17.5.11

Mnemo-Grafias Interculturais

Fotografias de Manuel Meira


No passado dia 10 de Maio Fafe recebeu um grupo de trabalho internacional composto de estudantes alemães, italianos e portugueses da Universität Hamburg, da Università di Salerno e da Universidade do Minho - e os respectivos docentes e representantes daquelas Universidades - Dr.ª Sofia Unkart (Hamburgo), Prof.ª Nicoletta Gagliardi (Salerno) e Prof.º Mário Matos (Uminho, Portugal).
A tarde iniciou com a realização de uma visita ao Museu das Migrações e das Comunidades através da qual foi possível traçar linhas comparativas entre a realidade e representações dos diferentes países. Esta visita realizou-se no âmbito do programa das XII Jornadas de Cultura Alemã do Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho e incluiu no amplo programa, apresentações de trabalhos realizados por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais".



Neste âmbito o grupo de trabalho foi posteriormente recebido no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe pelo vereador da Cultura da Câmara Municipal de Fafe, Dr. Pompeu Martins, seguindo-se as duas apresentações de trabalhos realizados em português pelos alunos que, na Alemanha, estudam a língua e a cultura portuguesa. Os dois trabalhos foram subordinados ao tema “Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo”, centrados nas representações interculturais e nos fenómenos migratórios.
O primeiro centrou-se na história do actual navio museu Rickmer Rickmers, um veleiro construído nos estaleiros Rickmers Werft em Bremerhaven, na Alemanha e pela primeira vez lançado à água em 1896. Em 1912 o navio foi vendido ao armador de Hamburgo, Carl Christian Krabbenhöf, sendo rebaptizado Max.
A sua história está fortemente ligada a Portugal. Aquando da 1ª Guerra Mundial, em 1916 o Governo de Portugal havia decretado o aprisionamento dos navios alemães e austro-húngaros ancorados nos portos portugueses. O Max que se então se encontrava atracado no porto da Horta, foi aprisionado, serviu os ingleses e posteriormente (1924) redenominado Sagres vindo a ser utilizado como navio-escola da Marinha Portuguesa, entre 1927 e 1962. Foi posteriormente adquirido pela associação alemã Windjammer für Hamburg e restaurado para ir ancorar finalmente no porto de Hamburgo como navio museu Rickmer Rickmers. De seguida foi feita a apresentação do porto de Hamburgo - Landungsbrücken - e do Bairro Português onde ainda hoje existe bem visível e activa a presença dos portugueses, em particular através do comércio e da gastronomia (ex.: os restaurantes portugueses, o “galão” e os pastéis de nata).
Recuando ao século XVII foi de seguida apresentado o tema “A Jerusalém do Norte: nos trilhos da imigração portuguesa em Hamburgo” no qual foram apresentados aspectos históricos e culturais da imigração portuguesa e a herança portuguesa em Hamburgo.


As razões da escolha de Hamburgo pelos portugueses que, então, eram maioritariamente judeus sefarditas – em 1652 viviam em Hamburgo 1200 portugueses – sobretudo uma classe de aristocratas comerciantes, banqueiros ou médicos e cuja partida tem na origem em particular as perseguições de que foram alvo pela Inquisição.
Foi ainda apresentado o cemitério Judeu de Altona, o mais antigo do norte da Europa e aguarda o reconhecimento de Património Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Este espaço da comunidade judia de Altona remonta ao século XVI mas esteve encerrado desde o século XIX. Nos anos 1960 foi alvo de obras de restauro e conservação – das 8000 lápides 6000 foram conservadas. O cemitério está dividido sendo que numa parte se encontram sobretudo os túmulos dos sefaradi (judeus ibéricos) portugueses, com lápides ricamente ornamentadas e inscrições lusitanas; na outra parte estão os asquenazes ou asquenazitas - judeus provenientes da Europa Central e Europa Oriental - cujos túmulos têm estelas na vertical com inscrições em hebraico. (O termo asquenaze provém do termo do hebraico medieval para a Alemanha, chamada Ashkenaz - אשכנז).

Entre os túmulos, encontram-se os nomes de Frommet Mendelsohn, a mulher do filósofo Moisés Mendelsohn, e a avó do compositor nascido em Hamburgo, Felix Mendelsohn Bartholdy; também o do pai do escritor Heinrich Heine, Samson Heine.

Nesta bela tarde vieram até nós outros aspectos da emigração portuguesa - Hamburgo desde o século XVII.
Outra época, outras razões. Outros actores, outras representações.

10.5.11

Liberdade de Imprensa

Fotografia Manuel Meira

A rubrica "O documento do mês" é dedicado à Liberdade de Imprensa, assinalada em particular, no passado dia 3 de Maio. Destacamos exemplares do acervo documental do Núcleo/Museu de Imprensa do jornal "O Desforço", vistos pela Comissão de Censura e correspondêndia trocada entre a Direcção dos Serviços de Censura e a Directora daquele jornal, Isaura Lusitana Pintos Bastos, na década de 1960.


Apresentamos de seguida uma breve visão histórica sobre o percurso da Liberdade na Imprensa.
"O exercício do direito de liberdade de imprensa foi objecto de uma Lei do Ministério da Justiça, publicada em 28 de Outubro de 1910. O referido diploma advogava a livre circulação das publicações, sem qualquer caução, censura ou autorização prévia, embora determinasse os limites dessa mesma liberdade de imprensa.

A partir do 28 de Maio de 1926 a imprensa começou a sentir o efeito da censura prévia, mesmo antes da legalização desta, em 1933. Visava todas as publicações periódicas, folhas volantes, folhetos e cartazes que tratassem de assuntos políticos e sociais.

O exercício da censura estava a cargo das Comissões de Censura, de nomeação governamental, subordinadas ao Gabinete do Ministro do Interior, por intermédio da Comissão de Censura de Lisboa. Esta Comissão teve como sucessoras, ainda em 1933, a Direcção Geral dos Serviços de Censura, e em 1935, a Direcção dos Serviços de Censura.

Com o alargamento das suas competências em 1936, a Direcção dos Serviços de Censura passou a intervir na fundação, circulação, distribuição e venda de publicações, nomeadamente estrangeiras, que contivessem matérias cuja divulgação não fosse permitida em publicações portuguesas.

A Direcção dos Serviços de Censura superintendia os Núcleos Regionais de Lisboa, Porto e Coimbra, dos quais por sua vez dependiam as Delegações espalhadas por todo o país.

Em 1940, foi criado, na Presidência do Conselho de Ministros, um Gabinete de Coordenação dos Serviços de Propaganda e Informação, presidido pelo próprio Presidente do Conselho, que integrava os responsáveis do Secretariado da Propaganda Nacional, da Direcção dos Serviços de Censura e da Comissão Administrativa da Emissora Nacional de Radiodifusão. Competia ao Gabinete de Coordenação dos Serviços de Propaganda e Informação coordenar as actividades de propaganda e informação dos diversos serviços públicos e assegurar a execução das directrizes governamentais relativas a essas matérias.

A Direcção dos Serviços de Censura foi mantida sob a tutela do Ministério do Interior até 1944, data a partir da qual o Secretariado Nacional de Informação passou a concentrar não só as funções do órgão que exercia a censura, mas também todas as competências do Secretariado de Propaganda Nacional e dos serviços de turismo.

Em 1972 a Direcção dos Serviços de Censura foi transformada numa Direcção Geral da Informação e a "censura" recebeu a designação de "exame prévio". in Portal Português de Arquivos

3.5.11

Viagens virtuais pelos lugares de memória

O programa das XII Jornadas de Cultura Alemã do Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho inclui no amplo programa, apresentações de trabalhos realizados por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais".

O Programa Intensivo - "Mnemo-Grafia Intercultural - Portugal, Itália e Alemanha em representações transmediais desde o século XIX" é uma iniciativa do Departamento de Estudos Germanísticos da Universidade do Minho e teve desde as primeiras diligências uma aceitação genérica por parte das universidades de Salerno e Hamburgo.

