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9.9.12

IV Encontro Luso-Brasileiro de Casas Museu


O Munícipio de Fafe foi recentemente convidado pela Fundação Casa de Rui Barbosa, para integrar o IV Encontro Luso Brasileiro de Museus Casas, que decorreu naquela instituição no passado mês de agosto, este ano subordinado ao tema “Revestimentos internos das casas do século XIX: Azulejo, estuque e pinturas artísticas”.

Em plenas comemorações do Ano de Portugal no Brasil / Brasil em Portugal este IV Encontro homenageou o Real Gabinete Português de Leitura pelos seus 175 anos de serviços de divulgação cultural, instituição com altíssimo prestígio e cuja fundação se deve aos portugueses que no início do século XIX se fixaram no Brasil.

Fafe esteve presente nesta instituição em agosto de 2006, no I Encontro Luso-Brasileiro de Museus Casas, no qual Miguel Monteiro apresentou a comunicação “Museu da Emigração e os ‘brasileiros’ do Rio: o público e o privado na construção da modernidade em Portugal”. Em 2012, no IV Encontro, tendo o Museu das Migrações e das Comunidades como elo de ligação, o Munícipio de Fafe esteve presente na mesa redonda “Intercâmbios luso-brasileiros”, na qual foi apresentado o trabalho e possibilidades de cooperação Portugal/Brasil em particular pela história inscrita nos percursos migratórios.
Isabel Alves, coordenadora do Museu das Migrações, apresentou a actual estrutura e o futuro deste Museu, inscrito na musealização das marcas nos territórios dos “brasileiros de torna viagem”. Estas inscrevem-se por todo o concelho, podendo a cidade assumir-se como uma cidade Museu, sob a perspectiva da emigração para o Brasil, pois também por todo o Brasil a presença portuguesa é marcante até à actualidade. Este trabalho estabelece ligações, cooperações e parcerias de trabalho em projectos culturais, científicos, turísticos e económicos, no domínio da instrução, da benemerência e filantropia, da indústria, das artes e da arquitectura, domínios de acção da emigração, quer no Brasil quer em Portugal.

O encontro reuniu inúmeros investigadores e especialistas de diversas áreas do Património e estiveram presentes dezenas de Museus do Brasil, entre os quais, a Casa da Marquesa dos Santos, Museu Casa de Quissamã, Museu de Arte de Belém (cuja curadora, presente no Encontro, é filha de um Fafense, natural de Pedraído), Museu da República, Palácio Itamaraty, Solar do Jambeiro, Museu Mariano Procópio, Palacete das Artes (Villa Catharino), Núcleo de Estudos de Migrações, Identidades e Cidadanias e Instituto Brasileiro de Museus, na pessoa de Mário Chagas.

De Portugal estiveram presentes o Museu das Migrações, o ICOM representado por Maria de Jesus Monge, também presidente do DEMHIST/ICOM e a Fundação Ricardo Espírito Santo, representada por Isabel Mendonça.

Dos diferentes painéis do programa foram apresentadas soluções para questões relacionadas com a preservação, estudo e comunicação nos/dos espaços museológicos, a publicar brevemente nas Actas do Encontro, e foram estabelecidas parcerias, protocolos e intercâmbios luso-brasileiros, que visam projectos conjuntos entre instituições dos dois países - universidades, museus, centros de investigação e fundações - tendo como referência os contextos culturais de Portugal e do Brasil.



A casa onde se encontra a Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, pertenceu ao fafense Comendador Albino de Oliveira Guimarães, e nos jardins da Casa encontra-se a placa evocativa desta ligação, oferecida no ano de 2008 pelo Munícipio de Fafe.

2.8.12

15.º Encontro Europeu de Jovens Lusodescendentes

A Coordenação das Colectividades Portuguesas em França organiza todos os anos o Encontro Europeu de Jovens Lusodescendentes em Portugal. Este encontro tem como objectivo, reunir jovens de diferentes países europeus para que possam partilhar as realidades associativas nos diferentes países de origem. 

O programa do 15.º Encontro, que teve inicio no dia 30 de Julho, está a decorrer entre as cidades de Vila Nova de Famalicão, Braga e Guimarães, encerra amanhã, dia 3 de agosto na cidade de Fafe. Este é já o terceiro ano (http://www.ccpf.info/eejl_photos.html) que o Município de Fafe colabora com a Coordenação das Colectividades Portuguesas em França na organização de um dia passado nesta cidade, na descoberta da história da emigração portuguesa, da cidade e das suas especificidades e da história que nos une. 

