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17.8.11

Lançamento do livro "A Terra do Chiculate"



Como anunciado, decorreu no passado dia 12 no auditório da Biblioteca Municipal de Fafe o lançamento da obra A Terra do Chiculate – relatos da emigração portuguesa, de Isabel Mateus. Como previamente divulgado, a apresentação esteve a cargo de Nathalie Oliveira, autarca de Metz, França. A sessão contou ainda com a presença e participação de Maria da Conceição Tina Melhorado - “a menina da fotografia” do catálogo da exposição de Gérald Bloncourt “Por uma vida melhor” – e uma sala cheia, com um público que se deslocou de várias cidades do Minho para assistir ao lançamento.


Nathalie Oliveira, luso-descendente, apresentou a obra não só do ponto de vista literário, mas também num tom mais confessional, a sua perspectiva enquanto luso-descendente. Neste sentido, mostrou-se atenta e informada sobre o período da história recente do nosso país, sobretudo os anos 60 e 70, décadas nas quais se registou o maior número de saídas de emigrantes que partiram clandestinamente de Portugal para França. Referiu também a importância de conhecer a história individual, as circunstâncias em que pais e avós emigraram, para melhor entender o presente e sobretudo, compreender a própria identidade, orgulhosamente.




Maria da Conceição Tina Melhorado, a ‘menina da fotografia’, falou sobre este período, que foi vivido na clandestinidade, na sua maioria nos bidonvilles (bairros de lata) e que é ainda muito recente, necessitando portanto de algum distanciamento. Passados 50 anos, talvez tenha chegado o momento de olhar, de escrever sobre, para melhor compreender e respeitar aqueles que tudo arriscaram, inclusive a própria vida, em busca de melhores condições de vida. Curiosamente, estas partidas, tinham maioritariamente na sua origem, o sonho de dar uma vida melhor aos filhos. Tina Melhorado assume-se assim – como alguém que dá voz às crianças cujos pais arriscaram tudo para lhes proporcionar tudo. Hoje, vive em Coimbra e é docente do ensino secundário – tem duas filhas e um filho com partilhou a sua história, e a quem pode proporcionar tudo. Falou-nos das suas memórias, do quanto gosta de chocolate, principalmente negro, que associa à viagem clandestina para França, pois era-lhe dado pelo passador, para que não fizesse barulho e aguentasse a viagem.


Contou ainda a história da boneca, com a qual o Gérald Bloncourt a fotografou em St. Dennis em 1966, e que afinal foi a promessa cumprida, a prenda que a mãe lhe deu para que ela partisse sem dizer nada a ninguém, em particular ao vizinho, que era polícia. Uma partilha grandiosa da Tina Conceição, um momento que nos explica afinal algumas das perguntas e inquietações que ficaram da exposição de Gérald Bloncourt “Por uma vida melhor”.


Isabel Mateus agradeceu a todos aqueles que contribuiram para a edição e o lançamento do livro e falou então do seu trabalho literário que contém pessoas e histórias de um tempo e de lugares que importa trazer à luz, em especial porque unem percursos biográficos de mais do que uma geração, numa tentativa de compreensão mútua. No final da sessão vários foram ainda os contributos dos participantes, nomeadamente daqueles com histórias de vida em contexto de emigração. Foi discutido o papel dos passadores, figura controversa do ‘salto’ com diferentes níveis de acção em função das regiões onde actuavam – Bragança ou Fafe ou Guimarães, Viana do Castelo ou Melgaço, entre outras eram diferentes; a construção de Paris, as razões da partida, a ditadura e a Guerra colonial, entre outros testemunhos de cariz mais pessoal e intimista. Um belo serão que se prolongou pela noite dentro.
No final, Isabel Mateus deu ainda uma entrevista para o Canal TV, que tem realizado um grande trabalho de cobertura das actividades culturais da região – em divulgação agora também d’A Terra do Chiculate – relatos da emigração portuguesa.


Fotografias de Manuel Meira.

1.8.11

Gente do Salto

Na rúbrica "Documento do mês" apresentamos elementos sobre o trabalho do cineasta José Vieira, nomeadamente Gente do Salto, que reúne sete curtas-metragens sobre a emigração clandestina para França.

Partindo da sua experiência como emigrante e das memórias de muitos portugueses que partiram para França nos anos 60 “a salto”, José Vieira traça um retrato da história recente de Portugal.

No início dos anos sessenta, milhares de portugueses chegavam clandestinamente a França. Portugal vivia sob o domínio de uma ditadura obscurantista, isolado e atolado em guerras coloniais. Dezenas de milhares de homens e mulheres fugiam à pobreza, ao serviço militar e ao regime de Salazar, deixando ilegalmente o país. Depois de atravessar a fronteira francesa e espanhola, pondo a vida em risco, de barco, a pé através das montanhas ou escondidos em camiões, muitos chegavam à Gare d'Austerlitz, Paris, dos quais 9 em cada 10 estavam em situação irregular.

Estes documentários integram ainda testemunhos de emigrantes que regressaram à terra natal depois de uma longa ausência. É a História feita pelos homens e mulheres que partiram um dia para dar uma vida melhor aos filhos. Muitos portugueses revêem-se neste trabalho de José Vieira e os jovens da segunda e terceira geração descobrem agora a história, por vezes omitida, dos seus pais e avós.

13.7.11

A Terra do Chiculate

Lançamento do livro "A Terra do Chiculate - Relatos da Emigração Portuguesa" de Isabel Mateus, no próximo dia 12 de Agosto, pelas 21h30 no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe.

A obra será apresentada por Nathalie de Oliveira, autarca da Câmara Municipal de Metz (França) e contará com a presença e participação da professora Maria da Conceição Tina Melhorado - a menina da foto do catálogo da exposição "Por uma vida melhor" de Gérald Bloncourt - fotografada nos anos 60, e incluída na página 86 deste livro.

A Terra do Chiculate pretende retratar as vicissitudes da emigração portuguesa, maioritariamente clandestina, em França, a partir dos anos 60, e revelar as suas consequências positivas e negativas transportadas até ao presente, quer na pátria, quer no país de acolhimento.

Ao mostrar o difícil passado recente da emigração portuguesa, A Terra do Chiculate alerta, igualmente, para a vigência e a actualidade do tema da emigração clandestina neste início de século.

A obra divide-se em três partes e dá voz, através dos seus relatos, na primeira pessoa, aos seus “reais protagonistas”. Deste modo, os protagonistas do livro partilham com o leitor a sua realidade mais íntima que, em muitos casos, ainda não tinha sido exteriorizada, inclusive, no seio da própria família.

Na primeira parte, intitulada “Naufrágio”, a narração da criança, entregue aos cuidados da avó materna, com apenas 12 meses, centra-se nas suas memórias indeléveis da infância e da juventude, exprimindo, sobretudo, o modo como a ausência dos seus pais se reflecte, de forma nefasta, na sua vida. Aliás, a sua experiência individual remete a temática para um panorama mais vasto, pois a sua situação vai ao encontro da mesma realidade familiar e social de tantas outras crianças e jovens do Portugal rural, principalmente do Norte e Interior do país, durante a época da Ditadura.

A segunda parte, “Viagem(ns)”, trata dos percursos de vida daqueles que deram “o salto”, isto é, dos seus sucessos e infortúnios provenientes desta epopeia da era moderna. Entre outras, aqui perpassam as histórias do passador, da criança e dos jovens arrancados à terra de origem, bem como as referentes aos homens e às mulheres e aos seus muitos trabalhos que passaram para se adaptarem ao novo país, à língua e à cultura.
No presente, “os protagonistas” mais idosos desta efeméride deparam-se com outro tipo de problemas: surge o dilema do regresso para Portugal ou da sua permanência em França ou, então, a opção pelo contínuo vaivém entre os dois países, até que as suas forças físicas e psicológicas o permitam.
Quanto às várias gerações de luso-descendentes, debatem-se pela procura e pela afirmação da sua identidade portuguesa, resolvendo deste modo o conflito, por vezes existente, entre o desequilíbrio da influência das culturas francesa e lusa.