"A ideia subjacente ao programa é que toda a representação intercultural é – à semelhança da construção de «lugares de memória» nacionais – passível de ser entendida como um complexo processo semiótico, cujos multifacetados mecanismos e modos de funcionamento devem ser analisados numa perspectiva transcultural e transmedial."

O objecto de estudo definido são as "representações interculturais dos três países participantes deste projecto não só nos tradicionais média impressos (literatura, guias turísticos, etc.) como nos novos média audiovisuais e digitais (filme, internet), dando-se assim conta da crescente complexidade dos contactos entre culturas na era da hipermobilidade (turismo de massas) e da hipermedialidade.” in http://www2.ilch.uminho.pt/deg/

Neste âmbito o Município de Fafe vai receber no próximo dia 10 de Maio após visita ao Museu das Migrações e das Comunidades, pelas 16h, no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe duas “Viagens Virtuais” pelos espaços de memória:

- Os Lugares de Memória de Salerno e de Hamburgo

- Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo

Com a presença do grupo de trabalho internacional composto de professores e estudantes alemães, italianos e portugueses da Universität Hamburg, da Università di Salerno e da Universidade do Minho.
Entrada livre.

XII Jornadas de Cultura Alemã


O Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos (DEGE) do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) da Universidade do Minho organiza as XII Jornadas de Cultura Alemã. De 26 de Abril a 9 de Maio apresentam um amplo conjunto de actividades, como palestras, viagens virtuais, apresentações por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais", cinema e uma exposição de fotografia.

O Museu das Migrações e das Comunidades integra este programa - no dia 10 de Maio, após visita ao Museu, pelas 16h no Auditório da Biblioteca de Fafe serão feitas apresentações por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais":


- Os Lugares de Memória de Salerno e de Hamburgo e Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo.

O programa completo integra várias cidades e várias expressões:

Palestras
2 de Maio, das 14h-17h; 3, 4, 6, 9, 11 de Maio, das 9h30-13h Auditório do ILCH, Braga
- Relações Interculturais e Representações Transmediais (Alemanha - Itália - Portugal)
Por professores e investigadores da Universität Hamburg, da Università di Salerno e da Universidade do Minho

Viagens virtuais
4, 9 de Maio: 14h30 Auditório do ILCH, Braga
10 de Maio, 16h Museu da Migração e das Comunidades & Biblioteca de Fafe
- Apresentações por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais"
Os Lugares de Memória de Salerno e de Hamburgo
Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo
Cinema
Auditório do ILCH, Braga
- "Dans la ville blanche" (1983, Alain Tanner) - 6 de Maio, 18h
- "Go Trabi go" (1990, Uwe Timm) - 9 de Maio, 16h
- "Germania - Anno Zero" (1947, Roberto Rosselini) - 12 de Maio, 18h

Fotografia
Póvoa de Varzim
- Exposição itinerante "Ortszeit / Hora local"
Paisagens do Leste Alemão, antes e depois da reunificação
EB 2/3 Aver-O-Mar - 26 de Abril
Escola Secundária Rocha Peixoto - 13 de Maio

Convívio
4 de Maio, 21h30 Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, Braga
- PETRA-Deutsch-Stammtisch / Tertúlia Luso-Alemã
- Lançamento do nº 21 da revista Einfall
- Abertura de Ciclo do BabeliUM: «Cidades com Línguas: Hamburgo»

Mais informações em http://www.ilch.uminho.pt/

Contamos com a sua presença.

«Ser Português Hoje»


Numa organização dos alunos do Mestrado em Ciências da Cultura da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), vai ter lugar, na Aula Magna da Universidade, na terça-feira (dia 3 de Maio) o Seminário "Ser Português Hoje", com a presença de oradores conceituados no mundo académico e literário.
Com início marcado para as 10 horas, o evento conta com as intervenções de Miguel Real (“Constantes da cultura portuguesa”), Cândido Oliveira Martins (“Pensar Portugal na ficção portuguesa actual”), Jorge Laiginhas (“Ser Português hoje como ontem… com humor afiado”) e Fernando Moreira (“Em que nos tornámos”). Haverá também uma exposição de fotografia - "O Sonho Português" com a colaboração do Museu das Migrações e das Comunidades e um momento musical. A entrada é livre para todos os interessados.
"Ser Português Hoje" é um tema actual, recorrente nos discursos do nosso dia-a-dia, e, por isso, sempre aliciante. Neste sentido, este seminário ambiciona ser um exercício de reflexão individual e colectiva, pretendendo, desse modo, contribuir para uma melhor definição da identidade cultural portuguesa.

Sérgio Godinho no Museu



Fotografia de Manuel Meira

O artista convidado para o espectáculo do mês de Abril dos "Concertos Íntimos" - concertos agendados pelo Município de Fafe com um cariz intimista e que incluem antes dos concertos um momento de conversa partilhada entre o artista e o público - foi o poeta, compositor e intérprete Sérgio Godinho.

Nesta sua presença em Fafe visitou a cidade e esteve no Museu das Migrações, ele que aos 18 anos partiu para a Suíça e depois para França onde viveu o Maio de 68. Aí privou com Luís Cilia, autor da banda sonora do filme "O Salto" de Christian de Chalonge, cujas bobines integram a colecção do Museu.

Mais tarde muda-se para o Canadá só regressando a Portugal após o 25 de Abril de 1974. Também uma história em busca de melhores condições de vida. De Liberdade.

Na noite do dia 16 de Abril brilhou num belo espectáculo na emblemática sala do Teatro-Cinema.

Dia da Comunidade Luso Brasileira




Momentos da exposição “Portugal-Brasil: Paisagens brasilianas e Fafenses Brasileiros de Torna-Viagem”.

A visitar até ao dia 13 de Maio.

26.4.11

Florêncio Monteiro Vieira de Castro

Após várias pesquisas e tentativas para se conhecer o rosto da importante personalidade de Florêncio Monteiro Vieira Castro, conseguimos quase por acaso, junto da Dra. Eduarda Gonçalves um retrato seu.

Numa amena conversa e pesquisa para a conclusão da tese de doutoramento de Luísa Langford, - para a qual os testemunhos da M. Eduarda Leite Castro Gonçalves e Francisco António Leite Castro, descendentes de José Alves de Freitas e de Adélia Martins Monteiro Vieira de Castro, foram tão importantes, vendo álbuns e lendo cartas, a propósito de fotos e das auto-representações de outros tempos, encontramos uma fotografia de Florêncio Monteiro Vieira Castro. A fotografia encontra-se no álbum que em 2008 a família cedera para a exposição “Terra Longe, Terra Perto” que o Museu das Migrações promoveu em parceria com o Museu da Presidência. Aqui a reproduzimos - a História ganhou um rosto.


Florêncio Monteiro Vieira Castro (1853-1925) nasceu a 21 de Março de 1853, em Santa Eulália, Fafe. Faleceu em 4 de Junho de 1925.
Foi casado com Gracinda Sousa Carneiro Veira Castro, nascida em Santa Eulália, Fafe (1/10/1875)-(26/2/1939), sobrinha do “Brasileiro” Fortunato José de Azevedo, proprietário de dois palacetes contíguos, na Rua António Saldanha.

Florêncio Monteiro Vieira Castro foi Juiz Conselheiro, líder do Partido Progressista, advogado, e em 1881, com apenas 27 anos, Administrador do Concelho.
Em 1907 foi o organizador da comissão que promoveu as festividades de inauguração da chegada do caminho-de-ferro a Fafe.
Participou com os irmãos Monsenhor João e Álvaro “Brasileiro” na fundação do Clube Fafense em 1901. Monárquicos convictos, receberam em sua casa o Rei D. Carlos, por breves momentos na sua casa, aquando da passagem deste para as termas do Vidago.


