assuntos políticos e sociais.

O exercício da censura estava a cargo das Comissões de Censura, de nomeação governamental, subordinadas ao Gabinete do Ministro do Interior, por intermédio da Comissão de Censura de Lisboa. Esta Comissão teve como sucessoras, ainda em 1933, a Direcção Geral dos Serviços de Censura, e em 1935, a Direcção dos Serviços de Censura.

Com o alargamento das suas competências em 1936, a Direcção dos Serviços de Censura passou a intervir na fundação, circulação, distribuição e venda de publicações, nomeadamente estrangeiras, que contivessem matérias cuja divulgação não fosse permitida em publicações portuguesas.

A Direcção dos Serviços de Censura superintendia os Núcleos Regionais de Lisboa, Porto e Coimbra, dos quais por sua vez dependiam as Delegações espalhadas por todo o país.

Em 1940, foi criado, na Presidência do Conselho de Ministros, um Gabinete de Coordenação dos Serviços de Propaganda e Informação, presidido pelo próprio Presidente do Conselho, que integrava os responsáveis do Secretariado da Propaganda Nacional, da Direcção dos Serviços de Censura e da Comissão Administrativa da Emissora Nacional de Radiodifusão. Competia ao Gabinete de Coordenação dos Serviços de Propaganda e Informação coordenar as actividades de propaganda e informação dos diversos serviços públicos e assegurar a execução das directrizes governamentais relativas a essas matérias.

A Direcção dos Serviços de Censura foi mantida sob a tutela do Ministério do Interior até 1944, data a partir da qual o Secretariado Nacional de Informação passou a concentrar não só as funções do órgão que exercia a censura, mas também todas as competências do Secretariado de Propaganda Nacional e dos serviços de turismo.

Em 1972 a Direcção dos Serviços de Censura foi transformada numa Direcção Geral da Informação e a "censura" recebeu a designação de "exame prévio". in Portal Português de Arquivos

3.5.11

Viagens virtuais pelos lugares de memória

O programa das XII Jornadas de Cultura Alemã do Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho inclui no amplo programa, apresentações de trabalhos realizados por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais".

O Programa Intensivo - "Mnemo-Grafia Intercultural - Portugal, Itália e Alemanha em representações transmediais desde o século XIX" é uma iniciativa do Departamento de Estudos Germanísticos da Universidade do Minho e teve desde as primeiras diligências uma aceitação genérica por parte das universidades de Salerno e Hamburgo.

"A ideia subjacente ao programa é que toda a representação intercultural é – à semelhança da construção de «lugares de memória» nacionais – passível de ser entendida como um complexo processo semiótico, cujos multifacetados mecanismos e modos de funcionamento devem ser analisados numa perspectiva transcultural e transmedial."

O objecto de estudo definido são as "representações interculturais dos três países participantes deste projecto não só nos tradicionais média impressos (literatura, guias turísticos, etc.) como nos novos média audiovisuais e digitais (filme, internet), dando-se assim conta da crescente complexidade dos contactos entre culturas na era da hipermobilidade (turismo de massas) e da hipermedialidade.” in http://www2.ilch.uminho.pt/deg/

Neste âmbito o Município de Fafe vai receber no próximo dia 10 de Maio após visita ao Museu das Migrações e das Comunidades, pelas 16h, no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe duas “Viagens Virtuais” pelos espaços de memória:

- Os Lugares de Memória de Salerno e de Hamburgo

- Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo

Com a presença do grupo de trabalho internacional composto de professores e estudantes alemães, italianos e portugueses da Universität Hamburg, da Università di Salerno e da Universidade do Minho.
Entrada livre.

XII Jornadas de Cultura Alemã


O Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos (DEGE) do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) da Universidade do Minho organiza as XII Jornadas de Cultura Alemã. De 26 de Abril a 9 de Maio apresentam um amplo conjunto de actividades, como palestras, viagens virtuais, apresentações por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais", cinema e uma exposição de fotografia.

O Museu das Migrações e das Comunidades integra este programa - no dia 10 de Maio, após visita ao Museu, pelas 16h no Auditório da Biblioteca de Fafe serão feitas apresentações por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais":


- Os Lugares de Memória de Salerno e de Hamburgo e Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo.