A última parte da obra resulta das impressões de viagem do narrador adulto em peregrinação pelos espaços da diáspora dos primeiros emigrantes portugueses, onde se incluem os seus próprios pais, os seus familiares e os seus amigos. A partir daqui, pretende-se que as suas reflexões e considerações elucidem o leitor acerca deste período da emigração ainda mal conhecida por muitos e, até então, com aspectos por desmistificar.

Podemos concluir que nestes relatos as vozes do Passado e do Presente se fundem e se confrontam, tendo o objectivo primordial de dar continuidade ao seu legado da portugalidade no país de acolhimento, ao mesmo tempo que se reafirma a mesma intenção em relação ao território português.

16.6.11

Eustáquio Sequeira Mendes

Fotografia de Manuel Meira


A rubrica "Documento do mês" é dedicado à figura de Eustáquio Sequeira Mendes com destaque para a fábrica da qual foi proprietário.
Eustáquio Sequeira Mendes - “Brasileiro de torna-Viagem” casado com Arminda da Rocha Mendes, foi fundador proprietário e sócio gerente da Fábrica Fafense de Gazosas, Refrigerantes e Laranjadas “Santo Ovídio” (1918), da firma Arminda da Rocha Mendes & C.ª.



Panfleto publicitário da Fábrica.

Na imprensa local da época encontramos os anúncios publicitários que então anunciavam a émpresa. Reproduzimos o texto que foi publicado no "Almanaque Ilustrado de Fafe" de 1919, p. 61, acompanhado da fotografia do seu fundador.



Fábrica Fafense de Gazosas, Refrigerantes e Laranjadas “Santo Ovídio” (c. 1918), de Arminda da Rocha Mendes & C.ª. – Fafe

Eustáquio Sequeira Mendes
sócio e gerente da fábrica

- EXPORTA-SE PARA TODO O PAÍS -
Grandes descontos para revendedores
SÃO OS MELHORES REFRIGERANTES

Nesta bem montada fábrica, existe o mais escrupuloso aceio e limpesa, todos os preceitos higiénicos. Executa qualquer encomenda com prontidão.



Eustáquio Sequeira Mendes construiu em 1921 uma casa de dimensões significativas no mais puro estilo Arte Nova, só comparável nas dimensões às que se tinham construído nos finais do séc. XIX. Possuía uma decoração muito naturalista, quer nos azulejos florais de cores esbatidas, quer nas varandas muito simples em ferro forjado com estilizações naturalistas, numa estrutura vertical marcada pelas linhas verticais em cantaria. Esta casa estava localizada na actual Rua Major Miguel Ferreira e foi, em Fafe, a última das construções do “brasileiro”, fechando o ciclo de prosperidades e da importação de capitais do Brasil.” Foi demolida em 1983. Bibliografia: Miguel Monteiro, “Fafe dos Brasileiros (1860-1930) – Perspectiva histórica e patrimonial”.

17.5.11

Mnemo-Grafias Interculturais

Fotografias de Manuel Meira


No passado dia 10 de Maio Fafe recebeu um grupo de trabalho internacional composto de estudantes alemães, italianos e portugueses da Universität Hamburg, da Università di Salerno e da Universidade do Minho - e os respectivos docentes e representantes daquelas Universidades - Dr.ª Sofia Unkart (Hamburgo), Prof.ª Nicoletta Gagliardi (Salerno) e Prof.º Mário Matos (Uminho, Portugal).
A tarde iniciou com a realização de uma visita ao Museu das Migrações e das Comunidades através da qual foi possível traçar linhas comparativas entre a realidade e representações dos diferentes países. Esta visita realizou-se no âmbito do programa das XII Jornadas de Cultura Alemã do Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho e incluiu no amplo programa, apresentações de trabalhos realizados por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais".



Neste âmbito o grupo de trabalho foi posteriormente recebido no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe pelo vereador da Cultura da Câmara Municipal de Fafe, Dr. Pompeu Martins, seguindo-se as duas apresentações de trabalhos realizados em português pelos alunos que, na Alemanha, estudam a língua e a cultura portuguesa. Os dois trabalhos foram subordinados ao tema “Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo”, centrados nas representações interculturais e nos fenómenos migratórios.
O primeiro centrou-se na história do actual navio museu Rickmer Rickmers, um veleiro construído nos estaleiros Rickmers Werft em Bremerhaven, na Alemanha e pela primeira vez lançado à água em 1896. Em 1912 o navio foi vendido ao armador de Hamburgo, Carl Christian Krabbenhöf, sendo rebaptizado Max.
A sua história está fortemente ligada a Portugal. Aquando da 1ª Guerra Mundial, em 1916 o Governo de Portugal havia decretado o aprisionamento dos navios alemães e austro-húngaros ancorados nos portos portugueses. O Max que se então se encontrava atracado no porto da Horta, foi aprisionado, serviu os ingleses e posteriormente (1924) redenominado Sagres vindo a ser utilizado como navio-escola da Marinha Portuguesa, entre 1927 e 1962. Foi posteriormente adquirido pela associação alemã Windjammer für Hamburg e restaurado para ir ancorar finalmente no porto de Hamburgo como navio museu Rickmer Rickmers. De seguida foi feita a apresentação do porto de Hamburgo - Landungsbrücken - e do Bairro Português onde ainda hoje existe bem visível e activa a presença dos portugueses, em particular através do comércio e da gastronomia (ex.: os restaurantes portugueses, o “galão” e os pastéis de nata).
Recuando ao século XVII foi de seguida apresentado o tema “A Jerusalém do Norte: nos trilhos da imigração portuguesa em Hamburgo” no qual foram apresentados aspectos históricos e culturais da imigração portuguesa e a herança portuguesa em Hamburgo.


As razões da escolha de Hamburgo pelos portugueses que, então, eram maioritariamente judeus sefarditas – em 1652 viviam em Hamburgo 1200 portugueses – sobretudo uma classe de aristocratas comerciantes, banqueiros ou médicos e cuja partida tem na origem em particular as perseguições de que foram alvo pela Inquisição.
Foi ainda apresentado o cemitério Judeu de Altona, o mais antigo do norte da Europa e aguarda o reconhecimento de Património Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Este espaço da comunidade judia de Altona remonta ao século XVI mas esteve encerrado desde o século XIX. Nos anos 1960 foi alvo de obras de restauro e conservação – das 8000 lápides 6000 foram conservadas. O cemitério está dividido sendo que numa parte se encontram sobretudo os túmulos dos sefaradi (judeus ibéricos) portugueses, com lápides ricamente ornamentadas e inscrições lusitanas; na outra parte estão os asquenazes ou asquenazitas - judeus provenientes da Europa Central e Europa Oriental - cujos túmulos têm estelas na vertical com inscrições em hebraico. (O termo asquenaze provém do termo do hebraico medieval para a Alemanha, chamada Ashkenaz - אשכנז).

Entre os túmulos, encontram-se os nomes de Frommet Mendelsohn, a mulher do filósofo Moisés Mendelsohn, e a avó do compositor nascido em Hamburgo, Felix Mendelsohn Bartholdy; também o do pai do escritor Heinrich Heine, Samson Heine.

Nesta bela tarde vieram até nós outros aspectos da emigração portuguesa - Hamburgo desde o século XVII.
Outra época, outras razões. Outros actores, outras representações.