Notamos que a avó da Dra. Eduarda - Adélia Martins Monteiro Vieira de Castro (1863-31/7/1918)- era filha de Maria Monteiro Vieira de Castro (23/07/1844-1872) e do “Brasileiro” José António Martins Guimarães (1828-01/09/1911) - (31/07/1918), neta do “Brasileiro” Miguel António Monteiro de Campos, pai de Florêncio, portanto sobrinha de Florêncio Monteiro Vieira Castro. Logo este seria tio-avô de Eduarda Leite Castro Gonçalves e Francisco António Leite Castro.

19.4.11

Dia da Comunidade Luso Brasileira

Exposição “Portugal-Brasil: Paisagens brasilianas e Fafenses Brasileiros de Torna-Viagem
A Câmara Municipal de Fafe promove no próximo dia 21 de Abril uma exposição evocativa do Brasil e da chegada dos portugueses a terras de Vera Cruz.
Esta exposição é realizada no âmbito da programação anual do Museu das Migrações e das Comunidades e assinala o Dia da Comunidade Luso Brasileira (22 de Abril), evocativo da data do encontro da expedição dos portugueses com a terra e as gentes além-mar, que se viria a manter ao longo dos séculos. Esta data foi criada em 1967 pelos dois governos - Portugal e Brasil -, foi instituída pelo senador brasileiro Vasconcelos Torres e deveria ser comemorado nos dois países, já que é nesse dia que se celebra o “achamento do Brasil”.

A exposição “Portugal-Brasil: Paisagens brasilianas e Fafenses Brasileiros de Torna-Viagem”, integra um conjunto de retratos da autoria do artista plástico Luís Gonzaga, que nos situa a ligação de Fafe ao Brasil, em particular pela memória dos fafenses que emigraram para o Brasil durante o século XIX e inícios do século XX, e que no seu regresso edificaram a então Villa de Fafe – os fafenses “Brasileiros de Torna-Viagem”.
Estarão patentes ao público, reunidos pela primeira vez à luz desta ligação emblemática ao Brasil, a colecção das telas do acervo do Município que representam os “ilustres emigrantes brasileiros”, que, desde o início do século XIX edificaram palácios, casas apalaçadas e palacetes, abriram ruas e praças re-desenhando a “cidade”. Os princípios e ideais de liberdade e de auxílio mútuo marcaram as suas vidas e levaram-nos à construção de edificações de cariz social – o Hospital de S. José (1858), o Asilo para a Infância Desvalida (1877) e o Asilo dos Inválidos (1906), a Escola de Conde Ferreira (1866) e a Escola Deolinda Leite (1892), a Igreja Nova de São José (1895) e a Confraria de são José ou da Misericórdia administradora do Hospital (1860). Construíram ainda o exótico jardim romântico do Calvário ou Passeio Público (1892), procurando imitar as metrópoles de além-mar, ainda hoje preservado e aberto ao público.

Em 22 de Abril de 1500 chegavam ao Brasil 10 naus e 3 caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral. Traçando um arco temporal nas relações históricas dos dois países, a presente mostra integra ainda uma colecção de aguarelas da autoria do mesmo artista, representativa do “achamento” do Brasil. Estão representadas a paisagem, a flora, a fauna, o vestuário e as actividades tanto dos ameríndios, como dos colonizadores, dos séculos XVIII e XIX. A exposição de aguarelas patente nesta sala é acompanhada da emissão da leitura da carta de Pero Vaz de Caminha, narrada pelo escritor e actor José Rui Rocha.


A exposição inaugura dia 21 de Abril, pelas 17 horas, na Casa Municipal de Cultura e estará patente até ao próximo dia 13 de Maio. Uma excelente oportunidade de melhor conhecer as figuras que fizeram a História e a biografia dos fafenses que, em contexto de emigração e retorno edificaram a cidade, sendo ainda bem visíveis, como escreveu Miguel Monteiro, “os sinais de retorno de sucesso e as marcas expressas nas novas formas de capital social, cultural e simbólico”.


3.4.11

22 de Abril - Dia da Comunidade Luso Brasileira

Fotografia de Manuel Meira

Na rubrica "Documento do Mês" evocamos o Brasil e a chegada dos portugueses a terras de Vera Cruz, assinalando o dia 22 de Abril - Dia da Comunidade Luso Brasileira.
Data do encontro da expedição dos portugueses com a terra e as gentes além-mar, que se viria a manter ao longo dos séculos - em 22 de Abril de 1500 chegavam ao Brasil 10 naus e 3 caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral. A evocação desta data foi fundada em 1967 pelos dois governos - Portugal e Brasil -, foi instituída pelo senador brasileiro Vasconcelos Torres e deveria ser comemorado nos dois países, já que é nesse dia que se celebra o “achamento do Brasil”.
A comunidade Luso Brasileira mantém muito viva este encontro e existem numerosas publicações que reforçam os laços e as histórias que unem estes dois países. Desta comunidade fazem parte portugueses que emigraram para o Brasil, assim como, os seus descendentes que sentem o Brasil também como a sua pátria.

31.3.11

Américo Lopes de Oliveira

No centenário do nascimento do escritor e jornalista Américo Lopes de Oliveira (1911-2003), carismática figura das letras, lembramos a sua vida e obra.

"Américo Lopes de Oliveira Nasceu em Lisboa em 31 de Março de 1911. Completou o curso liceal entre 1929 e 1932. Foi funcionário da Caixa Geral de Depósitos e cursou a Escola dos CTT onde desempenhou vários serviços: chefe de turno, serviços de secretaria, instrutor para candidatos a OPR, aposentando-se como 2º oficial a 21 de Janeiro de 1959. Cursou Ciências Físico-químicas na Universidade Clássica de Lisboa. Foi bolseiro do Governo Espanhol, do Curso de Jornalismo, na Universidade Internacional Menendez Playo, de Santander (1957-1959).

Colaborou, desde muito novo, em jornais, revistas e fez parte de diversas redacções: Flama, Diário de Lourenço Marques, Correio do Minho, O Primeiro de Janeiro, Novidades, etc. Deslocou-se, por diversas vezes, ao estrangeiro como "enviado especial" das redacções por onde passou ou a convite dos Governos, onde percorreu quase toda a Europa, África, América do Sul.

A. Lopes de Oliveira destacou-se ainda em programas de rádio. Na Rádio Renascença tinha os programas da sua autoria: "Panorama Radiofónico" e "Dilatando a Fé" e o "Império". Nas rádios locais destacou-se na Rádio Montelongo (Companheiros da Noite; Letras e Artes; Conversas da Arcada) e Rádio Clube de Fafe (Fim de semana).

Participou, no país e no estrangeiro, em congressos, encontros, colóquios. Participou na assembleia magna, da Real Academia Galega, da Corunha, em Braga, em 1955 e 1957. Fez parte, não só como colaborador, mas como redactor, da volumosa obra Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ao lado dos reconhecidos António Sérgio e Manuel Mendes, entre outros, e ainda da Enciclopédia Ultramarina e no Dicionário da História da Igreja em Portugal.

Em 1979 veio viver para Fafe, a convite do presidente da Câmara da altura, Parcídio Summavielle, para escrever a primeira monografia sobre o concelho. Em 1983 foi instituído um prémio bienal com o seu nome, o qual era subsidiado por si e pela Câmara Municipal de Fafe, inicialmente para o género de ficção e monografia e, posteriormente, para a modalidade Estudos histórico-sociais.

Foi sócio-correspondente da Real Academia da Corunha: delegado do nosso país da Academia Mondiale degli Artisti e Professionsti, de Roma (Itália); Conselheiro Nacional de Honra da Confederazione Generale Italiana Professionisti e Artistici, de Roma; membro do Centro Internacionale per Scambi Culturali e Artistici, de Roma; conselheiro de Honra e correspondente do Instituto Fernando el Católico, de Saragoça (Espanha).

