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1.6.13

Asilo para a Infância Desvalida


                              Zincogravura. c. 1926. Museu Regional de Imprensa de Fafe

Na segunda metade do século XIX, os emigrantes regressados do Brasil - “Brasileiros de Torna Viagem” - imbuídos do espírito franco maçom de auxílio mútuo, envolveram-se em iniciativas filantrópicas de natureza social, cultural e cívica: escolas, jardins, hospitais e asilos.

António Joaquim Vieira Montenegro, natural de Travassós, rico comerciante do Brasil, faleceu em Janeiro de 1874, na cidade de Lisboa. Deixou em testamento 15 300$000 réis a favor das meninas pobres do concelho e 7.600$000 réis para a construção de uma escola de instrução primária em Travassós, sendo testamenteiro José António Martins Guimarães e a Câmara constituída como a administradora.

O Asilo para a Infância Desvalida foi fundado em 8 de Junho de 1877 e os Estatutos aprovados em 11 de Junho do mesmo ano. O edifício, situado na agora denominada Rua de Montenegro, foi concebido pelo Eng. Frederico Augusto Pimentel.

FREDERICO AUGUSTO PIMENTEL (1849-1925) 
Engenheiro, autor do projecto do Asilo para a Infância Desvalida. Residiu em Braga. Foi, durante doze anos, director das obras públicas do distrito de Santarém.

Realizou com os arquitectos Bento Fortunato de Moura Coutinho de Almeida d'Eça, Joaquim Simões Margiochi e António Lourenço da Silveira o projecto da construção da Ponte D. Luís, Santarém (1876-1881). Supervisionou com António Lourenço da Silveira a instalação da cúpula de 49 metros de diâmetro do Coliseu dos Recreios, Lisboa, que havia sido encomendada à firma berlinense Hein Lehman & Co. (1889).

Foi director dos Caminhos de Ferro do Algarve e depois nomeado director geral dos Serviços de Obras Públicas. Teve o posto de coronel honorário de Engenharia.

Autor de obras sobre engenharia, nomeadamente, o “Manual do apontador para uso dos apontadores, empreiteiros e mestres d'obras”, (1877). Lisboa: Livraria Editora de Mattos Moreira & C.a.

6.3.13

Hospital de São José da Misericórdia de Fafe


O edifício do Hospital deve a sua construção ao financiamento dos “Brasileiros de Torna – Viagem”, sendo uma réplica arquitectónica de outro, construído no Rio de Janeiro e propriedade da Sociedade Portuguesa de Beneficência, inaugurado no dia 16 de Setembro de 1858. No mesmo ano, a 8 de Abril, os fafenses emigrados no Rio de Janeiro, reuniram-se formalmente, decidindo fundar o Hospital na Vila de Fafe.
A construção do Hospital de São José da Misericórdia de Fafe foi iniciada quatro meses depois da inauguração do Hospital da Beneficência do Rio de Janeiro, constituindo o de Fafe uma réplica quase fiel do edifício brasileiro.
Em 6 de Janeiro de 1859 foi lançada a primeira pedra do Hospital de São José da Misericórdia de Fafe e, em 19 de Março de 1863, foi inaugurada a primeira fase de construção.
A obra foi inicialmente orçamentada em “5 000$00 sonantes” que não foram suficientes.

3.4.12

Documento do mês

Fotografia Manuel Meira

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe foi fundada no dia 19 de Abril do ano de 1890. João Crisóstomo foi o seu principal fundador. Os primeiros estatutos, de 1891, vigoraram até ao ano de 1975.

Na imprensa local podemos encontrar múltiplas referências ao trabalho da Associação e aos actos de coragem e entrega dos Bombeiros Voluntários, assim como, ao seu fundador, em particular no Almanaque Ilustrado de Fafe (1909-2000), publicação anual fundada por Artur Pinto Bastos.

O Museu de Imprensa integra uma colecção de 1500 gravuras, matrizes únicas de admirável valor plástico e patrimonial, datadas de finais do século XIX até às últimas décadas do século XX. A técnica da gravura em metal começou a ser utilizada na Europa no século XV.

As matrizes podem ser feitas sobre placas de cobre, zinco ou latão, e gravadas com incisão directa ou pelo uso de banhos de ácido. As técnicas mais usuais são água-forte, água-tinta e ponta seca.

No presente ‘Documento do mês’ encontram-se em exposição duas gravuras em zinco, datadas de 1920 e de 1949, que foram utilizadas em posteriores edições anuais do Almanaque Ilustrado de Fafe, assim como, no Jornal ‘O Desforço’ na ilustração de notícias relativas aos Bombeiros Voluntários de Fafe.

25.1.12

João Crisóstomo

Fotografia Manuel Meira


A rubrica 'Documento do mês' é dedicado a João Crisóstomo, pioneiro do jornalismo em Fafe e fundador dos Bombeiros Voluntários. Nasceu na freguesia de Prazins (Guimarães), em 1 de Janeiro de 1864, filho de João Crisóstomo de Sousa Moreira e de Rosa Pereira de Sousa e faleceu em Moreira de Rei, neste concelho, terra de sua mãe, em 26 de Fevereiro de 1895. Aos 10 anos, iniciou os estudos preparatórios, como aluno do Colégio de S. Carlos, no Porto, e poucos anos depois continuava esses preparatórios em Coimbra, para mais tarde se matricular na Faculdade de Direito, que abandonou.

Abandonados os estudos, fixou a sua residência em Fafe e tomou parte nas lutas políticas travadas entre progressistas e regeneradores. Para combater a facção progressista, ainda muito jovem, na casa dos 20 anos, fundou e dirigiu consecutivamente três jornais: O Calvário da Granja (1886-1888), a Gazeta de Fafe (1889) e O Desforço, cujo primeiro número surgiu em 21 de Setembro de 1892 e se publicou até finais do ano 2000. Em todos eles, deixou notáveis artigos de polémica.