10.5.11

Liberdade de Imprensa

Fotografia Manuel Meira

A rubrica "O documento do mês" é dedicado à Liberdade de Imprensa, assinalada em particular, no passado dia 3 de Maio. Destacamos exemplares do acervo documental do Núcleo/Museu de Imprensa do jornal "O Desforço", vistos pela Comissão de Censura e correspondêndia trocada entre a Direcção dos Serviços de Censura e a Directora daquele jornal, Isaura Lusitana Pintos Bastos, na década de 1960.


Apresentamos de seguida uma breve visão histórica sobre o percurso da Liberdade na Imprensa.
"O exercício do direito de liberdade de imprensa foi objecto de uma Lei do Ministério da Justiça, publicada em 28 de Outubro de 1910. O referido diploma advogava a livre circulação das publicações, sem qualquer caução, censura ou autorização prévia, embora determinasse os limites dessa mesma liberdade de imprensa.

A partir do 28 de Maio de 1926 a imprensa começou a sentir o efeito da censura prévia, mesmo antes da legalização desta, em 1933. Visava todas as publicações periódicas, folhas volantes, folhetos e cartazes que tratassem de assuntos políticos e sociais.

O exercício da censura estava a cargo das Comissões de Censura, de nomeação governamental, subordinadas ao Gabinete do Ministro do Interior, por intermédio da Comissão de Censura de Lisboa. Esta Comissão teve como sucessoras, ainda em 1933, a Direcção Geral dos Serviços de Censura, e em 1935, a Direcção dos Serviços de Censura.

Com o alargamento das suas competências em 1936, a Direcção dos Serviços de Censura passou a intervir na fundação, circulação, distribuição e venda de publicações, nomeadamente estrangeiras, que contivessem matérias cuja divulgação não fosse permitida em publicações portuguesas.

A Direcção dos Serviços de Censura superintendia os Núcleos Regionais de Lisboa, Porto e Coimbra, dos quais por sua vez dependiam as Delegações espalhadas por todo o país.

Em 1940, foi criado, na Presidência do Conselho de Ministros, um Gabinete de Coordenação dos Serviços de Propaganda e Informação, presidido pelo próprio Presidente do Conselho, que integrava os responsáveis do Secretariado da Propaganda Nacional, da Direcção dos Serviços de Censura e da Comissão Administrativa da Emissora Nacional de Radiodifusão. Competia ao Gabinete de Coordenação dos Serviços de Propaganda e Informação coordenar as actividades de propaganda e informação dos diversos serviços públicos e assegurar a execução das directrizes governamentais relativas a essas matérias.

A Direcção dos Serviços de Censura foi mantida sob a tutela do Ministério do Interior até 1944, data a partir da qual o Secretariado Nacional de Informação passou a concentrar não só as funções do órgão que exercia a censura, mas também todas as competências do Secretariado de Propaganda Nacional e dos serviços de turismo.

Em 1972 a Direcção dos Serviços de Censura foi transformada numa Direcção Geral da Informação e a "censura" recebeu a designação de "exame prévio". in Portal Português de Arquivos

3.5.11

Viagens virtuais pelos lugares de memória

O programa das XII Jornadas de Cultura Alemã do Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho inclui no amplo programa, apresentações de trabalhos realizados por alunos do Programa Intensivo ERASMUS/LLP "Mnemo-Grafias Interculturais".

O Programa Intensivo - "Mnemo-Grafia Intercultural - Portugal, Itália e Alemanha em representações transmediais desde o século XIX" é uma iniciativa do Departamento de Estudos Germanísticos da Universidade do Minho e teve desde as primeiras diligências uma aceitação genérica por parte das universidades de Salerno e Hamburgo.

"A ideia subjacente ao programa é que toda a representação intercultural é – à semelhança da construção de «lugares de memória» nacionais – passível de ser entendida como um complexo processo semiótico, cujos multifacetados mecanismos e modos de funcionamento devem ser analisados numa perspectiva transcultural e transmedial."

O objecto de estudo definido são as "representações interculturais dos três países participantes deste projecto não só nos tradicionais média impressos (literatura, guias turísticos, etc.) como nos novos média audiovisuais e digitais (filme, internet), dando-se assim conta da crescente complexidade dos contactos entre culturas na era da hipermobilidade (turismo de massas) e da hipermedialidade.” in http://www2.ilch.uminho.pt/deg/

Neste âmbito o Município de Fafe vai receber no próximo dia 10 de Maio após visita ao Museu das Migrações e das Comunidades, pelas 16h, no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe duas “Viagens Virtuais” pelos espaços de memória:

- Os Lugares de Memória de Salerno e de Hamburgo

- Os Lugares da Memória Luso-Alemã em Hamburgo

Com a presença do grupo de trabalho internacional composto de professores e estudantes alemães, italianos e portugueses da Universität Hamburg, da Università di Salerno e da Universidade do Minho.
Entrada livre.

26.4.11

Florêncio Monteiro Vieira de Castro

Após várias pesquisas e tentativas para se conhecer o rosto da importante personalidade de Florêncio Monteiro Vieira Castro, conseguimos quase por acaso, junto da Dra. Eduarda Gonçalves um retrato seu.

Numa amena conversa e pesquisa para a conclusão da tese de doutoramento de Luísa Langford, - para a qual os testemunhos da M. Eduarda Leite Castro Gonçalves e Francisco António Leite Castro, descendentes de José Alves de Freitas e de Adélia Martins Monteiro Vieira de Castro, foram tão importantes, vendo álbuns e lendo cartas, a propósito de fotos e das auto-representações de outros tempos, encontramos uma fotografia de Florêncio Monteiro Vieira Castro. A fotografia encontra-se no álbum que em 2008 a família cedera para a exposição “Terra Longe, Terra Perto” que o Museu das Migrações promoveu em parceria com o Museu da Presidência. Aqui a reproduzimos - a História ganhou um rosto.


Florêncio Monteiro Vieira Castro (1853-1925) nasceu a 21 de Março de 1853, em Santa Eulália, Fafe. Faleceu em 4 de Junho de 1925.
Foi casado com Gracinda Sousa Carneiro Veira Castro, nascida em Santa Eulália, Fafe (1/10/1875)-(26/2/1939), sobrinha do “Brasileiro” Fortunato José de Azevedo, proprietário de dois palacetes contíguos, na Rua António Saldanha.

Florêncio Monteiro Vieira Castro foi Juiz Conselheiro, líder do Partido Progressista, advogado, e em 1881, com apenas 27 anos, Administrador do Concelho.
Em 1907 foi o organizador da comissão que promoveu as festividades de inauguração da chegada do caminho-de-ferro a Fafe.
Participou com os irmãos Monsenhor João e Álvaro “Brasileiro” na fundação do Clube Fafense em 1901. Monárquicos convictos, receberam em sua casa o Rei D. Carlos, por breves momentos na sua casa, aquando da passagem deste para as termas do Vidago.


Notamos que a avó da Dra. Eduarda - Adélia Martins Monteiro Vieira de Castro (1863-31/7/1918)- era filha de Maria Monteiro Vieira de Castro (23/07/1844-1872) e do “Brasileiro” José António Martins Guimarães (1828-01/09/1911) - (31/07/1918), neta do “Brasileiro” Miguel António Monteiro de Campos, pai de Florêncio, portanto sobrinha de Florêncio Monteiro Vieira Castro. Logo este seria tio-avô de Eduarda Leite Castro Gonçalves e Francisco António Leite Castro.