Foi distinguido com a Medalha de Prata de Mérito Concelhio, em 1986, numa cerimónia que decorreu nos Paços do Concelho, no âmbito das comemorações do 25 de Abril. Faleceu em 2003, em Fafe."

Informação retirada com os devidos créditos do site desenvolvido no âmbito do Estágio Profissional de Carina Faria, na Biblioteca Municipal de Fafe, para divulgar e disponibilizar a vida e a obra de A. Lopes de Oliveira. Porque “a disponibilização deste espólio é fundamental para a preservação da memória, da história, da cultura e do património local.”

27.3.11

Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa


O Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa tem como objectivo central o de premiar e divulgar publicamente cidadãos portugueses que se tenham distinguido pelo seu papel empreendedor, inovador e responsável no contexto das respectivas sociedades de acolhimento e que constituam exemplos de integração efectiva nas correspondentes economias e de estímulo à cooperação entre Portugal e os respectivos países de acolhimento.


São destinatários do Prémio cidadãos portugueses que, na data da candidatura, residam no estrangeiro há mais de cinco anos. No âmbito de uma parceria entre a COTEC e a TAP Portugal, os participantes do Encontro do Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa 2011, que decorre a 8 de Junho, poderão usufruir de condições especiais na viagem para Portugal.


Para mais informações: http://www.cotecportugal.pt/diaspora/

Fonte: Cultdigest

8.3.11

Mulheres do Séc. XIX em Fafe

Fotografia de Manuel Meira
Dedicamos o "Documento do Mês" às mulheres, que, tendo vivido numa sociedade dominada pela(s) figura(s) masculina(s), contribuiram para mudar o curso da história.

D. Felismina Summavielle

Pessoa muito estimada e conhecida em Fafe e outras terras, soube, com a sua mãe e persistência, fundar e elevar o famoso Hotel Central, vulgarmente conhecido por «Hotel de Felismina», onde se serviam os apreciados pão-de-ló e vitela de Fafe, além dos capitosos vinhos de Basto.
O Hotel Central era frequentado assiduamente por pessoas influentes como, por exemplo, o Conde de Paçô-Vieira, decisivo na chegada do comboio a Fafe, em 1907.
Era irmã do «brasileiro» António Summavielle e de Margarida Summavielle, mãe do Dr. José Summavielle Soares. Faleceu em 28 de Setembro de 1922, com 69 anos, tendo fechado o caixão o seu sobrinho Dr. José Summavielle Soares. Em 1924 faleceu, com 80 anos o seu marido António da Silva e Castro, como relata o jornal O Desforço a 23 de Outubro.

Texto e desenho de Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).


D. Georgette D’Anthonay Villas Boas

D. Georgette d’ Anthonay Villas-Boas era filha do cônsul francês em Manaus, capital da Amazónia, onde casou em 1900 com o opulento «brasileiro» José Cândido Ferreira Villas-Boas, de Medelo, emigrado naquela longínqua cidade.
D. Georgette enviuvou em 1925, tendo-se radicado em Fafe; era vulgarmente conhecida por «Madame do Soeiro».
Embarcou para Manaus, diz O Desforço de 26 de Outubro de 1931, tendo regressado em Junho de 1932. (…)
O ex-cônsul francês em Manaus, Barão d’ Anthonay e sua esposa Baronesa d’ Anthonay, estiveram em Medelo, de visita à sua filha D. Georgette, e regressaram a França encantados com Portugal, relata O Desforço de 16 de Agosto de 1956. Regressaram no ano seguinte, no mês de Julho, para passar aqui um mês.
No dia 30 de Maio de 1973, D. Georgette, a «Madame de Soeiro», fez 91 anos. Era uma senhora bondosa e compreensiva; quando o ano agrícola era mau, perdoava aos seus caseiros o que estivesse em falta; de uma forma geral, foi benemérita dos Medelenses.
Faleceu na sua Casa do Soeiro, no dia 15 de Setembro de 1973.

Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).


Prof.ª Francisca Ribeiro Leite

Francisca Ribeiro Leite fundou, por volta de 1915,uma Escola Primaria particular, que funcionou durante mais de 50 anos, na qual ensinava os alunos da 1.ª, 2.ª e 3.ª classes, sendo a 4.ª e 5.ª classes ministradas pelo professor João de Oliveira Frade, que chegou a ser Administrador do Concelho em 1912, tendo sido nomeado em 1914 membro do Conselho de Assistência Escolar. O professor Frade era também professor e secretário da escola Primária Superior, a partir da sua função, no ano lectivo de 1919/1920.
A escola de Francisca Ribeiro Leite era frequentada pelos filhos das famílias mais distintas de Fafe e funcionava no 1.º andar da casa do seu primo e padrinho, José António Dantas Guimarães, esquina da Rua Machado dos Santos (actual R. João XXIII). (…)
Francisca Ribeiro Leite (…) nas suas horas vagas, dedicava-se à pintura a óleo, nomeadamente pintura a óleo sobre seda, técnica geralmente utilizada em trabalhos de índole religiosa que lhe eram muitas vezes solicitados.
Faleceu em 24 de Maio de 1976, com 90 anos, estando sepultada, tal com os outros membros da sua família já falecidos, no jazigo de José António Dantas Guimarães e sua esposa Francisca de Jesus Leite, no cemitério municipal de Fafe. (…)

Texto e desenho de Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).

D. Laura Soares D’Oliveira Summavielle

Laura Soares d’Oliveira Summavielle, esposa do Dr. José Summavielle Soares, teve 4 filhas, Laura, Maria Margarida, Alice e Soledade, e 6 filhos, José, João, Miguel (falecido com 30 anos), Luís, Fernando e Elísio Summavielle Soares. Era muito amiga dos pobres, gostava de gracejar e de fazer a sua quadra.
Da sua pedreira de Pardelhas, foi a pedra toda para acabar a Igreja Nova, parada desde 1900.
Faleceu em 14 de Abril de 1971, com 92 anos, mas ainda lúcida; era expansiva, comunicativa, alegre.
O seu funeral foi grandioso.
O Desforço, anunciou para o dia 9 de Novembro de 1961, pelas 21 horas, no Teatro Cinema, uma sessão de propaganda eleitoral democrata, presidida pela sua filha D. Laura Summavielle Matos, viúva do Dr. Maximino Matos, falecido mais de 3 anos antes.

Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).


15.2.11

Projecto Fly


Divulgamos um interessante projecto de investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa - Projecto Fly - e ao qual este Museu disponibiliza para investigação a sua colecção de correspondência particular do ínicio do século XX.

Excerto do artigo recentemente publicado no jornal "O Mundo Português".
"Investigadoras do Centro de Linguística da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa têm em mãos dois projectos que até hoje nenhum académico levou avante. Coordenadas por Rita Marquilhas, investigadora responsável e autora dos estudos, Mariana Gomes, Leonor Tavares e Ana Guilherme, estão a levar a cabo dois projectos que vão culminar na publicação de quatro mil cartas - duas mil do projecto ‘Cards’, do século XVI ao século XIX, e duas mil do projecto ‘Fly’, que abrange o período de 1900 a 1979.

Cartas escritas que vão ser reunidas num arquivo digital e ajudar a trazer um novo olhar sobre os portugueses. Entre essas, estão cartas de emigrantes, correspondência trocada entre portugueses que vivem no estrangeiro e os seus familiares. São «cartas de saudade», difíceis de obter e que originaram um apelo, dirigido a todos os que, em Portugal e no estrangeiro, possam contribuir para esta iniciativa.

Apelo à recolha de cartas

Foi a dificuldade na recolha de cartas no âmbito do projecto Fly, principalmente aquelas relacionadas com a Emigração, que motivou o apelo (imagem). Inicialmente, a pesquisa das cartas de emigração tem sido feita com base no SNI (Serviço Nacional de Informação), que está disponível na Torre do Tombo e no conhecimento de pessoas que tenham passado por essa experiência.