O grupo que este ano descobre Portugal, integra jovens lusodescendentes de França, Estados Unidos da América, Itália, Luxemburgo e Suécia. O programa do dia 3 inclui uma especial visita ao Museu das Migrações e das Comunidades, ao Museu de Imprensa e um percurso pelo centro histórico de Fafe. A manhã termina com a visita ao belo Teatro Cinema. 

A tarde inicia na Sala Manoel de Oliveira com a exibição do documentário ‘Transbordados: de Arões para a Europa’ de Tiago Moreira, (produção ADISFAF) que inclui testemunhos de portugueses que partiram para França nos anos 60 e 70, assim como, a visão dos jovens que no presente se questionam perante a possibilidade de emigrar. A sessão será seguida de uma tertúlia com a presença de jovens locais e intervenientes no documentário. Sessão aberta ao público, com entrada gratuita.

Decorrerá também nesta sala a Cerimónia Oficial de encerramento do Encontro com a presença do Executivo do Município. Para terminar o dia será ainda realizada uma visita ao Museu do Moinho e do Povo de Aboim, seguida de uma visita à empresa “Vinhos Norte”. Ficará assim o dia pleno de descobertas, encontros e partilhas. 

O programa do dia 3 conta com o apoio da ADISFAF, da ADRAVE, do Cineclube de Fafe, da Junta de Freguesia de Aboim, da Junta de Freguesia de Silvares S. Martinho e da empresa Vinhos Norte, sem os quais o dia não seria certamente tão rico.

18.2.10

A viagem



Nos finais do século XIX é construído o porto de Leixões, na actual cidade de Matosinhos, distrito Porto. Os principais portos usados pela emigração portuguesa eram os das cidades de Lisboa, no rio Tejo e do Porto, no Rio Douro.

Para chegar ao Rio de Janeiro, até à década de cinquenta, a viagem era feita em barco à vela demorando cerca de 50 dias. A partir de 1851, usando o vapor, esta viagem passou a demorar apenas cerca de 24 dias. Se o vapor não fizesse qualquer escala, a viagem poderia fazer-se em 15 dias, de Lisboa ao Rio de Janeiro.

A emigração, na primeira metade do século XIX, estava limitada aos que podiam suportar o financiamento da viagem, cujo valor global era aproximadamente de 33$415 réis.
Para se entender a dimensão relativa desta importância, apresentamos como referência a "jorna" ou "jeira" salário diário de um trabalhador rural no valor de $160 réis, sendo necessários cerca de 208 dias de trabalho para financiar a viagem para o Brasil.
Assim, se hoje o mesmo trabalho diário corresponder, no mesmo contexto, a cerca de 40 Euros, o custo da viagem rondaria os 8 320 euros.

Face às despesas da viagem, estamos perante um impedimento da emigração generalizada, o que explica a emigração clandestina e a selectividade da emigração aos que tinham capital disponível ou a possibilidade de recorrer ao crédito. in www.museu-emigrantes.org

8.2.10

A casa II


Créditos fotográficos Luisa Langford

A casa do "Brasileiro" de "Torna - Viagem" constituiu uma das representações mais evidentes desse retorno, quer na estrutura e fachada das edificações, quer nas novas demarcações internas, dividindo espaços e pessoas, evidenciando novas hierarquias e novas fronteiras sociais.
As inovações arquitectónicas e decorativas da casa do Brasileiros representam, na maior parte dos casos, uma reprodução ‘desfocada’ de soluções formais de uma arquitectura ‘elegante’ adoptada na construção residencial brasileira a partir de meados do século XIX mercê da actividade de arquitectos e companhias de construção europeias: um modelo onde pontuam influências da casa colonial vitoriana, soluções formais afrancesadas, misturadas com algum revivalismo de cariz italiano".