3.4.11

22 de Abril - Dia da Comunidade Luso Brasileira

Fotografia de Manuel Meira

Na rubrica "Documento do Mês" evocamos o Brasil e a chegada dos portugueses a terras de Vera Cruz, assinalando o dia 22 de Abril - Dia da Comunidade Luso Brasileira.
Data do encontro da expedição dos portugueses com a terra e as gentes além-mar, que se viria a manter ao longo dos séculos - em 22 de Abril de 1500 chegavam ao Brasil 10 naus e 3 caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral. A evocação desta data foi fundada em 1967 pelos dois governos - Portugal e Brasil -, foi instituída pelo senador brasileiro Vasconcelos Torres e deveria ser comemorado nos dois países, já que é nesse dia que se celebra o “achamento do Brasil”.
A comunidade Luso Brasileira mantém muito viva este encontro e existem numerosas publicações que reforçam os laços e as histórias que unem estes dois países. Desta comunidade fazem parte portugueses que emigraram para o Brasil, assim como, os seus descendentes que sentem o Brasil também como a sua pátria.

31.3.11

Américo Lopes de Oliveira

No centenário do nascimento do escritor e jornalista Américo Lopes de Oliveira (1911-2003), carismática figura das letras, lembramos a sua vida e obra.

"Américo Lopes de Oliveira Nasceu em Lisboa em 31 de Março de 1911. Completou o curso liceal entre 1929 e 1932. Foi funcionário da Caixa Geral de Depósitos e cursou a Escola dos CTT onde desempenhou vários serviços: chefe de turno, serviços de secretaria, instrutor para candidatos a OPR, aposentando-se como 2º oficial a 21 de Janeiro de 1959. Cursou Ciências Físico-químicas na Universidade Clássica de Lisboa. Foi bolseiro do Governo Espanhol, do Curso de Jornalismo, na Universidade Internacional Menendez Playo, de Santander (1957-1959).

Colaborou, desde muito novo, em jornais, revistas e fez parte de diversas redacções: Flama, Diário de Lourenço Marques, Correio do Minho, O Primeiro de Janeiro, Novidades, etc. Deslocou-se, por diversas vezes, ao estrangeiro como "enviado especial" das redacções por onde passou ou a convite dos Governos, onde percorreu quase toda a Europa, África, América do Sul.

A. Lopes de Oliveira destacou-se ainda em programas de rádio. Na Rádio Renascença tinha os programas da sua autoria: "Panorama Radiofónico" e "Dilatando a Fé" e o "Império". Nas rádios locais destacou-se na Rádio Montelongo (Companheiros da Noite; Letras e Artes; Conversas da Arcada) e Rádio Clube de Fafe (Fim de semana).

Participou, no país e no estrangeiro, em congressos, encontros, colóquios. Participou na assembleia magna, da Real Academia Galega, da Corunha, em Braga, em 1955 e 1957. Fez parte, não só como colaborador, mas como redactor, da volumosa obra Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ao lado dos reconhecidos António Sérgio e Manuel Mendes, entre outros, e ainda da Enciclopédia Ultramarina e no Dicionário da História da Igreja em Portugal.

Em 1979 veio viver para Fafe, a convite do presidente da Câmara da altura, Parcídio Summavielle, para escrever a primeira monografia sobre o concelho. Em 1983 foi instituído um prémio bienal com o seu nome, o qual era subsidiado por si e pela Câmara Municipal de Fafe, inicialmente para o género de ficção e monografia e, posteriormente, para a modalidade Estudos histórico-sociais.

Foi sócio-correspondente da Real Academia da Corunha: delegado do nosso país da Academia Mondiale degli Artisti e Professionsti, de Roma (Itália); Conselheiro Nacional de Honra da Confederazione Generale Italiana Professionisti e Artistici, de Roma; membro do Centro Internacionale per Scambi Culturali e Artistici, de Roma; conselheiro de Honra e correspondente do Instituto Fernando el Católico, de Saragoça (Espanha).

Foi distinguido com a Medalha de Prata de Mérito Concelhio, em 1986, numa cerimónia que decorreu nos Paços do Concelho, no âmbito das comemorações do 25 de Abril. Faleceu em 2003, em Fafe."

Informação retirada com os devidos créditos do site desenvolvido no âmbito do Estágio Profissional de Carina Faria, na Biblioteca Municipal de Fafe, para divulgar e disponibilizar a vida e a obra de A. Lopes de Oliveira. Porque “a disponibilização deste espólio é fundamental para a preservação da memória, da história, da cultura e do património local.”

8.3.11

Mulheres do Séc. XIX em Fafe

Fotografia de Manuel Meira
Dedicamos o "Documento do Mês" às mulheres, que, tendo vivido numa sociedade dominada pela(s) figura(s) masculina(s), contribuiram para mudar o curso da história.

D. Felismina Summavielle

Pessoa muito estimada e conhecida em Fafe e outras terras, soube, com a sua mãe e persistência, fundar e elevar o famoso Hotel Central, vulgarmente conhecido por «Hotel de Felismina», onde se serviam os apreciados pão-de-ló e vitela de Fafe, além dos capitosos vinhos de Basto.
O Hotel Central era frequentado assiduamente por pessoas influentes como, por exemplo, o Conde de Paçô-Vieira, decisivo na chegada do comboio a Fafe, em 1907.
Era irmã do «brasileiro» António Summavielle e de Margarida Summavielle, mãe do Dr. José Summavielle Soares. Faleceu em 28 de Setembro de 1922, com 69 anos, tendo fechado o caixão o seu sobrinho Dr. José Summavielle Soares. Em 1924 faleceu, com 80 anos o seu marido António da Silva e Castro, como relata o jornal O Desforço a 23 de Outubro.

Texto e desenho de Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).


D. Georgette D’Anthonay Villas Boas

D. Georgette d’ Anthonay Villas-Boas era filha do cônsul francês em Manaus, capital da Amazónia, onde casou em 1900 com o opulento «brasileiro» José Cândido Ferreira Villas-Boas, de Medelo, emigrado naquela longínqua cidade.
D. Georgette enviuvou em 1925, tendo-se radicado em Fafe; era vulgarmente conhecida por «Madame do Soeiro».
Embarcou para Manaus, diz O Desforço de 26 de Outubro de 1931, tendo regressado em Junho de 1932. (…)
O ex-cônsul francês em Manaus, Barão d’ Anthonay e sua esposa Baronesa d’ Anthonay, estiveram em Medelo, de visita à sua filha D. Georgette, e regressaram a França encantados com Portugal, relata O Desforço de 16 de Agosto de 1956. Regressaram no ano seguinte, no mês de Julho, para passar aqui um mês.
No dia 30 de Maio de 1973, D. Georgette, a «Madame de Soeiro», fez 91 anos. Era uma senhora bondosa e compreensiva; quando o ano agrícola era mau, perdoava aos seus caseiros o que estivesse em falta; de uma forma geral, foi benemérita dos Medelenses.
Faleceu na sua Casa do Soeiro, no dia 15 de Setembro de 1973.

Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).


Prof.ª Francisca Ribeiro Leite

Francisca Ribeiro Leite fundou, por volta de 1915,uma Escola Primaria particular, que funcionou durante mais de 50 anos, na qual ensinava os alunos da 1.ª, 2.ª e 3.ª classes, sendo a 4.ª e 5.ª classes ministradas pelo professor João de Oliveira Frade, que chegou a ser Administrador do Concelho em 1912, tendo sido nomeado em 1914 membro do Conselho de Assistência Escolar. O professor Frade era também professor e secretário da escola Primária Superior, a partir da sua função, no ano lectivo de 1919/1920.
A escola de Francisca Ribeiro Leite era frequentada pelos filhos das famílias mais distintas de Fafe e funcionava no 1.º andar da casa do seu primo e padrinho, José António Dantas Guimarães, esquina da Rua Machado dos Santos (actual R. João XXIII). (…)
Francisca Ribeiro Leite (…) nas suas horas vagas, dedicava-se à pintura a óleo, nomeadamente pintura a óleo sobre seda, técnica geralmente utilizada em trabalhos de índole religiosa que lhe eram muitas vezes solicitados.
Faleceu em 24 de Maio de 1976, com 90 anos, estando sepultada, tal com os outros membros da sua família já falecidos, no jazigo de José António Dantas Guimarães e sua esposa Francisca de Jesus Leite, no cemitério municipal de Fafe. (…)

Texto e desenho de Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).