É conhecido como um dos fundadores e primeiro presidente e comandante dos Bombeiros Voluntários de Fafe (19 de Abril de 1890). Além da sua actividade jornalística e social, desempenhou ainda o cargo de vereador da Câmara de Fafe, para o qual foi eleito por duas vezes. Desempenhou aquele cargo até à sua prematura morte, por incurável doença, para a época, contava o jovem apenas 31 anos de idade.

Bibliografia: O Desforço, 7 de Mar. de 1895, pp.1-3 e 20 de Jan. de 1944, pp. 1-2
Dicionário dos Fafenses de Artur Ferreira Coimbra, 2001

3.10.11

Arthur Napoleão

Iniciamos o mês de Outubro com as comemorações do Dia Mundial da Música, razão pela qual a rubrica "Documento do Mês" é dedicada ao compositor Arthur Napoleão.


Em exposição encontra-se a reprodução da partitura da sua peça para piano "Recordações de Fafe" (Souvenir de Fafe), dedicada ao Ex.mo Sr. Commendador Albino de Oliveira Guimarães, fafense que no século XIX emigrou para o Brasil e aqui também já lembrado devido à construção do Jardim do Calvário. Esta reprodução da partitura foi recentemente doada ao Museu pelo nosso Amigo do Museu das Migrações, comendador António Barros.

Breve biografia de Arthur Napoleão (Arthur Napoleão dos Santos):
"Pianista, professor e compositor, nasceu na cidade do Porto em 6/3/1843 e faleceu em 12/5/1925 no Rio de Janeiro.
Aos sete anos, deu seu primeiro concerto de piano, que obteve alguma repercussão no meio musical europeu.

Apresentou-se então em várias capitais do continente, tocando para a rainha Vitória, da Inglaterra, o rei da Prússia e Napoleão III, da França. Foi aplaudido por importantes compositores da época. Acompanhou ao piano dois famosos violinistas, Henri Vieuxtemps (1820—1881) e Henryk Wieniawsky (1835—1880).
Foi ao Brasil pela primeira vez em Agosto de 1857, apresentando-se em quatro concertos no Teatro Lírico Fluminense, no Rio de Janeiro. Compôs nessa ocasião uma polca-mazurca para piano intitulada Uma primeira impressão do Brasil.


Em Janeiro do ano seguinte tocou no Teatro São Pedro de Alcântara, e a 10 de Fevereiro realizou uma festa de despedida no Teatro Lírico Fluminense. Cinco anos depois iniciou uma tournée pela Europa e Américas.

Em 1866 transferiu-se definitivamente para o Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. Três anos depois fundou uma loja de instrumentos musicais, e no mesmo ano, em sociedade com Narciso José Pinto Braga, a loja Narciso & A. Napoleão, editora que durante um século teve o seu nome e um papel de destaque no estímulo à produção musical brasileira. Foi professor de piano, tendo entre seus alunos Chiquinha Gonzaga e João Nunes.


Escreveu estudos de técnicas pianísticas baseados nos exercícios de Johann Baptist Cramer (1771—1858), oficialmente adoptados pelo Conservatório de Música do Rio de Janeiro, editados pela Casa Schott, de Milão, Itália.


Dedicou-se também à composição, e em 1883 fundou, com o violinista cubano José White (1836-1918), a Sociedade de Concertos Clássicos, onde se apresentou diversas vezes como pianista."
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

16.6.11

Eustáquio Sequeira Mendes

Fotografia de Manuel Meira


A rubrica "Documento do mês" é dedicado à figura de Eustáquio Sequeira Mendes com destaque para a fábrica da qual foi proprietário.
Eustáquio Sequeira Mendes - “Brasileiro de torna-Viagem” casado com Arminda da Rocha Mendes, foi fundador proprietário e sócio gerente da Fábrica Fafense de Gazosas, Refrigerantes e Laranjadas “Santo Ovídio” (1918), da firma Arminda da Rocha Mendes & C.ª.



Panfleto publicitário da Fábrica.

Na imprensa local da época encontramos os anúncios publicitários que então anunciavam a émpresa. Reproduzimos o texto que foi publicado no "Almanaque Ilustrado de Fafe" de 1919, p. 61, acompanhado da fotografia do seu fundador.



Fábrica Fafense de Gazosas, Refrigerantes e Laranjadas “Santo Ovídio” (c. 1918), de Arminda da Rocha Mendes & C.ª. – Fafe

Eustáquio Sequeira Mendes
sócio e gerente da fábrica

- EXPORTA-SE PARA TODO O PAÍS -
Grandes descontos para revendedores
SÃO OS MELHORES REFRIGERANTES

Nesta bem montada fábrica, existe o mais escrupuloso aceio e limpesa, todos os preceitos higiénicos. Executa qualquer encomenda com prontidão.



Eustáquio Sequeira Mendes construiu em 1921 uma casa de dimensões significativas no mais puro estilo Arte Nova, só comparável nas dimensões às que se tinham construído nos finais do séc. XIX. Possuía uma decoração muito naturalista, quer nos azulejos florais de cores esbatidas, quer nas varandas muito simples em ferro forjado com estilizações naturalistas, numa estrutura vertical marcada pelas linhas verticais em cantaria. Esta casa estava localizada na actual Rua Major Miguel Ferreira e foi, em Fafe, a última das construções do “brasileiro”, fechando o ciclo de prosperidades e da importação de capitais do Brasil.” Foi demolida em 1983. Bibliografia: Miguel Monteiro, “Fafe dos Brasileiros (1860-1930) – Perspectiva histórica e patrimonial”.