As investigadoras já começaram também a contactar instituições no estrangeiro, mas estão ainda à espera de respostas. “Temos feito chegar a informação a instituições que tenham contacto com emigrantes. A nível pessoal, fazemos mais por cá, individualmente”, explica Mariana Gomes.
E vão daqui a uma semana, começar a percorrer o país, desde Fafe, que acolhe o Museu da Emigração, a V. Nova de Famalicão, Vila Real, Aveiro, Coimbra, Leiria, etc. E enquanto percorrem o país, fazem «figas» para que os contactos do estrangeiro surtam efeito."

Pode aceder à notícia completa da divulgação deste interessante projecto em “O Mundo Português”
O projecto conta com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e é um enorme contributo para o conhecimento da História da Emigração. Colabore.

6.2.11

Filhos(as) da Emigração / Imigração Portuguesa

Divulgamos o programa da Conferência "Filhos(as) da Emigração / Imigração Portuguesa", que se realizará no próximo dia 24 de Fevereiro, no Instituto Francês de Portugal, Lisboa.

A conferência apresenta as seguintes questões centrais para debate e reflexão:

- Como são negociados os sentidos de pertença e as estratégias de representação por parte dos descendentes de e/imigrantes, considerando os seus relacionamentos identitários (nacionais/étnicos) e sociopolíticos (multi/interculturais)?

- Que estratégias identitárias desenvolvem e como as expressam face à invisibilidade/visibilidade no espaço público?

- Que estratégias identitárias e formas de participação activa desenvolvem no seu quotidiano (e.g. associativismo, grupos culturais/recreativos, grupos de lobby, movimentos virtuais, redes transnacionais, etc.)? Estas opções apontam para a participação plena na sociedade ou funcionam como escudos protectores alicerçados na preservação etno-cultural? E como se expressam face à invisibilidade/visibilidade no espaço público?

- Que aspectos e dimensões sobressaem na investigação científica sobre os percursos de integração e de socialização dos descendentes de e/imigrantes?


PROGRAMA
14:30 Abertura
Maria Isabel João – em representação da coordenação científica do CEMRI – UAb

14:45-16:45
Painel 1: Descendentes da emigração portuguesa
Moderação: Jean Gomes (Observatório dos Luso-Descendentes)
“Neste país, ser português também e ser canadiano”: as negociações identitárias dos luso-descendentes no Canadá multicultural – João Sardinha (CEMRI – UAb)

Tendências na identidade dos luso-venezuelanos – António Xavier (CIDEHUS - UÉvora)
Consumo mediático e identidades dos luso-descendentes em França – José Ricardo Carvalheiro (LAB-COM – UBI)

Estratégias culturais e identitárias de luso-descendentes em França: um olhar a partir da Associação Cap Magellan – Liliana Azevedo (Associação Cap Magellan)

Comentário: Maria Beatriz Rocha Trindade (CEMRI – UAb)

Debate
16:45-17:00 Pausa
17:00-19:00

Painel 2: Descendentes da imigração portuguesa
Moderação: Ricardo Campos (CEMRI – UAb)
Desafio para a inclusão dos descendentes de imigrantes africanos em Portugal – Beatriz Padilla (CIES – ISCTE)


“Isto é um projecto de vida!” – Práticas associativas de descendentes de imigrantes africanos – Rosana Albuquerque (CEMRI – UAb)

"A minha mãe sempre nos incentivou a participar e a fazer trabalho cívico": trajectórias de participação cívica de jovens de origem são-tomense em Portugal – Sónia Ramalho (CRIA - FCSH / UNL)

Estratégias culturais, identitárias e de inserção dos jovens ucranianos em Portugal – Pavlo Sadokha (Associação dos Ucranianos em Portugal)

Comentário: Fernando Luís Machado (CIES – ISCTE)
Debate
19:00 Encerramento

Evento com organização e apoios da Universidade Aberta / Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI), Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Alliance Française e Institut Français du Portugal. Mais informações em http://www.univ-ab.pt/cemri

29.1.11

Call for papers: Maritime, migration and tourism history at crossroads



An interesting call for papers to the conference of the International Maritime Economic History Association in Ghent (Belgium) June 2-6, 2012.
Call for papers: “Maritime, migration and tourism history at crossroads: global maritime networks and their impact on the movement of people”

Proposals are invited for sessions at the 6th conference of the International Maritime Economic History Association in Ghent (Belgium) June 2-6, 2012.
The aim of the sessions is to highlight the importance of maritime passenger travel in the academic fields of maritime, migration, tourism and travel history and to explore the potential for new research by fusing methods, sources, and approaches used in each discipline. Despite the impact of maritime networks on the global movement of people throughout history, passenger transport has received little attention by maritime historians. It is true that the tonnage employed for passenger transport remained marginal compared to freight transport. Yet passenger lines were often the first to introduce new technologies and business strategies into the shipping world.

We invite papers that reappraise the importance of all forms of passenger transport in maritime history. This call is not only addressed to maritime historians but also to migration and tourism historians. Tourism and travel history is quickly gaining popularity as an academic field yet few studies have dealt with the means by which the vast majority of world travel was carried out. Sail and especially steam shipping played a crucial role in the development of global tourism. The same applies to the field of migration history, where most focus has been on why people migrate and very little on how. Nonetheless, there is growing awareness among migration historians that the influence of the shipping world may have been more important than what has been ascribed to so far. Embedded in pre-existing trade routes, both tourist and migrants often travelled on the same ships that were steered by long-established maritime networks. By exploring the connections between these various networks, the organizers of the sessions want to create a new platform for research enhancing the collaboration between maritime, migration and tourism historians.

If interested, please send an abstract and short CV by February 21st to Torsten Feys Torsten.Feys@UGent.be

The IMEHA is an international society which publishes the International Journal of Maritime History (IJMH) and Research in Maritime History (RIMH). The society also sponsors conferences and provides assistance for the study of maritime history.

28.1.11

Seminário "A Emigração na Primeira República"

Prof. Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade (CEMRI/UAb), Dr. José Ribeiro (Presidente da CMF), Dr. Pompeu Miguel Martins (Vereador da Cultura CMF)
Fotografias de Manuel Meira
Terminou num clima de satisfação, com a presença de dezenas de participantes, o seminário “A Emigração na Primeira República” que decorreu na passada 6ª feira, dia 21, no auditório da Biblioteca Municipal de Fafe, realizado no âmbito do programa oficial da Câmara Municipal de Fafe para as comemorações do Centenário da Implantação da República, através do Museu das Migrações e das Comunidades em parceria com o CEMRI – Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais/Universidade Aberta.

Na sessão de abertura o Presidente da Câmara Municipal de Fafe, Dr. José Ribeiro, assinalou o facto de o evento reforçar o trabalho de implementação do Museu das Migrações, “um projecto prioritário para o Município de Fafe”, que se consolidará como um projecto nacional. A emigração foi e é um factor estruturante das sociedades que deve ser efectivamente abordado ao abrigo de diferentes perspectivas de investigação. Paralelamente as comunidades de emigrantes podem participar activamente neste trabalho, visando o seu conhecimento, preservação e divulgação.
O painel da manhã com o tema “Primeira República - A Emigração e a Imigração em Portugal” foi moderado pelo Prof. Doutor Albertino Gonçalves do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e contou com a comunicação “Políticas e práticas de emigração na Primeira República” pelo professor catedrático Jorge Fernandes Alves da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigador do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória), que procurou equacionar as posições políticas sobre a emigração neste período, caracterizar as medidas tomadas e sondar a realidade através de dados históricos.