D. Laura Soares D’Oliveira Summavielle

Laura Soares d’Oliveira Summavielle, esposa do Dr. José Summavielle Soares, teve 4 filhas, Laura, Maria Margarida, Alice e Soledade, e 6 filhos, José, João, Miguel (falecido com 30 anos), Luís, Fernando e Elísio Summavielle Soares. Era muito amiga dos pobres, gostava de gracejar e de fazer a sua quadra.
Da sua pedreira de Pardelhas, foi a pedra toda para acabar a Igreja Nova, parada desde 1900.
Faleceu em 14 de Abril de 1971, com 92 anos, mas ainda lúcida; era expansiva, comunicativa, alegre.
O seu funeral foi grandioso.
O Desforço, anunciou para o dia 9 de Novembro de 1961, pelas 21 horas, no Teatro Cinema, uma sessão de propaganda eleitoral democrata, presidida pela sua filha D. Laura Summavielle Matos, viúva do Dr. Maximino Matos, falecido mais de 3 anos antes.

Luís Gonzaga Ribeiro Pereira Silva in ‘Fafenses nascidos no séc. XIX’ (Fafe: 2010, 2.ª edição).


15.2.11

Projecto Fly


Divulgamos um interessante projecto de investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa - Projecto Fly - e ao qual este Museu disponibiliza para investigação a sua colecção de correspondência particular do ínicio do século XX.

Excerto do artigo recentemente publicado no jornal "O Mundo Português".
"Investigadoras do Centro de Linguística da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa têm em mãos dois projectos que até hoje nenhum académico levou avante. Coordenadas por Rita Marquilhas, investigadora responsável e autora dos estudos, Mariana Gomes, Leonor Tavares e Ana Guilherme, estão a levar a cabo dois projectos que vão culminar na publicação de quatro mil cartas - duas mil do projecto ‘Cards’, do século XVI ao século XIX, e duas mil do projecto ‘Fly’, que abrange o período de 1900 a 1979.

Cartas escritas que vão ser reunidas num arquivo digital e ajudar a trazer um novo olhar sobre os portugueses. Entre essas, estão cartas de emigrantes, correspondência trocada entre portugueses que vivem no estrangeiro e os seus familiares. São «cartas de saudade», difíceis de obter e que originaram um apelo, dirigido a todos os que, em Portugal e no estrangeiro, possam contribuir para esta iniciativa.

Apelo à recolha de cartas

Foi a dificuldade na recolha de cartas no âmbito do projecto Fly, principalmente aquelas relacionadas com a Emigração, que motivou o apelo (imagem). Inicialmente, a pesquisa das cartas de emigração tem sido feita com base no SNI (Serviço Nacional de Informação), que está disponível na Torre do Tombo e no conhecimento de pessoas que tenham passado por essa experiência.

As investigadoras já começaram também a contactar instituições no estrangeiro, mas estão ainda à espera de respostas. “Temos feito chegar a informação a instituições que tenham contacto com emigrantes. A nível pessoal, fazemos mais por cá, individualmente”, explica Mariana Gomes.
E vão daqui a uma semana, começar a percorrer o país, desde Fafe, que acolhe o Museu da Emigração, a V. Nova de Famalicão, Vila Real, Aveiro, Coimbra, Leiria, etc. E enquanto percorrem o país, fazem «figas» para que os contactos do estrangeiro surtam efeito."

Pode aceder à notícia completa da divulgação deste interessante projecto em “O Mundo Português”
O projecto conta com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e é um enorme contributo para o conhecimento da História da Emigração. Colabore.

6.2.11

Filhos(as) da Emigração / Imigração Portuguesa

Divulgamos o programa da Conferência "Filhos(as) da Emigração / Imigração Portuguesa", que se realizará no próximo dia 24 de Fevereiro, no Instituto Francês de Portugal, Lisboa.

A conferência apresenta as seguintes questões centrais para debate e reflexão:

- Como são negociados os sentidos de pertença e as estratégias de representação por parte dos descendentes de e/imigrantes, considerando os seus relacionamentos identitários (nacionais/étnicos) e sociopolíticos (multi/interculturais)?

- Que estratégias identitárias desenvolvem e como as expressam face à invisibilidade/visibilidade no espaço público?

- Que estratégias identitárias e formas de participação activa desenvolvem no seu quotidiano (e.g. associativismo, grupos culturais/recreativos, grupos de lobby, movimentos virtuais, redes transnacionais, etc.)? Estas opções apontam para a participação plena na sociedade ou funcionam como escudos protectores alicerçados na preservação etno-cultural? E como se expressam face à invisibilidade/visibilidade no espaço público?

- Que aspectos e dimensões sobressaem na investigação científica sobre os percursos de integração e de socialização dos descendentes de e/imigrantes?


PROGRAMA
14:30 Abertura
Maria Isabel João – em representação da coordenação científica do CEMRI – UAb

14:45-16:45
Painel 1: Descendentes da emigração portuguesa
Moderação: Jean Gomes (Observatório dos Luso-Descendentes)
“Neste país, ser português também e ser canadiano”: as negociações identitárias dos luso-descendentes no Canadá multicultural – João Sardinha (CEMRI – UAb)

Tendências na identidade dos luso-venezuelanos – António Xavier (CIDEHUS - UÉvora)
Consumo mediático e identidades dos luso-descendentes em França – José Ricardo Carvalheiro (LAB-COM – UBI)

Estratégias culturais e identitárias de luso-descendentes em França: um olhar a partir da Associação Cap Magellan – Liliana Azevedo (Associação Cap Magellan)

Comentário: Maria Beatriz Rocha Trindade (CEMRI – UAb)

Debate
16:45-17:00 Pausa
17:00-19:00

Painel 2: Descendentes da imigração portuguesa
Moderação: Ricardo Campos (CEMRI – UAb)
Desafio para a inclusão dos descendentes de imigrantes africanos em Portugal – Beatriz Padilla (CIES – ISCTE)


“Isto é um projecto de vida!” – Práticas associativas de descendentes de imigrantes africanos – Rosana Albuquerque (CEMRI – UAb)

"A minha mãe sempre nos incentivou a participar e a fazer trabalho cívico": trajectórias de participação cívica de jovens de origem são-tomense em Portugal – Sónia Ramalho (CRIA - FCSH / UNL)

Estratégias culturais, identitárias e de inserção dos jovens ucranianos em Portugal – Pavlo Sadokha (Associação dos Ucranianos em Portugal)

Comentário: Fernando Luís Machado (CIES – ISCTE)
Debate
19:00 Encerramento

Evento com organização e apoios da Universidade Aberta / Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI), Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Alliance Française e Institut Français du Portugal. Mais informações em http://www.univ-ab.pt/cemri

28.1.11

Seminário "A Emigração na Primeira República"

Prof. Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade (CEMRI/UAb), Dr. José Ribeiro (Presidente da CMF), Dr. Pompeu Miguel Martins (Vereador da Cultura CMF)
Fotografias de Manuel Meira
Terminou num clima de satisfação, com a presença de dezenas de participantes, o seminário “A Emigração na Primeira República” que decorreu na passada 6ª feira, dia 21, no auditório da Biblioteca Municipal de Fafe, realizado no âmbito do programa oficial da Câmara Municipal de Fafe para as comemorações do Centenário da Implantação da República, através do Museu das Migrações e das Comunidades em parceria com o CEMRI – Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais/Universidade Aberta.