Nesta perspectiva, as edificações remetem para um quadro de leitura urbana da “Casa” que poderá ser categorizadas em três tipos: o palácio, a casa apalaçada e o palacete.
“O Século XIX é a época em que se verifica, por muitos lados, o retorno do emigrante português enriquecido no Brasil, que constitui um poderoso factor de difusão cultural, que não tem sido devidamente considerado; muitos elementos que se encontram simultaneamente em Portugal e no Brasil, não são possivelmente formas portuguesas que foram levadas para uma terra de povoação recente, mas pelo contrário, produtos elaborados nesse país de ricos contactos e relações de culturas, e trazidos para Portugal pelo veículo do emigrante de retorno, que no seu desejo de ostentação, repete na sua terra aquilo que aprendeu onde se fez grande.” Ernesto Veiga de OLIVEIRA, Fernando GALHANO, Casas Esguias do Porto e Sobrados do Brasil, Recife, Pool Editores S/A, 1986, p. 28

As representações feitas através da localização, da arquitectura e da decoração das fachadas de casas constituem alguns dos elementos que configuraram a personagem do “Brasileiros” e a teatralidade do seu tempo.

Estas casas apresentam-se rebocadas e caiadas, ou cobertas com azulejos, estando presentes as cores do Brasil, com beirais de faiança, varandas estreitas com guardas de ferro forjado ou fundido, platibandas decoradas, lanternins, clarabóias e estatuetas, átrios decorados com azulejo, escadarias de madeiras preciosas, tectos de estuque, portas e janelas altas encimadas por bandeiras com vitrais coloridos, lustres de cristal e delicados móveis e porcelanas.

3.2.10

A casa

O Brasil, na segunda metade do século XVIII e durante o século XIX foi o lugar propício para a acumulação de fortuna e o laboratório para o que veio a ser a ampliação de pequenos e modestos Solares do Minho, a construção das novas vilas e a ampliação das cidades.

Em Portugal, mas com particular destaque para as cidades do Norte do país, permanecem vivas inúmeras evidências materiais e simbólicas da emigração para o Brasil.

O Norte de Portugal é o lugar das principais evidências da saída e do retorno do “Brasileiro”, observando-se as representações desse tempo, particularmente, nessa personagem e nas casas, dado que, com os primeiros lucros do Brasil, o emigrante com sucesso, regressava à terra para ampliar a casa mãe ou construir uma nova e “cobrir de arrecadas as irmãs queridas e a continuar, aqui, a vida laboriosa que nas terras do Brasil foi a sua glória”. (Figueirinhas, 1900)

O “Brasileiro”, originário de uma classe média e média alta rural, incorpora nos contactos cosmopolitas das cidades do Brasil e das permanentes viagens pelas capitais estrangeiras, os novos sentidos da urbanidade e os símbolos legitimadores de poder que faz transportar para as cidades e vilas do Minho.

Este retorno reflectiu-se na arquitectura, urbanismo e na industrialização do país, provocando a aceleração da actividade comercial, afirmando-se o “Brasileiro” e seus descendentes como constituintes de uma classe burguesa que se envolve activamente na vida pública em tempo de transformação de regime. na plataforma do Museu

22.12.09

Na TV

Para os cerca de 5 milhões de falantes da língua portuguesa espalhados por todo o mundo.
Em Cultura - Exposições Lusopress.TV

20.12.09

Colecção Gérald Bloncourt

Gérald Bloncourt nasceu em 1926 e depois de ter sido expulso por razões políticas do Haiti onde vivia com seus pais exilou-se em França na década de 40. Permaneceu sempre sensível ao sofrimento daqueles que saem do seu país e chegam a um país que não é o seu, à procura de melhores condições de vida.
Foi colaborador no L’Humanité e no La Vie ouvrière, semanário da Confederação Geral do Trabalho Francesa, um poderoso sindicato francês criado em 1906, tendo publicado fotografias em vários jornais.
Estabeleceu contactos com os operários e criou laços com a comunidade portuguesa em França, o que o levou a partilhar e a registar em fotografia a sua vida quotidiana, sobretudo dos portugueses que se instalaram em Champigny e em Saint-Denis.
Em 2009 Gérald Bloncourt doa ao Museu das Migrações e das Comunidades, através do presidente da Câmara Municipal de Fafe - Dr. José Ribeiro - que se deslocou a França a convite de uma associação de emigrantes portugueses, uma colecção de 104 fotos a preto e branco sobre aquela realidade registadas nas décadas de 60 e 70.
Créditos fotográficos Manuel Meira / Câmara Municipal de Fafe