Comunicação do Prof. Doutor Jorge Fernandes Alves (FLUP)

Seguiu-se o professor catedrático Viriato Capela do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho apresentou “A emigração e o surgimento da acção regionalista em Portugal”. Este painel contou também com a presença dos contributos de dois investigadores do fenómeno migratório da Galiza para Portugal.

O professor catedrático Domingo Luis González Lopo da Faculdade de História e Xeografia da Universidade de Santiago de Compostela e coordenador adjunto da Cátedra UNESCO nº 226 sobre Migraciones situou o colectivo galego residente em Lisboa durante a segunda metade do século XIX. Analisou os estereótipos sobre a imagem dos galegos em Portugal, o desenvolvimento do associacionismo, a criação da imprensa para defesa dos seus interesses e a educação dos filhos – muitos já portugueses por nascimento -, assim como, a posterior intervenção política destes nos movimentos sociais e políticos e na sua colaboração activa na vida política e na instauração da I República.

O professor Carlos Pazos Justo do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho (Prémio de Investigação Carvalho Calero em 2009) apresentou uma aproximação à trajectória da emigração espanhola em Portugal na 1ª República com a comunicação “A emigração espanhola em Lisboa na Primeira República: o caso do enclave galego” tentando substantivar as estratégias que este adoptou no novo panorama político após 1910.
O painel da tarde subordinado ao tema “Portugal/Brasil - Factos, Gentes e Representações” foi moderado pelo Dr. Henrique Barreto Nunes, ex-director (recentemente aposentado) da Biblioteca Pública de Braga e do Arquivo Distrital de Braga, actualmente vice-presidente do Conselho Cultural da Universidade do Minho e pela Dra. Isabel Alves educóloga a desempenhar funções no Museu das Migrações e das Comunidades e coordenadora do seminário. O Dr. Henrique Barreto Nunes abriu o painel com profundas palavras de homenagem àquele que foi o seu grande amigo, historiador e defensor activo e permanente do património histórico - Dr. Miguel Monteiro, mentor do projecto do Museu.
Com a comunicação - “Portugal-Brasil: Trajectórias de sucesso e de insucesso no contexto migratório” - a professora catedrática Maria Beatriz Rocha-Trindade, fundadora do CEMRI, titular da Ordre National du Mérite, de França, com o grau de Chevalier, da Medalha de Mérito do Município de Fafe e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, de Portugal, centrou-se na presença portuguesa no Brasil, que se estende desde o seu «Achamento» até à actualidade. Retratou os “Homens e mulheres que circularam entre o continente europeu e o continente americano, atravessaram o oceano num e noutro sentido, através do que poderia ser chamada: a «ponte atlântica». E, em cada época, não só encontraram justificação para fazê-lo como transportaram consigo a esperança de poder atingir uma melhoria económica ou de poder vir a alcançar uma situação de liberdade.”
Seguindo o tema Portugal-Brasil o Município de Fafe esteve representado pelo historiador local Daniel Bastos com a comunicação “O concelho de Fafe durante a I República e o fenómeno migratório” cujo principal objectivo foi “analisar as dimensões históricas da I República no concelho de Fafe que se interligam com o fenómeno migratório.”
Seguiu-se o professor catedrático Jorge Arroteia da Universidade de Aveiro, fundador da biblioteca digital Emigrateca Portuguesa que apresentou “Uma visão retrospectiva sobre as migrações portuguesas” e abordou os movimentos migratórios desde as Descobertas, passando pelos diversos “destinos da emigração portuguesa traçados desde os finais do século XIX que se alteraram no decurso do século XX.”
Terminadas as comunicações a sessão foi seguida de um espaço de debate que contou com uma grande participação do público presente. O evento foi encerrado pela coordenadora do seminário Dra. Isabel Alves, pela Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade que com o Dr. Artur Ferreira Coimbra constituíram a Comissão Científica do seminário, e pelo vereador da cultura Dr. Pompeu Miguel Martins que fez um especial agradecimento a todos quantos tornaram possível a realização do seminário (Isabel Alves, Jesus Martinho, Joaquim Gonçalves, Manuel Meira, Rita Gonçalves, Sandra Novais) e em particular à Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade por todo o percurso realizado desde o início da implementação do Museu. Reforçou ainda a vontade do senhor Presidente Dr. José Ribeiro na consolidação do Museu, apresentando uma visão dos projectos futuros.


Dra. Isabel Alves (MMC), Dr. Pompeu Miguel Martins (Vereador Cultura CMF), Prof. Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade (CEMRI/UAb)

Fez ainda um especial agradecimento a uma personalidade essencial na criação do Museu das Migrações e das Comunidades – o Historiador professor Miguel Monteiro. De assinalar que o seu nome foi lembrado ao longo de todo o dia por todos os oradores com palavras de admiração e carinho imensos, mencionado como alguém que tinha “o infinito como limite”.

10.1.11

Aniversário(s) e Memória(s)


"Dez de Janeiro foi de festa para a nossa linda terra! Inaugurou-se nessa noite o 'Teatro-cinema' - nome tão simples para obra tão grande."

Sob o título “O Progresso de Fafe – A Inauguração do Teatro-Cinema”, eram estas as palavras que se liam, na edição de 17 de Janeiro de 1924 do jornal “O Desforço”. O Teatro-Cinema foi inaugurado a 10 de Janeiro de 1924 pela então conceituada Companhia de Aura Abranches, com a peça de teatro “O grande amor”.

Construído no local onde existia já um antigo edifício de teatro, a sua construção deveu-se ao Dr. José Summavielle Soares, neto do “brasileiro” José Florêncio Soares, emigrante no Rio de Janeiro.
Esta belíssima obra coincidiu com o fim das iniciativas de capital de "brasileiros" de Fafe e dos seus descendentes, fechando o ciclo da emigração para o Brasil.

A notícia do jornal continua com pormenorizadas descrições:

Luxo e elegância desde o altivo salão nobre ao vasto palco confortáveis camarins, desde a deslumbrante entrada principal a plateia, frisas e camarotes; desde o agradável terraço ao jardim lateral.

Dignos de louvores são quantos colaboraram nesta obra importante: dignos de honra são: o técnico de 'A Japoneza, Lda', do Porto, sr. Duarte d'Almeida que deu aquilo tudo um tom prodigioso, caprichando no mobiliário e adorno do salão principal, que e, no género, um dos raros que devem existir; e os hábeis pintores que com tintas multicolores fizeram realçar o tecto, imprimindo-lhe poesia e o artista da sacada em cimento que sobressai na frontaria.

'Teatro-cinema'!
Quer dizer: ali, naquela case modelo, poderão funcionar as melhores e maiores companhias e exibir-se as mais perfeitas fitas cinematográficas.

E assim foi que, Quinta-Feira passada, teve a honra de trabalhar pela primeira vez no sobredito teatro, inaugurando-o solenemente, a Companhia Aura Abranches, uma das melhores do país.

Mas quem foi a personagem mais importante da grande noite, da noite de triunfo, de alegria, de afecto, de galas, de glórias? Foi, precisamente, o homem de reconhecida inteligência e acção, o bairrista apaixonado, o engrandecedor de Fafe, o dono da admirável case de espectáculos que e o Dr. José Summavielle Soares! Foi ele, não podia deixar de ser! ...

A Câmara, representada pela sue ilustre Comissão Executiva, dr. Artur Vieira de Castro, Dr. Parcidio de Matos, Dr. Manuel Moreira, Ângelo Fernandes e Vale Ribeiro, com seu estandarte, foi homenageá-lo ao palco, entre o 2.° e o 3° actos, levar-lhe uma mensagem escrita em pergaminho e metida numa luxuosa pasta. Tinha-o proclamado cidadão benemérito do concelho de Fafe.

Quando a Câmara apareceu no palco, as palmas foram estrondosas e demoradas, assim como depois do agradecimento do sr. dr. Summavielle. A orquestra executou 'A Portuguesa’ e tudo de pé e respeitosamente assistiu aquela passagem sublime da grande festa.