Na sessão de abertura o Presidente da Câmara Municipal de Fafe, Dr. José Ribeiro, assinalou o facto de o evento reforçar o trabalho de implementação do Museu das Migrações, “um projecto prioritário para o Município de Fafe”, que se consolidará como um projecto nacional. A emigração foi e é um factor estruturante das sociedades que deve ser efectivamente abordado ao abrigo de diferentes perspectivas de investigação. Paralelamente as comunidades de emigrantes podem participar activamente neste trabalho, visando o seu conhecimento, preservação e divulgação.
O painel da manhã com o tema “Primeira República - A Emigração e a Imigração em Portugal” foi moderado pelo Prof. Doutor Albertino Gonçalves do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e contou com a comunicação “Políticas e práticas de emigração na Primeira República” pelo professor catedrático Jorge Fernandes Alves da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigador do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória), que procurou equacionar as posições políticas sobre a emigração neste período, caracterizar as medidas tomadas e sondar a realidade através de dados históricos.

Comunicação do Prof. Doutor Jorge Fernandes Alves (FLUP)

Seguiu-se o professor catedrático Viriato Capela do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho apresentou “A emigração e o surgimento da acção regionalista em Portugal”. Este painel contou também com a presença dos contributos de dois investigadores do fenómeno migratório da Galiza para Portugal.

O professor catedrático Domingo Luis González Lopo da Faculdade de História e Xeografia da Universidade de Santiago de Compostela e coordenador adjunto da Cátedra UNESCO nº 226 sobre Migraciones situou o colectivo galego residente em Lisboa durante a segunda metade do século XIX. Analisou os estereótipos sobre a imagem dos galegos em Portugal, o desenvolvimento do associacionismo, a criação da imprensa para defesa dos seus interesses e a educação dos filhos – muitos já portugueses por nascimento -, assim como, a posterior intervenção política destes nos movimentos sociais e políticos e na sua colaboração activa na vida política e na instauração da I República.

O professor Carlos Pazos Justo do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho (Prémio de Investigação Carvalho Calero em 2009) apresentou uma aproximação à trajectória da emigração espanhola em Portugal na 1ª República com a comunicação “A emigração espanhola em Lisboa na Primeira República: o caso do enclave galego” tentando substantivar as estratégias que este adoptou no novo panorama político após 1910.
O painel da tarde subordinado ao tema “Portugal/Brasil - Factos, Gentes e Representações” foi moderado pelo Dr. Henrique Barreto Nunes, ex-director (recentemente aposentado) da Biblioteca Pública de Braga e do Arquivo Distrital de Braga, actualmente vice-presidente do Conselho Cultural da Universidade do Minho e pela Dra. Isabel Alves educóloga a desempenhar funções no Museu das Migrações e das Comunidades e coordenadora do seminário. O Dr. Henrique Barreto Nunes abriu o painel com profundas palavras de homenagem àquele que foi o seu grande amigo, historiador e defensor activo e permanente do património histórico - Dr. Miguel Monteiro, mentor do projecto do Museu.
Com a comunicação - “Portugal-Brasil: Trajectórias de sucesso e de insucesso no contexto migratório” - a professora catedrática Maria Beatriz Rocha-Trindade, fundadora do CEMRI, titular da Ordre National du Mérite, de França, com o grau de Chevalier, da Medalha de Mérito do Município de Fafe e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, de Portugal, centrou-se na presença portuguesa no Brasil, que se estende desde o seu «Achamento» até à actualidade. Retratou os “Homens e mulheres que circularam entre o continente europeu e o continente americano, atravessaram o oceano num e noutro sentido, através do que poderia ser chamada: a «ponte atlântica». E, em cada época, não só encontraram justificação para fazê-lo como transportaram consigo a esperança de poder atingir uma melhoria económica ou de poder vir a alcançar uma situação de liberdade.”
Seguindo o tema Portugal-Brasil o Município de Fafe esteve representado pelo historiador local Daniel Bastos com a comunicação “O concelho de Fafe durante a I República e o fenómeno migratório” cujo principal objectivo foi “analisar as dimensões históricas da I República no concelho de Fafe que se interligam com o fenómeno migratório.”
Seguiu-se o professor catedrático Jorge Arroteia da Universidade de Aveiro, fundador da biblioteca digital Emigrateca Portuguesa que apresentou “Uma visão retrospectiva sobre as migrações portuguesas” e abordou os movimentos migratórios desde as Descobertas, passando pelos diversos “destinos da emigração portuguesa traçados desde os finais do século XIX que se alteraram no decurso do século XX.”
Terminadas as comunicações a sessão foi seguida de um espaço de debate que contou com uma grande participação do público presente. O evento foi encerrado pela coordenadora do seminário Dra. Isabel Alves, pela Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade que com o Dr. Artur Ferreira Coimbra constituíram a Comissão Científica do seminário, e pelo vereador da cultura Dr. Pompeu Miguel Martins que fez um especial agradecimento a todos quantos tornaram possível a realização do seminário (Isabel Alves, Jesus Martinho, Joaquim Gonçalves, Manuel Meira, Rita Gonçalves, Sandra Novais) e em particular à Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade por todo o percurso realizado desde o início da implementação do Museu. Reforçou ainda a vontade do senhor Presidente Dr. José Ribeiro na consolidação do Museu, apresentando uma visão dos projectos futuros.


Dra. Isabel Alves (MMC), Dr. Pompeu Miguel Martins (Vereador Cultura CMF), Prof. Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade (CEMRI/UAb)

Fez ainda um especial agradecimento a uma personalidade essencial na criação do Museu das Migrações e das Comunidades – o Historiador professor Miguel Monteiro. De assinalar que o seu nome foi lembrado ao longo de todo o dia por todos os oradores com palavras de admiração e carinho imensos, mencionado como alguém que tinha “o infinito como limite”.

10.1.11

Aniversário(s) e Memória(s)


"Dez de Janeiro foi de festa para a nossa linda terra! Inaugurou-se nessa noite o 'Teatro-cinema' - nome tão simples para obra tão grande."

Sob o título “O Progresso de Fafe – A Inauguração do Teatro-Cinema”, eram estas as palavras que se liam, na edição de 17 de Janeiro de 1924 do jornal “O Desforço”. O Teatro-Cinema foi inaugurado a 10 de Janeiro de 1924 pela então conceituada Companhia de Aura Abranches, com a peça de teatro “O grande amor”.

Construído no local onde existia já um antigo edifício de teatro, a sua construção deveu-se ao Dr. José Summavielle Soares, neto do “brasileiro” José Florêncio Soares, emigrante no Rio de Janeiro.
Esta belíssima obra coincidiu com o fim das iniciativas de capital de "brasileiros" de Fafe e dos seus descendentes, fechando o ciclo da emigração para o Brasil.

A notícia do jornal continua com pormenorizadas descrições:

Luxo e elegância desde o altivo salão nobre ao vasto palco confortáveis camarins, desde a deslumbrante entrada principal a plateia, frisas e camarotes; desde o agradável terraço ao jardim lateral.

Dignos de louvores são quantos colaboraram nesta obra importante: dignos de honra são: o técnico de 'A Japoneza, Lda', do Porto, sr. Duarte d'Almeida que deu aquilo tudo um tom prodigioso, caprichando no mobiliário e adorno do salão principal, que e, no género, um dos raros que devem existir; e os hábeis pintores que com tintas multicolores fizeram realçar o tecto, imprimindo-lhe poesia e o artista da sacada em cimento que sobressai na frontaria.

'Teatro-cinema'!
Quer dizer: ali, naquela case modelo, poderão funcionar as melhores e maiores companhias e exibir-se as mais perfeitas fitas cinematográficas.

E assim foi que, Quinta-Feira passada, teve a honra de trabalhar pela primeira vez no sobredito teatro, inaugurando-o solenemente, a Companhia Aura Abranches, uma das melhores do país.