O programa completo integra várias cidades e várias expressões:

Palestras
2 de Maio, das 14h-17h; 3, 4, 6, 9, 11 de Maio, das 9h30-13h Auditório do ILCH, Braga
- Relações Interculturais e Representações Transmediais (Alemanha - Itália - Portugal)
Por professores e investigadores da Universität Hamburg, da Università di Salerno e da Universidade do Minho

Viagens virtuais
4, 9 de Maio: 14h30 Auditório do ILCH, Braga
10 de Maio, 16h Museu da Migração e das Comunidades & Biblioteca de Fafe
- Apresentações por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais"
Os Lugares de Memória de Salerno e de Hamburgo
Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo
Cinema
Auditório do ILCH, Braga
- "Dans la ville blanche" (1983, Alain Tanner) - 6 de Maio, 18h
- "Go Trabi go" (1990, Uwe Timm) - 9 de Maio, 16h
- "Germania - Anno Zero" (1947, Roberto Rosselini) - 12 de Maio, 18h

Fotografia
Póvoa de Varzim
- Exposição itinerante "Ortszeit / Hora local"
Paisagens do Leste Alemão, antes e depois da reunificação
EB 2/3 Aver-O-Mar - 26 de Abril
Escola Secundária Rocha Peixoto - 13 de Maio

Convívio
4 de Maio, 21h30 Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, Braga
- PETRA-Deutsch-Stammtisch / Tertúlia Luso-Alemã
- Lançamento do nº 21 da revista Einfall
- Abertura de Ciclo do BabeliUM: «Cidades com Línguas: Hamburgo»

Mais informações em http://www.ilch.uminho.pt/

Contamos com a sua presença.

«Ser Português Hoje»


Numa organização dos alunos do Mestrado em Ciências da Cultura da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), vai ter lugar, na Aula Magna da Universidade, na terça-feira (dia 3 de Maio) o Seminário "Ser Português Hoje", com a presença de oradores conceituados no mundo académico e literário.
Com início marcado para as 10 horas, o evento conta com as intervenções de Miguel Real (“Constantes da cultura portuguesa”), Cândido Oliveira Martins (“Pensar Portugal na ficção portuguesa actual”), Jorge Laiginhas (“Ser Português hoje como ontem… com humor afiado”) e Fernando Moreira (“Em que nos tornámos”). Haverá também uma exposição de fotografia - "O Sonho Português" com a colaboração do Museu das Migrações e das Comunidades e um momento musical. A entrada é livre para todos os interessados.
"Ser Português Hoje" é um tema actual, recorrente nos discursos do nosso dia-a-dia, e, por isso, sempre aliciante. Neste sentido, este seminário ambiciona ser um exercício de reflexão individual e colectiva, pretendendo, desse modo, contribuir para uma melhor definição da identidade cultural portuguesa.

Sérgio Godinho no Museu



Fotografia de Manuel Meira

O artista convidado para o espectáculo do mês de Abril dos "Concertos Íntimos" - concertos agendados pelo Município de Fafe com um cariz intimista e que incluem antes dos concertos um momento de conversa partilhada entre o artista e o público - foi o poeta, compositor e intérprete Sérgio Godinho.

Nesta sua presença em Fafe visitou a cidade e esteve no Museu das Migrações, ele que aos 18 anos partiu para a Suíça e depois para França onde viveu o Maio de 68. Aí privou com Luís Cilia, autor da banda sonora do filme "O Salto" de Christian de Chalonge, cujas bobines integram a colecção do Museu.

Mais tarde muda-se para o Canadá só regressando a Portugal após o 25 de Abril de 1974. Também uma história em busca de melhores condições de vida. De Liberdade.

Na noite do dia 16 de Abril brilhou num belo espectáculo na emblemática sala do Teatro-Cinema.

Dia da Comunidade Luso Brasileira




Momentos da exposição “Portugal-Brasil: Paisagens brasilianas e Fafenses Brasileiros de Torna-Viagem”.

A visitar até ao dia 13 de Maio.