Além da imprensa local, assistiu ao espectáculo de inauguração o nosso prezado colega do Jornal de Noticias do Porto sr. Armando Gonçalves, funcionário superior da Câmara do Porto.

-'A Japoneza, Ld.ª, do Porto, foi a que ofereceu o espectáculo de inauguração os lindos programas profusamente distribuídos.

-A orquestra, sob a regência do snr. Joaquim Carvalho, que executou admiravelmente, era composta de amadores e profissionais da terra.
-O pessoal do teatro usava todo fardas.

As três lindas peças que se representaram nas noites seguintes -' Pilmerose', 'Madalena Arrependida' e 'Injustiça da Lei', agradaram muito, sendo os intérpretes entusiasticamente ovacionados.

No domingo, entre o 2.° e o 3.° actos, o sr. dr. Summavielle convidou a laureada actriz Aura Abranches a fazer o descerramento de uma placa de mármore com letras douradas colocada no átrio, onde leu, com surpresa, os seguintes dizeres:
-'Inaugurado em 10-1-1924 pela Companhia Aura Abranches'.

A placa de mármore permanece na entrada do Teatro Cinema e completa hoje 86 anos.

Também hoje, dia 10 de Janeiro, recordamos Miguel Monteiro, coordenador do Museu das Migrações e das Comunidades que completaria 56 anos.
Saudade.

3.1.11

Seminário "A Emigração na Primeira República"


O Museu das Migrações e das Comunidades integra o programa das comemorações do Centenário da Implantação da República da Câmara Municipal de Fafe com a realização de um seminário subordinado ao tema “A Emigração na Primeira República”.
A iniciativa tem como objectivo contextualizar o fenómeno migratório daquele período e é uma realização conjunta Museu das Migrações e das Comunidades e Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI – (Universidade Aberta), instituição parceira deste Museu em iniciativas anteriores.
O evento decorrerá no próximo dia 21 de Janeiro de 2011, no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe e reúne investigadores de várias universidades nacionais e estrangeiras, nomeadamente, da Universidade Aberta e do Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI), da Universidade de Lisboa, da Universidade do Minho, da Universidade do Porto e da Universidade de Santiago de Compostela.

Os trabalhos serão divididos nos painéis “A emigração e a imigração em Portugal” e “Portugal/Brasil - Factos, gentes e representações” e apresenta o seguinte programa:

09:00 Recepção dos participantes

09:30 Sessão de Abertura
Dr. José Ribeiro – Presidente da Câmara Municipal de Fafe
Dr. Pompeu Miguel Martins – Vereador do Pelouro da Cultura
Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade – Investigador/Fundador do Centro de
Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI – (Universidade Aberta)

Painel 1- Primeira República - A Emigração e a Imigração em Portugal
Moderação:
Prof. Doutor Albertino Gonçalves (Universidade do Minho/ Instituto de Ciências Sociais)

10:00 Prof. Doutor Jorge Fernandes Alves (Universidade do Porto/ Faculdade de Letras
da Universidade do Porto)
Políticas e práticas de emigração na Primeira República.

10:30 Prof. Doutor Viriato Capela (Universidade do Minho/Instituto de Ciências Sociais)
A emigração e o surgimento da acção regionalista em Portugal.

11:00 Coffee-break

11:30 Dr. Carlos Pazos Justo (Universidade do Minho/Instituto de Letras e Ciências
Humanas)
A emigração espanhola em Lisboa na Primeira República: o caso do enclave
galego.

12:00 Professor Doutor Domingo González Lopo (Universidade de Santiago de
Compostela/Faculdade de História e Xeografia/Cátedra UNESCO nº 226 sobre
Migraciónes)
Os lisboanos galegos: evolución económica, social e ideolóxica dun
colectivo inmigrante en Portugal.

12:30 Debate

13:00 Almoço

Painel 2 - Portugal/Brasil - Factos, Gentes e Representações
Moderação:
Dr. Henrique Barreto Nunes (Universidade do Minho/Conselho Cultural)
Dra. Isabel Alves (Museu das Migrações e das Comunidades)

14:30 Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade (Universidade Aberta/Centro de
Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI)
Portugal-Brasil: Trajectórias de sucesso e de insucesso no contexto migratório.

15:00 Prof.ª Doutora Maria do Céu de Melo (Universidade do Minho/Instituto de
Educação)
Ao espelho: o riso e o siso nos cartoons sobre emigração.

15:30 Dr. Daniel Bastos
O concelho de Fafe durante a Primeira República e o fenómeno migratório.

16:00 Prof. Doutor Fernando António Baptista Pereira (Universidade de Lisboa/
Faculdade de Belas-Artes)
Um discurso museológico sobre a emigração e os “Brasileiros” em Fafe durante a
Primeira República.

16:30 Coffee-Break

17:00 Prof. Doutor Jorge Arroteia (Universidade de Aveiro / Emigrateca Portuguesa)
Uma visão retrospectiva sobre as migrações portuguesas.

17:30 Debate, Balanço e Conclusões

18:00 Encerramento
– Dr. José Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de
Fafe

Visita ao Museu das Migrações e Núcleo das Artes (Teatro - Cinema)


As inscrições são gratuitas e poderão ser efectuadas até ao dia 18 de Janeiro para geral@museu-emigrantes.org ou pelos telefones 253 490 908 ou faxe 253 700 409.

30.12.10

Lá se pensam, cá se fazem


Com os devidos créditos, do site da Fundação Calouste Gulbenkian transcrevemos a informação sobre a iniciativa FAZ, ideias de origem portuguesa, 'dirigida à diáspora portuguesa. Sabe-se que existem 2,3 milhões de portugueses no mundo, nascidos em Portugal, e que se contarmos com os descendentes, a soma aumenta para os 5 milhões.
Com o mote “Lá se pensam, cá se fazem”, FAZ desafia esses 5 milhões a conceberem, um projecto de empreendedorismo social a concretizar em território português. No fundo, FAZ é um concurso de ideias, mas também um apelo aos talentos da diáspora portuguesa para que se mobilizem no sentido de construírem o futuro da comunidade que é de todos.'

Regulamento disponível em http://www.ideiasdeorigemportuguesa.org a partir de 4 de Janeiro de 2011.

26.12.10

Jardim do Calvário ou Passeio Público faz hoje 118 anos


Fafe: Passeio Público em Construção 1891
(Luisa Vieira Campos de Carvalho - Arquivo privado)

O Jardim do Calvário ou Passeio Público faz hoje 118 anos razão pela qual a rubrica "Documento do Mês" é dedicada a este espaço e ao seu fundador - Comendador Albino de Oliveira Guimarães.


O Jardim do Calvário situa-se no "Outeiro do Calvário" decorrendo este nome da existência de uma capela dedicada ao Senhor do Calvário, nesse local, pelo menos desde o século XVIII.
A obra do Jardim do Calvário deve-se a um brasileiro fafense, o Comendador Albino de Oliveira Guimarães que, segundo a imprensa do início do século, "houve dele o produto de um discurso – a verba principal que se empregou no aludido jardim", custeando a iniciativa com 4 contos e duzentos mil réis.


Em 1889, o presidente da Câmara, José Florêncio Soares, apresenta ao Executivo um projecto de Jardim e Passeio público, tendo sido as obras orçamentadas pelo montante de 6.400$000 réis.
No ano 1890 dá-se início às obras, tendo a Câmara em sessão de 12 de Fevereiro, realizando uma intimação de despejo de 8 dias aos moradores daquele local, para que a construção se pudesse iniciar.


O Jardim do Calvário é solenemente inaugurado a 26 de Dezembro de 1892, onde a Câmara se dirige a Albino de Oliveira Guimarães para agradecer "os valiosos serviços que prestara ao Município para a construção do mesmo jardim" e "pelo grande melhoramento público que promovera".