Mas quem foi a personagem mais importante da grande noite, da noite de triunfo, de alegria, de afecto, de galas, de glórias? Foi, precisamente, o homem de reconhecida inteligência e acção, o bairrista apaixonado, o engrandecedor de Fafe, o dono da admirável case de espectáculos que e o Dr. José Summavielle Soares! Foi ele, não podia deixar de ser! ...

A Câmara, representada pela sue ilustre Comissão Executiva, dr. Artur Vieira de Castro, Dr. Parcidio de Matos, Dr. Manuel Moreira, Ângelo Fernandes e Vale Ribeiro, com seu estandarte, foi homenageá-lo ao palco, entre o 2.° e o 3° actos, levar-lhe uma mensagem escrita em pergaminho e metida numa luxuosa pasta. Tinha-o proclamado cidadão benemérito do concelho de Fafe.

Quando a Câmara apareceu no palco, as palmas foram estrondosas e demoradas, assim como depois do agradecimento do sr. dr. Summavielle. A orquestra executou 'A Portuguesa’ e tudo de pé e respeitosamente assistiu aquela passagem sublime da grande festa.

Além da imprensa local, assistiu ao espectáculo de inauguração o nosso prezado colega do Jornal de Noticias do Porto sr. Armando Gonçalves, funcionário superior da Câmara do Porto.

-'A Japoneza, Ld.ª, do Porto, foi a que ofereceu o espectáculo de inauguração os lindos programas profusamente distribuídos.

-A orquestra, sob a regência do snr. Joaquim Carvalho, que executou admiravelmente, era composta de amadores e profissionais da terra.
-O pessoal do teatro usava todo fardas.

As três lindas peças que se representaram nas noites seguintes -' Pilmerose', 'Madalena Arrependida' e 'Injustiça da Lei', agradaram muito, sendo os intérpretes entusiasticamente ovacionados.

No domingo, entre o 2.° e o 3.° actos, o sr. dr. Summavielle convidou a laureada actriz Aura Abranches a fazer o descerramento de uma placa de mármore com letras douradas colocada no átrio, onde leu, com surpresa, os seguintes dizeres:
-'Inaugurado em 10-1-1924 pela Companhia Aura Abranches'.

A placa de mármore permanece na entrada do Teatro Cinema e completa hoje 86 anos.

Também hoje, dia 10 de Janeiro, recordamos Miguel Monteiro, coordenador do Museu das Migrações e das Comunidades que completaria 56 anos.
Saudade.

3.1.11

Seminário "A Emigração na Primeira República"


O Museu das Migrações e das Comunidades integra o programa das comemorações do Centenário da Implantação da República da Câmara Municipal de Fafe com a realização de um seminário subordinado ao tema “A Emigração na Primeira República”.
A iniciativa tem como objectivo contextualizar o fenómeno migratório daquele período e é uma realização conjunta Museu das Migrações e das Comunidades e Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI – (Universidade Aberta), instituição parceira deste Museu em iniciativas anteriores.
O evento decorrerá no próximo dia 21 de Janeiro de 2011, no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe e reúne investigadores de várias universidades nacionais e estrangeiras, nomeadamente, da Universidade Aberta e do Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI), da Universidade de Lisboa, da Universidade do Minho, da Universidade do Porto e da Universidade de Santiago de Compostela.

Os trabalhos serão divididos nos painéis “A emigração e a imigração em Portugal” e “Portugal/Brasil - Factos, gentes e representações” e apresenta o seguinte programa:

09:00 Recepção dos participantes

09:30 Sessão de Abertura
Dr. José Ribeiro – Presidente da Câmara Municipal de Fafe
Dr. Pompeu Miguel Martins – Vereador do Pelouro da Cultura
Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade – Investigador/Fundador do Centro de
Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI – (Universidade Aberta)

Painel 1- Primeira República - A Emigração e a Imigração em Portugal
Moderação:
Prof. Doutor Albertino Gonçalves (Universidade do Minho/ Instituto de Ciências Sociais)

10:00 Prof. Doutor Jorge Fernandes Alves (Universidade do Porto/ Faculdade de Letras
da Universidade do Porto)
Políticas e práticas de emigração na Primeira República.

10:30 Prof. Doutor Viriato Capela (Universidade do Minho/Instituto de Ciências Sociais)
A emigração e o surgimento da acção regionalista em Portugal.

11:00 Coffee-break

11:30 Dr. Carlos Pazos Justo (Universidade do Minho/Instituto de Letras e Ciências
Humanas)
A emigração espanhola em Lisboa na Primeira República: o caso do enclave
galego.

12:00 Professor Doutor Domingo González Lopo (Universidade de Santiago de
Compostela/Faculdade de História e Xeografia/Cátedra UNESCO nº 226 sobre
Migraciónes)
Os lisboanos galegos: evolución económica, social e ideolóxica dun
colectivo inmigrante en Portugal.

12:30 Debate

13:00 Almoço

Painel 2 - Portugal/Brasil - Factos, Gentes e Representações
Moderação:
Dr. Henrique Barreto Nunes (Universidade do Minho/Conselho Cultural)
Dra. Isabel Alves (Museu das Migrações e das Comunidades)

14:30 Prof.ª Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade (Universidade Aberta/Centro de
Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI)
Portugal-Brasil: Trajectórias de sucesso e de insucesso no contexto migratório.

15:00 Prof.ª Doutora Maria do Céu de Melo (Universidade do Minho/Instituto de
Educação)
Ao espelho: o riso e o siso nos cartoons sobre emigração.

15:30 Dr. Daniel Bastos
O concelho de Fafe durante a Primeira República e o fenómeno migratório.

16:00 Prof. Doutor Fernando António Baptista Pereira (Universidade de Lisboa/
Faculdade de Belas-Artes)
Um discurso museológico sobre a emigração e os “Brasileiros” em Fafe durante a
Primeira República.

16:30 Coffee-Break

17:00 Prof. Doutor Jorge Arroteia (Universidade de Aveiro / Emigrateca Portuguesa)
Uma visão retrospectiva sobre as migrações portuguesas.

17:30 Debate, Balanço e Conclusões

18:00 Encerramento
– Dr. José Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de
Fafe

Visita ao Museu das Migrações e Núcleo das Artes (Teatro - Cinema)


As inscrições são gratuitas e poderão ser efectuadas até ao dia 18 de Janeiro para geral@museu-emigrantes.org ou pelos telefones 253 490 908 ou faxe 253 700 409.

26.12.10

Jardim do Calvário ou Passeio Público faz hoje 118 anos


Fafe: Passeio Público em Construção 1891
(Luisa Vieira Campos de Carvalho - Arquivo privado)

O Jardim do Calvário ou Passeio Público faz hoje 118 anos razão pela qual a rubrica "Documento do Mês" é dedicada a este espaço e ao seu fundador - Comendador Albino de Oliveira Guimarães.


O Jardim do Calvário situa-se no "Outeiro do Calvário" decorrendo este nome da existência de uma capela dedicada ao Senhor do Calvário, nesse local, pelo menos desde o século XVIII.
A obra do Jardim do Calvário deve-se a um brasileiro fafense, o Comendador Albino de Oliveira Guimarães que, segundo a imprensa do início do século, "houve dele o produto de um discurso – a verba principal que se empregou no aludido jardim", custeando a iniciativa com 4 contos e duzentos mil réis.


Em 1889, o presidente da Câmara, José Florêncio Soares, apresenta ao Executivo um projecto de Jardim e Passeio público, tendo sido as obras orçamentadas pelo montante de 6.400$000 réis.
No ano 1890 dá-se início às obras, tendo a Câmara em sessão de 12 de Fevereiro, realizando uma intimação de despejo de 8 dias aos moradores daquele local, para que a construção se pudesse iniciar.