Em 1912 é aprovado o projecto de um coreto para o local e em 1914 passa a ter luz eléctrica fornecida pela Central de Sta. Rita. Em 1917 é adquirido um barco para o lago do Jardim, mandado vir pelo então Vereador Artur Pinto Bastos, tendo o barco e o seu transporte desde a Póvoa do Varzim custado 36$50.



Em 1929 é elaborado o projecto de um quiosque para o Jardim Público junto ao ringue de patinagem com o orçamento de 11.148$00.
O Jardim do Calvário recriava, assim, um ambiente de exotismo naturalista, apresentando um lago com uma ponte, um pequeno barco, um coreto e as necessárias árvores importadas, recriando-se o ambiente romântico. Constituía um local de "encontro e ócio, cumprindo uma função ideológica dos que o frequentavam." (Miguel Monteiro in Fafe dos Brasileiros)
COMENDADOR ALBINO DE OLIVEIRA GUIMARÃES
Albino de Oliveira nasceu a 4 de Setembro de 1833, na freguesia de Golães e faleceu a 6 de Março de 1908 (74 anos), na sua casa da Rua 5 de Outubro.



Em 1847 (com 14 anos) emigrou para o Rio de Janeiro e acrescentou ao seu apelido, Guimarães. No Brasil, trabalhou como caixeiro na casa Comercial António Mendes de Oliveira Castro, vindo a ser o seu braço direito, das suas qualidades pessoais. Em 1858 (25 anos) casa com Luiza Mendes de Oliveira Castro e aparece na liderança da Comissão de Fundadores do Hospital de Fafe no Rio de Janeiro. Em 1859 António Mendes de Oliveira Castro vem a falecer, sendo Albino conduzido à gerência dos negócios de família, ao lado da sogra D. Castorina.



Em 1861 realiza uma viagem de retorno a Portugal, com Francisco José Leite Lage. Em 1869 verifica-se a existência de um passaporte de 8 de Abril com destino ao Rio de Janeiro com sua mulher e filhos (Luiza, Castorina, Albino, António). Em1879, compra casa em S. Clemente. De referir que ia com frequência a Lisboa, mantendo relações com Camilo Castelo Branco e José Cardoso Vieira de Castro.



Em 1890 vende a casa do Rio ao inglês John Roscoe Allen que posteriormente a vendeu a Rui Barbosa. Actualmente é a Fundação Casa Museu Rui Barbosa. Albino de Oliveira Guimarães regressa definitivamente a Fafe, instalando-se com a família na casa da Macieira, em Pardelhas. Foi ainda proprietário rural em Freitas, na Ranha e Pardelhas; em Quinchães e em S. Romão de Arões adquiriu quintas e a casa e Quinta de Arrochela.



Como benemérito promoveu a construção da Igreja Nova de S. José, hospitais, asilos, escolas, participou na criação de Misericórdias, indústrias e iluminação pública; fez parte da comissão organizadora das festividades comemorativas da chegada do Caminho-de-ferro.



"Documento do Mês" - em exposição espólio documental sobre o Jardim do Calvário e o seu fundador Comendador Albino de Oliveira Guimarães. Agradecimento muito especial a Luisa Vieira Campos de Carvalho, descendente do comendador, pela cedência da primeira foto que aqui reproduzimos.

24.12.10

Merry Christmas

The Museu das Migrações e das Comunidades (Museum of Migration and Communities) wishes you all a Merry Christmas and a Happy New Year.

16.12.10

Dia Internacional dos Migrantes


Sábado, dia 18 de Dezembro - o Museu das Migrações e das Comunidades comemora o Dia Internacional dos Migrantes em parceria com as Juntas de Freguesia de Aboim e Estorãos. Será exibido o documentário “A Fotografia Rasgada” do lusodescendente José Vieira, que retrata a emigração dos anos 60 e 70 para França.

Nos anos 60 quem emigrava clandestinamente recorrendo a um passador, conhecia o código da fotografia rasgada. O passador guardava metade da fotografia de quem emigrava e a outra levava-a o emigrante que, uma vez chegado ao destino, a remetia à família, em sinal de que chegara bem e que poderia ser concluído o pagamento pela sua “passagem”. Partindo da sua experiência como emigrante e das memórias de muitos portugueses que partiram para França “a salto”, José Vieira traça um retrato da história recente de Portugal.
“A Fotografia Rasgada” (França, 2001, 52’) foi premiado na 9.ª edição do festival Caminhos do Cinema Português (Coimbra, 2002), e integra um projecto de José Vieira intitulado “Gente do Salto” que reúne sete curtas-metragens sobre a emigração clandestina.

Porque a História é também feita de histórias, pretendemos que todos contribuam para a construção de uma memória colectiva, partilhada, edificando e preservando assim a memória histórica para as próximas gerações. Neste sentido a projecção será seguida de um momento de diálogo partilhado por todos os presentes e centrado nas experiências contexto de (e/i)migração. Este espaço contará com a presença de emigrantes, assim como, de imigrantes (residentes no Concelho de Fafe) que contribuirão para uma partilha e troca de experiências enriquecedora e global. Pretende-se criar um espaço e um tempo de consciencialização sobre a temática das migrações, promovendo a tolerância, a partilha de uma visão multicultural pacífica e de respeito intercultural.

As sessões terão lugar no próximo sábado, dia 18, na sede da Junta de Freguesia de Aboim pelas 14h30 horas e na sede da Junta de Freguesia de Estorãos pelas 16h30 horas.
Entrada gratuita.

7.12.10

Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Hoje é dia de… Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos

No âmbito da actividade "Hoje é dia de…" comemoramos no dia próximo dia 10 de Dezembro o Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“Notícia de 1ª Página”
Visita temática de carácter experimental a realizar no Museu das Migrações e no Museu da Imprensa.
Partimos da exploração das colecções do Museu das Migrações com roteiro de visita e ficha didáctica, para um atelier de redacção, composição (manual com tipos móveis e gravura) e impressão gráfica no Museu da Imprensa da 1ª página de um jornal, centrada no tema Direitos Humanos.
No final será criado um mural de papel com as páginas impressas.

Serão ainda impressos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos para distribuição pela cidade em especial no Comércio Local.
Actividades direccionadas para as famílias e público escolar com adaptações aos níveis etários.
Visita-nos, participa e usufrui da nossa História, construindo memórias.
Entrada livre.

6.12.10

Os portugueses no mundo e o mundo em Portugal

Um quadro vale por mil palavras.
Fonte: "Portugal - Atlas das Migrações Internacionais".

1.12.10

Mapping Cultural Diversity



"Mapping Cultural Diversity: Good practices from around the globe" é uma iniciativa do U40-Programme - Cultural Diversity 2030, cujo objectivo é contribuir para o debate sobre a promoção e a protecção das diferentes expressões culturais, propostos na Convenção da UNESCO para a Diversidade da Expressão Cultural.

A Convenção procura, por intermédio do seu objetivo principal – a protecção e a promoção da diversidade das expressões culturais – "criar um ambiente conducente à afirmação e à renovação da diversidade de expressões culturais em benefício de todas as sociedades. Ao mesmo tempo, reafirma os laços que unem cultura, desenvolvimento e diálogo, estabelecendo uma plataforma inovadora para a cooperação cultural internacional. (...) lida com muitas formas de expressão cultural que resultam da criatividade de indivíduos, grupos e sociedades, enquanto comunicam conteúdos culturais com sentido simbólico, bem como os valores artísticos e culturais que se originam de identidades culturais ou as expressam.

(...) Ao enfocar a proteção e a promoção da diversidade das expressões culturais, a Convenção reconhece que, num mundo cada vez mais interconectado, cada indivíduo tem direito a aceder, livre e imediatamente, a uma rica diversidade das expressões culturais, sejam elas do seu país ou de outros." Convenção da UNESCO para a Diversidade da Expressão Cultural (Conferência Geral da UNESCO, 2005).