O Jardim do Calvário é solenemente inaugurado a 26 de Dezembro de 1892, onde a Câmara se dirige a Albino de Oliveira Guimarães para agradecer "os valiosos serviços que prestara ao Município para a construção do mesmo jardim" e "pelo grande melhoramento público que promovera".

Em 1912 é aprovado o projecto de um coreto para o local e em 1914 passa a ter luz eléctrica fornecida pela Central de Sta. Rita. Em 1917 é adquirido um barco para o lago do Jardim, mandado vir pelo então Vereador Artur Pinto Bastos, tendo o barco e o seu transporte desde a Póvoa do Varzim custado 36$50.



Em 1929 é elaborado o projecto de um quiosque para o Jardim Público junto ao ringue de patinagem com o orçamento de 11.148$00.
O Jardim do Calvário recriava, assim, um ambiente de exotismo naturalista, apresentando um lago com uma ponte, um pequeno barco, um coreto e as necessárias árvores importadas, recriando-se o ambiente romântico. Constituía um local de "encontro e ócio, cumprindo uma função ideológica dos que o frequentavam." (Miguel Monteiro in Fafe dos Brasileiros)
COMENDADOR ALBINO DE OLIVEIRA GUIMARÃES
Albino de Oliveira nasceu a 4 de Setembro de 1833, na freguesia de Golães e faleceu a 6 de Março de 1908 (74 anos), na sua casa da Rua 5 de Outubro.



Em 1847 (com 14 anos) emigrou para o Rio de Janeiro e acrescentou ao seu apelido, Guimarães. No Brasil, trabalhou como caixeiro na casa Comercial António Mendes de Oliveira Castro, vindo a ser o seu braço direito, das suas qualidades pessoais. Em 1858 (25 anos) casa com Luiza Mendes de Oliveira Castro e aparece na liderança da Comissão de Fundadores do Hospital de Fafe no Rio de Janeiro. Em 1859 António Mendes de Oliveira Castro vem a falecer, sendo Albino conduzido à gerência dos negócios de família, ao lado da sogra D. Castorina.



Em 1861 realiza uma viagem de retorno a Portugal, com Francisco José Leite Lage. Em 1869 verifica-se a existência de um passaporte de 8 de Abril com destino ao Rio de Janeiro com sua mulher e filhos (Luiza, Castorina, Albino, António). Em1879, compra casa em S. Clemente. De referir que ia com frequência a Lisboa, mantendo relações com Camilo Castelo Branco e José Cardoso Vieira de Castro.



Em 1890 vende a casa do Rio ao inglês John Roscoe Allen que posteriormente a vendeu a Rui Barbosa. Actualmente é a Fundação Casa Museu Rui Barbosa. Albino de Oliveira Guimarães regressa definitivamente a Fafe, instalando-se com a família na casa da Macieira, em Pardelhas. Foi ainda proprietário rural em Freitas, na Ranha e Pardelhas; em Quinchães e em S. Romão de Arões adquiriu quintas e a casa e Quinta de Arrochela.



Como benemérito promoveu a construção da Igreja Nova de S. José, hospitais, asilos, escolas, participou na criação de Misericórdias, indústrias e iluminação pública; fez parte da comissão organizadora das festividades comemorativas da chegada do Caminho-de-ferro.



"Documento do Mês" - em exposição espólio documental sobre o Jardim do Calvário e o seu fundador Comendador Albino de Oliveira Guimarães. Agradecimento muito especial a Luisa Vieira Campos de Carvalho, descendente do comendador, pela cedência da primeira foto que aqui reproduzimos.

6.12.10

Os portugueses no mundo e o mundo em Portugal

Um quadro vale por mil palavras.
Fonte: "Portugal - Atlas das Migrações Internacionais".

11.11.10

Paços do Concelho na Imprensa e no Museu

Fotografia de Manuel Meira
No início do século XVIII, na Corografia Portuguesa, o Padre Carvalho da Costa refere que a então vila de Fafe «tem huma só rua, aonde está a Casa da Câmara, & Cadea». Era na actual Praça 25 de Abril que se encontravam os antigos Paços do Concelho (c.f. Almanaque de 1920).

De acordo com a sessão camarária de 2 de Junho de 1897, resolveu-se «Pedir ao governo para applicar o fundo da viação à reconstrucção d’um edifício para os paços do concelho» (jornal ”O Desforço”, 03/07/1897, pág. 2).
Em sessão da Câmara Municipal de 24 de Outubro de 1906, decidiu-se «que o novo edifício para os paços do concelho, tribunal e repartições públicas, se faça à margem da projectada avenida» (jornal ”O Desforço”, 01/11/1906, pág. 2). O edifício para os Paços do Concelho viria a ser construído na actual Avenida 5 de Outubro, por questões de aformoseamento da Villa e de melhores acomodações para os fins destinados, iniciando-se no ano seguinte, a sua edificação (c.f. jornal “O Povo de Fafe”, 31/07/1907). Os novos Paços do Concelho entraram em funcionamento em 1913.

Da colecção de gravuras do Núcleo da Imprensa seleccionamos uma zincogravura publicada no jornal semanário "O Desforço" de 11 de Julho de 1919 cuja legenda - "O edifício público em construção onde estão aquarteladas as forças da República" - nos remete ao período da 1.ª República no qual se tomaram posições de reação às tropas monárquicas.

Nos anos de 1960 foram realizadas no edifício remodelações ao nível da arquitectura e do redimensionamento dos espaços interiores, sendo que, na manhã de 18 de Novembro de 1966 os «novos» Paços do concelho foram solenemente inaugurados (c.f. jornal “O Desforço”, 24/11/1966).
Produção Isabel Alves e Patrícia Cunha

30.10.10

Colecção de postais da 'Villa de Fafe'

Fotografia Manuel Meira

Ao longo das artérias que percorrem Fafe, exalta-se o «coração» da cidade: a Praça 25 de Abril. Espaço em que se criam memórias de horas de lazer, de correrias agitadas na realização dos deveres, do café depois do almoço...
Se, através do tempo, permaneceu como parte fulcral do chamado «centro histórico» da cidade, o mesmo não se poderá dizer da toponímia que a percorreu, como fruto das várias transformações políticas e ideológicas.


Já no início do século XVIII era referida por Carvalho Costa como «huma só rua, aonde está a casa da Câmara & Cadea».
Em 1866, este espaço possuía a designação de Largo de Fafe, sendo vulgarmente conhecida como a «estrada de Guimarães para Cavez».

Anteriormente, tinha tido outras designações como Largo da Villa e Centro de Fafe. Por esta altura, existem testemunhos que a designam de Largo de D. Luiz I, como alusão ao rei da época.


Em 1889, adquire o nome de Largo Municipal, havendo também referências do topónimo Largo Municipal de D. Carlos. Nesta altura, o rei D. Carlos I torna-se o sucessor de D. Luís I, passando, assim o largo a designar-se de Largo de D. Carlos I, nos últimos anos da monarquia.

Em 1907, D. Carlos I, quando se dirigia para Vidago, viria a visitar, em Fafe, o seu amigo monárquico Dr. Florêncio Monteiro Vieira de Castro, tendo sido o único monarca que visitou a cidade.
Reflectindo a Implantação da República, a 13 de Outubro de 1910, recebe a designação de Praça da República.


Em 1919 passa a chamar-se Praça do Brasil, mudando o seu nome para Praça de Dr. Oliveira Salazar, em 1938, pouco depois de Oliveira Salazar instituir o Estado Novo.


Após o 25 de Abril de 1974, adquire o topónimo de Praça 25 de Abril como referência à Revolução dos Cravos, o qual se mantém até aos dias de hoje.'

Produção Isabel Alves e Patrícia Cunha